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2K, 4K, KKK… Parte 1

Tem gente de olho no nosso rico dinheirinho. E, para atraí-lo, estão bombardeando o mercado com a noção de que 4K é o máximo. Será?

Para piorar, a maioria do que se vende como 4K, hoje em dia, está longe dos verdadeiros 4K que a indústria cinematográfica adotou como padrão de altíssima definição na época da película. Isso explicaremos, com detalhes, na segunda parte deste artigo.

No entanto, o marketing que rola por aí faz parecer que ter uma câmera 4K é uma verdadeira necessidade, e que aqueles que não tem estão ficando para trás.

Pior que quem investe nesse equipamento vende-o para os clientes como sendo o máximo, desprezando os concorrentes que não embarcaram nesta onda.

Os clientes, que normalmente não têm conhecimento técnico suficiente, acabam acreditando nesse mito e um círculo vicioso se forma. O cliente paga caro pelos 4K e acaba com um produto em HD ou, no máximo, 2K.

Todos envolvidos no processo de produção e pós em 4K gastam muito mais tempo, armazenamento e dinheiro para, no final, entregarem o mesmo produto que seria entregue por quem produz com equipamento 1080p ou 2K.

Lente Zoom Canon 30-300 série Cinema capaz de filmar em 4K.

Essa história do 4K tomou uma proporção tão grande que até os fabricantes mais responsáveis e tradicionais estão sendo forçados a adotar o formato, mesmo que ele não faça muito sentido. Senão, correm o risco de parecer ultrapassados. Ainda mais em um mercado tão competitivo como o atual.

Saiamos um pouco do mundo dos sonhos elaborado pelas equipes de marketing e coloquemos os pés no chão. Quem precisa, de verdade, de uma câmera 4K? Quem faz cinema digital? Ironicamente, não existem cinemas com projeção em 4K no momento, e nem existirão tão cedo.

Aliás, nos Estados Unidos a projeção digital em 2K mal está se firmando no mercado. 2K é o padrão universal atual de projeção cinematográfica de qualidade, que está ainda em fase de implantação mundo afora.

Significa um investimento pesado que, embora necessário, caminha com certa lentidão. Ou seja, se você acha que filmar em 4K é uma necessidade para produção cinematográfica séria, é melhor pensar duas vezes.

Até mesmo porque a câmera de cinema digital mais cobiçada e respeitada no momento, a ARRI Alexa, filma em 2K. O que faz tudo sentido, já que 2K é o padrão atual de cinema.

Câmera doméstica 4K. Melhor que Arri Alexa?

Ah, mas dizem que 4K é o futuro… Sim, só que esse futuro ainda está muito distante e, no momento, é economicamente inviável. Pense só no investimento que está sendo feito em projeção digital em 2K.

Qualquer modelo de negócio inteligente dita que um investimento deve render o máximo retorno possível. O que significa que esses caríssimos projetores 2K (um projetor Barco 2K custa, em média, 500 mil reais) continuarão sendo o padrão por uns 10 anos ou mais.

Mas e as TVs 4K que os japoneses estão anunciando? Bem, nos anos 80 o Japão já tinha transmissão de TV em HD. Só recentemente é que essa transmissão está se tornando realidade nos EUA e no Brasil. Mesmo assim, depois de virar digital.

Lembro que uma produtora de Seattle investiu mais de um milhão de dólares no formato HD analógico pouco antes do formato digital ser lançado. A produtora faliu. Embora HD fosse o futuro, não era bem o tipo de HD em que eles investiram.

O que nos leva a questionar se os modelos de 4K atuais não terão o mesmo destino e serão tão semelhantes ao 4K do futuro quanto uma lesma é semelhante a um elefante.

Mas, voltando à TV HD. Só muito recentemente é que os aparelhos de TV Full HD se tornaram um pouco mais acessíveis para o grande público.

Mesmo assim, a maioria dos consumidores que tem uma TV Full HD em casa, no Brasil, nunca assistiu uma transmissão em HD. Tipicamente assistem ao sinal do cabo digital em SD, mesmo, muitas vezes esticando o material em 4:3 para preencher suas telas 16:9.

O o pior é que muitos não sabem sequer distinguir uma imagem HD de verdade de uma SD.

TV Sony 4K.  3840 x 2160 pixels por US$ 25 mil. 

Como a TV HD praticamente acaba de ser implementada aqui e nos EUA, você acha que as redes de TV irão, de uma hora para outra, jogar fora todo seu investimento em transmissores e equipamento de produção para adotar o 4K só porque os japoneses estão anunciando TVs com essa resolução? É ruim….

Pior que uma boa parte da programação, até mesmo da Rede Globo, ainda é originada em SD e, pior ainda, em 4:3.

Ainda existem outros fatores bem importantes nessa equação. Primeiramente, está cientificamente comprovado que é impossível para uma pessoa normal perceber a diferença entre 720P e 1080P em uma TV de 42″, sentada a uma distância tradicional da tela.

Até mesmo as TVs maiores, de 60″, apresentam uma diferença que só é percebida de perto. No cinema, não é possível perceber a diferença entre 1080P e 2K, nem nas primeiras filas, pois a diferença de resolução é mínima (128 x 72 pixels). Daí muitos filmes terem sido rodados em 1080P e convertidos para 2K, sem nenhum problema.

Se não se consegue ver a diferença de 720P para 1080P na maioria das TVs, pois nossa visão perde os detalhes com a distância, então imagine só 4K em uma TV de 50″. Ao preço absurdo que essas TVs custarão, duvido que se tornarão um item de consumo em massa tão cedo.

Aliás, também já foi comprovado que só mesmo nas primeiras filas de um cinema com o melhor sistema de projeção digital é que alguns poucos membros da platéia conseguem distinguir alguma diferença entre 4K e 2K.

Projetor Sony Cinealta 4K.

Ah, mas tem o Bluray… Muita gente tem Bluray para poder tirar os máximo proveito das TVs Full HD!… Não necessariamente. A maioria dos consumidores ainda assiste o bom e velho DVD.

E, embora o preço dos players Bluray esteja despencando, tornando-os quase tão baratos quanto um player DVD, o formato ainda não se tornou o padrão normal de se assistir filmes em casa – o que deverá mudar com o tempo, sem dúvida.

Porém, o Bluray é 1080P! Se a resolução da imagem fosse tão importante para o consumidor típico, o DVD tradicional já estaria obsoleto há muito tempo.

Então, se não há como exibir material em 4K, nem sequer visualizá-lo em sua resolução plena na edição, por que todo esse frenesi? A resposta é simples: marketing.

Os fabricantes de equipamentos profissionais descobriram a técnica que os fabricantes de automóveis, equipamentos de som, telefones celulares e câmeras fotográficas já utilizam há tempo: Quer aumentar as vendas? Invente um número maior e faça parecer que o número menor não vale mais nada.

Vamos dar o exemplo de celulares e câmeras fotográficas. Um telefone com uma câmera com resolução de 4 megapixels parece inferior a um com uma câmera de 8 megapixels.

Afinal, 8 é o dobro de 4! E, se meu colega de trabalho tem um de 8, eu não posso ficar para trás com apenas um de 4. É hora de sacar o cartão de crédito e mostrar que eu tenho o que existe de melhor!

Pra que parar em 4K? Esta câmera da Hitachi filma em 8K.
Quem lançará a primeira 16K?

Só que, o que não se leva em conta em um caso desses, é que uma boa câmera de 4 megapixels gera imagens muito superiores às de uma câmera ruim de 8 megapixels.

O mesmo acontece na indústria automobilística. Vou lhe fazer uma pergunta bem simples: Juntamos dois carros, um com motor 1.0 e outro com motor 1.6 para ver qual dos dois alcançava os 100 Km/h mais rápido.

Os dois carros estavam somente com o motorista, sem nenhuma carga extra. Qual dos dois não só foi de 0 a 100 Kh/h mais rápido como também apresentou melhor performance em geral?

A maioria das pessoas diria que, obviamente, o carro com motor 1.6 apresentou melhor desempenho. Só que, nesse caso, o 1.0 saiu-se bem melhor.

É que o 1.6 era uma Brasília, enquanto o 1.0 era um modelo de última geração. E, é claro, um motor 1.0 bem desenhado rende bem mais que um 1.6 mal desenhado ou antiquado.

Foi com o lançamento da primeira RED 4K, cujo dono não é ninguém menos que o dono da Oakley – mestre em vender produtos esportivos por preços altos e, consequentemente, guru de marketing – que esse mito dos 4K teve início.

E a ironia maior é que a própria RED, para vender mais câmeras como no modelo do mercado comum de consumo, lançou depois um modelo de 5K.

Isso mesmo, 5K! Agora sua 4K ficou obsoleta! A produtora da esquina tem 5K, portanto os filmes dela serão muito melhores que os seus… Só que 5K nem é um padrão. Nunca existirão TVs ou projetores 5K.

Não desejamos, de forma alguma, desmerecer as RED, pois são câmeras maravilhosas. Mas os tais dos 4K é que embolam o mercado todo, ainda mais quando levam a crer que são uma necessidade absoluta. Até porque os sensores das RED oferecem uma performance de Brasília quando utilizados em 2K.

Daí você é praticamente obrigado a filmar em 4K e converter o material para 2K ou 1080. E nisso perde-se tempo, dinheiro e gasta-se uma quantidade muito maior de armazenamento.

Mas 4K são necessários para projeções em IMAX!… Desculpe, mas nem as projeções em IMAX (filme de 65mm na horizontal) chegam a 4K reais de resolução. Isso mesmo.

Portanto, uma projeção digital em 4K reais teria, teoricamente, mais resolução que uma projeção IMAX. Agora me responda – quando foi a última vez que você ou um colega seu produziu exclusivamente para IMAX?

E você sabia que vários filmes digitais exibidos hoje em IMAX foram rodados em 1080?

Peter Jackson e uma das 30 RED Epics 5K usadas nas filmagens de Hobbit.

Ah, mas produzir em 4K hoje garante que o filme estará pronto para o futuro!… Fail! Porque a única câmera vendida atualmente no mercado capaz de se aproximar de 4K reais é a F65 da Sony. E é por isso que ela tem um sensor de 8K. Como assim? Explicaremos na segunda parte desse artigo.

Para terminar, vamos citar duas razões para se filmar em 4K, mesmo que seja com uma câmera que não produza 4K verdadeiros. A primeira é para a produção de efeitos visuais.

É por isso que o diretor Peter Jackson usa 4K e até 5K. Desde os tempos da película, os negativos eram escaneados em 4K (reais) para efeitos visuais por causa da dificuldade de se fazer composições em diversas camadas.

Principalmente quando havia a necessidade de máscaras e outros tipos de recortes. Nesses casos, a resolução maior ajuda. Mas quantos produtores você conhece, incluindo você mesmo(a), têm um orçamento de dezenas de milhões de dólares só para efeitos visuais?…

Panavision Genesis. 1080 em 10 bits, 4:4:4. Pior que falsos 4K?
A gigante do cinema deve saber o que faz…

Outro uso frequente dos chamados 4K é o re-enquadramento na pós. Ou seja, o diretor filma só o plano geral e depois os closes são cropados deste plano. Economia de tempo de produção?

Hitchcock, Truffaut e John Ford deverão estar dando inúmeros giros em seus túmulos só de pensar nessa prática absurda. Afinal, um simples crop não se parece nem um pouco com uma tomada mais próxima, pois a ótica é totalmente diferente. Sem contar que, ao se fazer planos mais próximos, geralmente mudamos o posicionamento da câmera.

Mas, e se usarmos o 4K para fazer apenas correções de enquadramento na pós? Isso significa que os enquadramentos ficaram errados na filmagem. É muito mais profissional enquadrar bem na filmagem do que deixar para o editor, finalizador ou colorista fazer isso depois.

Isso acaba custando bem mais caro e tomando mais tempo. Além de que sistemas como o DaVinci Resolve têm qualidade ótica para esse tipo de correções, tornando o processo praticamente imperceptível, mesmo em material originado em 1080.

Portanto, a não ser que você seja um cineasta preguiçoso e/ou displicente, a única vantagem real de se filmar em 4K (falsos), hoje em dia, tanto para exibição no cinema quanto na TV, é quando seu filme necessita de efeitos visuais complexos e caros.

Isso tudo não é um devaneio do Video Guru. John Galt, vice presidente sênior do departamento de imagens avançadas da Panavision, criador da câmera Genesis e responsável pela F900 que foi usada em Guerra nas Estrelas, é um dos verdadeiros gênios da cinematografia eletrônica que tem feito de tudo para desbancar o mito dos 4K.

E é baseados, em parte, nas explicações dele, que discutiremos o que são 4K verdadeiros na segunda parte deste artigo. Até lá.

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20 comentários Nesse post
  1. Acho que esse artigo erra ao partir da premissa de que uma exibição em 1080 captada em 1080 é igual a uma exibição 1080 gravada em 4k. A gravada em 4k com certeza terá um resultado superior mesmo exibida em 1 ou 2k.

    • Olá Felipe,

      A qualidade final da imagem tem mais a ver com outros fatores do que a resolução da captação em si, como será explicado na segunda parte deste artigo. Se captar em uma resolução mais alta que a da exibição sempre gerasse resultados melhores, nem a Alexa nem a Genesis seriam amplamente utilizadas na filmagem de longas dos majors com orçamentos altíssimos, como são. Você assistiu A Invenção de Hugo Cabret em uma boa projeção digital?

      Posso citar alguns diretores de fotografia que fizeram testes complexos comparando a RED e a ALEXA e que afirmam que, mesmo filmando em 1080 4:4:4 12 bits, a Alexa gera resultados consideravelmente melhores no cinema do que a RED filmando em 4K RAW, incluindo maior latitude e mais definição. Outro problema dos sensores 4K que os marketeiros omitem é o maior nível de ruído.

      Recentemente ouvi um debate entre 4 coloristas top americanos e eles também foram unânimes em afirmar que o material da Alexa em RAW tem mais resolução real que o da RED.

      Claro que o marketing tenta vender essa idéia de que filmar em 4K para exibição em 1080p é melhor, e basta acessar os fóruns da RED para ver a euforia que o assunto causa. Afinal, todos investiram e acreditam nos 4K da companhia. Mas, na prática, as coisas não são bem assim.

      Só concordo com esse argumento quando você compara o material filmado em (pseudo) 4K em uma câmera como a RED com material filmado em 1080 com uma câmera de resolução menor, como uma HDSLR. Mesmo convertido para 1080p, o material da RED terá mais definição. E, é claro, quando filmando com a própria RED em 2K, a resolução fica bem pior porque a câmera só utiliza parte do sensor, degradando bastante a imagem e tornando o ruído ainda mais evidente. Nas RED o resultado final em 1080p sempre será melhor quando a filmagem é feita em 4K por causa do desenho do sensor e a maneira que ele é aproveitado.

      Nossa intenção não é descartar totalmente a tecnologia 4K, que veio ara ficar, mas sim expor as verdades para que nossos leitores façam aquisições mais esclarecidas e não pensem que as boas câmeras 1080 ou 2K ficaram obsoletas por causa disso. Além disso, é muito importante esclarecer o que é o verdadeiro 4K e porque a grande maioria das câmeras à venda no mercado não atingem os parâmetros da definição original do termo.

      • Prazer Paulo,

        Concordo com tudo que li aqui. Sou diretor de externas em uma emissora de tv,e estou gravando um especial de fim de ano com uma sony f3 com um gravador sound device pix 240 em um formato dnxhd 1080p s-log 10bits 4:2:2 220 mbps, de tudo isso a compressão de cor e o que mais interessa, já que na pos o colorista ficou satisfeito com os resultados…para passar em tv aberta,já que nem todos possuem hd

    • Existe uma corrente que se refere aos efeitos produzidos digitalmente como efeitos visuais e aos efeitos produzidos na hora da filmagem como efeitos especiais. Nesse ponto você está absolutamente correto. Porém, o termo Efeitos Especiais também pode ser aplicado aos efeitos digitais. O termo passa a ser geral, englobando todo tipo de efeitos, inclusive os efeitos sonoros. Neste caso, divide-se as categorias de efeitos especiais entre efeitos visuais e efeitos físicos, além dos efeitos sonoros.
      Sua observação faz sentido, neste caso, e acho pertinente, para evitar confusões, a troca do termo embora o utilizado também seja válido. Obrigado!

  2. Olá

    Achei otimo artigo, bem explicado. Também acho o mesmo. So não entendo como profissionais ainda se deixam levar por essa onda do 4k, é so estudar, esta tudo acessível hoje em dia.

    Acho que na comparação que você deu sobre registrar com 4k e a 1080p, e que é melhor significadamente o 4k, faltou detalhar porque. Nesse caso seria porque trabalhando com um sensor a 1080p você o maximo que pode tirar dele é 422 a 10bit (a maioria das vezes com um gravador externo). Ja o salto para o 2k, que parece pequeno, ou 4k, é que ele te da um 444 a ate 12bit.

    Uma duvida que eu tenho: tem diferença de fazer uma color correction a 4k e outra a 1080p ? você teria mais rangecom o 4k pra trabalhar ?

    Muito obrigada e parabens pelo trabalho

    • Alvaro, embora nossa profissão seja artística, na prática se tornou também altamente tecnológica. Muitos se recusam a encará-la como tal, evitando o lado técnico. Daí passam a ser reféns do marketing e de conselhos errôneos.

      Não afirmei que o 4K é melhor. Muito pelo contrário. Só no caso das RED é que somos obrigados e filmar em 4K e, como este modo não oferece a qualidade do padrão 4K verdadeiro, esta só passa a ser realmente boa quando o material é reduzido para 2K ou 1080, tendo assim toda a latitude e definição desses formatos. Quer dizer, com as RED você tem que filmar em 4K e reduzir para 1080 para ter a mesma qualidade de uma boa câmera 1080. As Panavision Genesis, por exemplo, filmam em 1080 em 4:4:4, com qualidade e resolução plenas, apresentando resultados considerados melhores que os das RED filmando em 4K e reduzindo para 1080. Me referi a câmeras 1080 mais baratas e, consequentemente, com menos recursos como as camcorders, GoPros, celulares, etc. Nestes casos, um material filmado em 4K em uma RED e reduzido para 1080 comparado a um material filmado em 1080 em uma HDV será realmente superior.

      O salto para 2K não tem nada a ver com 4:4:4, 12 bits. Como mencionei acima, uma boa câmera obtém esses resultados em 1080.

      Quanto à correção de cor, não necessariamente a não ser que a câmera ofereça 4K reais como a Sony F65. Estou falando, é claro, da correção feita em programas específicos para isso como o DaVinci Resolve, Apple Color, Scratch, Baselight, etc. No caso de correção feita em programas de edição, vale o formato em que se estiver editando. Como 4K exige muito mais da máquina, não só no processamento como também no armazenamento, sendo o formato final de entrega 2K ou 1080, é preferível já fazer a correção final de cor nesses formatos. Assim trabalha-se em tempo real e o render final é muito rápido. No caso específico da RED, como o material original é em 4K e RAW, se a conversão for bem feita antes, não há problema algum. Porém, se a conversão for mal feita, corre-se realmente o risco de ter a imagem comprometida. Mas, utilizando-se um formato como o ProRes 4:4:4 para a conversão de RAW, preserva-se toda a latitude, sem nenhuma perda. A não ser que uma besteira muito grande seja feita durante o processo.

  3. Ótimo matéria!!! Tava dando desespero a moda 4K!!! Tava sem entender o porque tanto entusiasmo.

    Parabéns!

  4. O problema não é o 4k ou 1080 , e sim o sensor da filmadora. Praticamente todas são full h, mas nem todas tem sensores grandes.

    • Marcos, tenho que discordar de você. Essa coisa de sensor grande é uma moda que começou há muito pouco tempo com a Canon 5D. Antes disso, todos os longas de alto orçamento eram rodados em Super 35mm, Super 16mm ou em câmeras de cinematografia eletrônicas com sensores menores ainda, de 2/3″. Existem lentes de cinema fantásticas para sensores tamanho 16mm, como o da Blackmagic Pocket Cinema Camera, que dão um banho na maioria das lentes de fotografia utilizadas com as Canon 5D.

      O grande atrativo dos sensores grandes como os da 5D é a facilidade de se desfocar o fundo. Qualquer um, com pouca experiência em fotografia de cinema, consegue imagens bem atraentes por conta disso. Daí o uso de sensores grandes virou uma moda. Mas um fotógrafo experiente não tem problema algum em conseguir imagens com o fundo desfocado em sensores pequenos. Até mesmo sensores de 1/2″ se prestam bem para esse fim, quando são utilizados com lentes adequadas.

      Vários filmes de grande sucesso e alto orçamento foram rodados em Super 16mm. Cisne Negro, Babel, The Hurt Locker, Moonrise Kingdom, Diários de Motocicleta, Pi, O Jardineiro Fiel e Leaving Las Vegas são apenas alguns exemplos.

      Os sensores grandes como os da 5D apresentam um efeito colateral considerável em relação ao foco por conta da distância focal limitada, que é justamente seu atrativo. O problema é manter as imagens em foco com pouca luz. Os sensores grandes ficam, em alguns casos, com apenas alguns milímetros em foco. E aí a gente acaba vendo esse verdadeiro festival de busca de foco que acontece em muitas produções hoje em dia, sem contar as diversas tomadas feitas com o foco doce. Para evitar que isso aconteça, é necessário que a cena seja muito bem iluminada para o diafragma poder trabalhar mais fechado, aumentando um pouco a profundidade focal. Sensores menores são muito mais fáceis de manter foco e, portanto, exigem menos luzes e facilitam muito o trabalho do documentarista ou cinegrafista de eventos.

      Portanto, um sensor muito grande não é tão importante quanto se costuma pregar hoje em dia, principalmente no que diz respeito à latitude de imagem e definição (não confundir resolução com definição, pois câmeras com a mesma resolução podem possuir definição de imagem radicalmente diferentes).

  5. Paulo! Quando eu me referir aos sensores grandes eu estava falando das Filmadoras , como cito no meu comentário, e não as câmeras. Eu tenho duas Nikon 600, uma D7000, uma Filmadora Panasonic Hmc 40 com sensor de 1/4 e uma Panasonic ag ac 130 com sensor de 1/3 e a imagem da ag ac130 é infinitamente maior que a hmc 40, principalmente a noite. Me desculpe amigo, mas dizer que o sensor em Filmadoras não enfluencia , eu não concordo.

    • Marcos, nesse caso concordo 100% com você pois os sensores de 1/3 e 1/4 são realmente pequenos e dificilmente proporcionam uma imagem cinematográfica. Comparando o sensor de 1/4 com o da Blackmagic Pocket Cinema Camera (Super 16mm) na imagem abaixo, dá pra ver a diferença gigante entre os campos de visão:

      As câmeras com sensores pequenos têm seus usos mas, para quem deseja fazer cinema digital, um sensor do tamanho Super 16mm é o mínimo que eu recomendo. Não é à toa que antes das HDSLRs o jeito econômico de se obter um look cinematográfico com câmeras de vídeo de sensores pequenos era usando (desengonçados) adaptadores como o Letus 35.

  6. Paulo,
    o link que vc citou está com algum problema, pois ao clicar nele está direcionando para um site pornô… kkkk (4K).

    Parabéns por mais esse artigo.

    JI

    • Obrigado pelo alerta, João! Faz alguns dias nosso site foi hackeado. Porém não havíamos notado nada estranho até agora. Espero que não tenham feito outras gracinhas por aqui…

      Bem, troquei o link por uma imagem. Assim não tem erro.

  7. Grande Paulo, super de acordo com o seu artigo! O mercado fica louco pelas novidades tecnológicas e esquece que uma boa imagem é, antes de tudo, realizada por bons profissionais! Alguns jargões tecnológicos que parecem imprescindíveis são detalhes pequenos e o que realmente conta, muitas vezes passa desapercebido. Parabéns pela linha editorial, afinal de contas vc não é vendedor de câmeras!!! Abs

  8. Paulo M. de Andrade achei muito interessante o seu texto, mas você pecou na comparação de uma Brasília com um carro 1.0. Eu como apaixonado por veículos antigos e proprietário de um Fusca 1300 ano 68 lhe afirmo com toda certeza que nunca um carro 1.0 andará mais do que uma Brasília 1500 ou 1600 com dupla carburação(original). Já teve a oportunidade de dirigir uma Brasília 1600 bem regulada? Porque se você dirigiu uma Brasília em péssimo estado e tirou a conclusão de que todos os Fuscas e Brasílias são antiquados e não prestam eu lhe afirmo que agiu precipitadamente. No mais parabéns pelo texto e pela rica informação sobre resolução digital.

    • Marcus, de modo algum eu quis dizer que os Fuscas e Brasílias não prestam. Também curto bastante os carros antigos. Aliás, já dirigi muitas Brasílias com dupla carburação perfeitamente reguladas. Já tive vários veículos VW refrigerados a ar, inclusive um com motor bem preparado, carburação Weber (2 carburadores de corpo duplo), comando de válvulas especial e tudo mais que é divertido. Mas eu devolvo a pergunta: Você já dirigiu um carro com motor 1.0 de última geração? Os primeiros 1.0 eram péssimos, mas os mais modernos andam muito bem. E se você colocar um 1.0 moderno e uma Brasília original em uma estrada (teoricamente sem limites de velocidade), vai ser difícil da Brasília acompanhar.

      Vou fazer outra comparação. Nos anos 80 eu tive uma BMW modelo 2002 1971, que reformei toda (inclusive o motor). Era um carrão. Muito divertido de dirigir, super leve. Motor 2.0. Conjunto super avançado para a época. E dava um pouco mais de 170km/h de final, o que era muito em 1971. Mas se você pega uma BMW moderna com motor 2.0, é outro carro. Muito mais seguro e anda muito mais.

      Mesmo assim, achava a minha 1971 muito mais divertida. E também acho muito mais divertido andar em uma Brasília ou Fusca em perfeito estado do que eu uma carro popular 1.0. Tratando-se de carros e motocicletas, o fator diversão não tem tanto a ver com números. Daí que uma Honda 750 Four 1969 tem um charme muito maior para muitos que uma moto moderna de 600 cilindradas, que anda muito mais e é muito mais segura.

      Parabéns pelo Fusca 68! Saudades desses carros…

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