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2K, 4K, KKK… Parte 2

Nesta segunda parte do artigo, explicaremos o que significam 4K reais e o que possibilita que uma boa imagem HD seja melhor do que uma imagem em pseudo 4K.

Até pouco tempo, o termo 4K era utilizado na indústria cinematográfica para escaneamentos de negativos em alta resolução com a finalidade de obter melhor qualidade em efeitos visuais digitais.

Enquanto isso, negativos eram (e ainda são) escaneados em 2K para intermediação digital para depois serem exibitos digitalmente ou transferidos novamente para película para projeção ótica.

Utilizado há mais de 20 anos, 2K acabou virando o padrão atual de projeção digital adotado mundialmente. Já o 4K foi escolhido porque o processo de efeitos visuais exige a mais alta resolução por conta da extração de máscaras e possível deterioração causada por diversas camadas.

Além disso, certos defeitos dos processos de computação gráfica, cada vez menos presentes, como serrilhados e bandas em degradês, são minimizados quando o material final é convertido de 4K para 2K.

Mas qual a razão desses padrões? Por que não deixar, simplesmente, que a tecnologia evolua e siga por conta própria? A resposta é simples.

Sem esses padrões, os fabricantes tornariam o mercado um verdadeiro caos, com inúmeros formatos e resoluções, todos resultado da luta pela liderança do mercado. Cada cinema teria uma projeção diferente e cada câmera uma resolução doida.

Scanner digital 4K ARRISCAN.

2K foi adotado porque equivale visualmente, na sala de projeção média, à projeção em película de 35mm. Embora ainda haja muita discussão a respeito da superioridade do negativo em relação ao digital, na realidade a projeção típica em película não faz jus à qualidade do negativo original por conta das cópias óticas que sofrem degradação de imagem, desgaste da cópia com o uso, sujeira, arranhões, etc. Daí, uma boa projeção digital pode ser superior a uma típica projeção analógica.

Na primeira parte deste artigo, usamos diversas vezes os termos pseudo 4K, falso 4K e 4K real ou verdadeiro. Vamos analizar isso agora para que possamos entender melhor o porque da relutância de muitos profissionais respeitados do nosso meio em aceitar o termo 4K para a maioria das câmeras modernas.

Um scanner de negativos trabalha com 2000 ou 4000 pixels. No entanto, o termo pixel significa que cada unidade (pixel) é composta de três elementos combinados – um verde, um vermelho e um azul – que, juntos, formam um pixel completo.

É a combinação das intensidades destes elementos que forma as diversas cores e níveis de luminância possíveis em cada pixel individual.

Quer dizer, quando nos referimos a 4K verdadeiros, estamos falando de 4096 pixels vermelhos, 4096 pixels verdes e 4096 pixels azuis. Como a imagem é escaneada no formato 4:3, equivalente  ao frame inteiro do negativo 35mm, ela tem as proporçõe de 4K por 3K.

Ou seja, o equivalente a 12 milhões (arredondando) de pixels individuais para cada cor. Portanto, um sensor de 36 megapixels seria necessário para formar uma imagem real de 4K, sendo que a proporção de pixels verdes, vermelhos e azuis deveria ser absolutamente igual.

Comparativo de qualidade entre diversos tipos de sampleamento.
(clique na imagem para ampliar) 

Isso, aliás, é que é a definição do termo 4:4:4. Cada pixel verde, vermelho e azul é sampleado 4 vezes, contendo toda a informação de luminância e crominância que formam uma imagem.

4:2:2, por outro lado, significa que os pixels verdes são sampleados quatro vezes enquanto que os vermelhos e azuis são apenas duas. Como a luminância é associada aos pixels verdes, a informação de tons de cinza permanece integral mas a informação de cor, não.

Nas primeiras câmeras HD, eram utilizados três sensores individuais, um para cor básica, cada um com a resolução final do formato. Ou seja, uma câmera 1080 tinha três sensores 1080, um para cada cor. E, portanto, oferecia 1080 pixels reais.

A grande maioria das câmeras atuais têm um único sensor e os pixels são combinados em um conjunto que leva o nome de Bryce E. Bayer, da Eastman Kodak. Daí, conjunto Bayer.

Filtros coloridos são posicionados sobre cada elemento fotosensível do sensor para extrair as cores da imagem. Só que, neste processo, são utilizados o dobro de filtros verdes em relação aos azuis e vermelhos. Ou seja, o equivalente a 4:2:2.

Como cada elemento só tem uma cor filtrada, fica impossível extrair a informação de cor de um único pixel. Para obter uma imagem colorida, vários algoritmos são utilizados para retirar a informação deste mosaico de filtros (veja a ilustração abaixo) e interpolá-la para a obtenção da imagem final.

Filtros coloridos posicionados sobre cada elemento do sensor.

Este processo é o que chamamos de De-Bayering. Nas câmeras que gravam em RAW, como as RED, este processo é feito no computador, utilizando seus processadores.

A Red, inclusive, vende uma placa aceleradora deste processo chamada Red Rocket. Nas câmeras que gravam em outros formatos, como as HDSLRs, os cálculos são feitos na própria câmera por chips dedicados.

Como podemos notar na ilustração acima, o conjunto Bayer alterna as cores por fileiras. Verde com vermelho e verde com azul. O que acontece é que as três cores básicas nunca estão presentes em uma única fileira e são necessárias, portanto, duas fileiras para se extrair o RGB (Red, Green, Blue – Vermelho, Verde, Azul).

Quer dizer, cada fileira individual tem suas cores interpoladas, calculadas para preencher as informações que faltam. Outra solução é descartar metade dos elementos verdes para que as três cores básicas tenham o mesmo número de elementos. Neste caso, há perda de informação de luminância.

Visão lateral do conjunto Bayer e padrão resultante
correspondente a cada cor primária. 

Como explicamos acima, um scanner 4K gera uma imagem equivalente a 36 megapixels. Portanto, uma imagem 4K verdadeira é totalmente diferente dos pseudo 4K que muitos fabricantes têm nos empurrado, obtidos de sensores CMOS que começam em 8 megapixels e passam por outros valores como os 11.5 megapixels da RED One.

Para chegar ao número “mágico” de 4K,  a maioria dos fabricantes soma cada elemento fotosensível de cada linha para chegar aos 4K. Só que são 4K “falsos”, faltando uma quantidade enorme de informações da imagem captada.

Quer dizer, os 4K que a maioria dos fabricantes tem nos vendido em pouco contribuem para uma melhora real da qualidade da imagem. Só servem como mais um número para ajudar a vender câmeras. E, pior, acabam encarecendo e dificultando todo o processo de produção e pós.

No caso das câmeras RED, o material em RAW, ao ser convertido para 2K ou 1080, utiliza a informação dos elementos do sensor de 5K ou 4K para obter uma gama maior de cores.

Quer dizer, as RED se aproximam mais dos 2K reais do que dos 4K reais. E é por isso que muitos usuários percebem que o material filmado em 4K e convertido para 1080 em uma RED apresenta qualidade de imagem superior ao material filmado em 1080 em uma câmera inferior que utilize o padrão Bayer típico.

Só que, na verdade, você está comprando um 1080 ou 2K superior, e não um 4K real. O uso do sensor de 5K tem o mérito de aumentar o número de elementos fotosensíveis e, consequentemente, melhorar a imagem em 4K, 2K e 1080.

O que achamos errado é vender a câmera como uma câmera 5K. Seria muito mais honesto com o consumidor vendê-la como uma câmera (pseudo) 4K melhorada ou, melhor ainda, uma câmera 2K de excelente qualidade.

Sony F65 Cinealta 4K.

É para tentar sanar esses problemas que a Sony utiliza um sensor de 8K em sua câmera F65, com o objetivo de obter imagens em 4K muito próximas ao padrão oficial de qualidade.

O sensor de 20 megapixels dessa câmera utiliza um conjunto Bayer girado em 45 graus para preencher melhor os espaços vazios e oferece praticamente o dobro de informações de um sensor 4K.

Do meso jeito que a imagem original de 4K da RED vira uma excelente imagem de 2K, a imagem do sensor 8K da F65 vira uma excelente imagem 4K.

A diferença é que a Sony não está tentando nos empurrar uma câmera 8K, e sim uma câmera 4K com especificações muito próximas dos 4K reais. Pelo menos é um marketing honesto. É por conta dessa qualidade real que a câmera está se tornando um sucesso em Hollywood.

Vale mencionar que uma câmera 1080p como a Panavision Genesis produz uma imagem superior à de uma RED 4K ou 5K convertida para 1080, mesmo filmando nativamente em 1080, por causa da tecnologia superior utilizada em seu sensor.

A câmera usa um CCD com resolução de 5.760 x 2.160 pixels, com conjunto completo RGB em cada linha, produzindo imagens em 4:4:4. Ou seja, utiliza um sensor com o dobro da resolução vertical e latitude total de cores para formar uma imagem fantástica em 1080p.

Utilizando um único CCD RGB, o fabricante eliminou os problemas causados pelos prismas usados nas câmeras HD anteriores para combinar a imagem dos 3CCDs, que sempre causavam alguma perda de qualidade na imagem.

ARRI Alexa Plus.

Já a ARRI Alexa utiliza um sensor CMOS de arquitetura de duplo ganho (DGA), especialmente desenhado para ela. Ele contém pixels maiores que o normal, aumentando a área útil de captação de luz e reduzindo o ruído.

O sistema DGA oferece duas saídas simultâneas para cada pixel, com intensidades diferentes, proporcionando uma latitude final bem maior.

Cada uma dessas saídas tem 14 bits, e as duas saídas são combinadas em um sinal de 16 bits. É como se fosse uma imagem HDR em tempo real, combinando o melhor das altas e baixas luzes.

Utilizando um sensor de tamanho Super 35mm e resolução de 3.5K, com a arquitetura DGA, o fabricante obtém 2K reais. O processamento de cores é 4:4:4.

Se a ARRI seguisse o mesmo marketing dos pseudo 4K, certamente venderia a Alexa como uma câmera 3.5K ou, até mesmo, 4K. No entanto, age honestamente e fornece uma das melhores câmeras de cinema digital atuais, em seus gloriosos e reais 2K e 1080.

Esperamos que este artigo duplo tenha sido útil para esclarecer porque essa corrida atual pelos 4K não é nem um pouco benéfica pra o consumidor, que acaba comprando gato por lebre.

Vale muito mais uma câmera honesta 1080 ou 2K do que uma 4K que ofereça uma imagem inferior, principalmente levando-se em conta que nosso mercado de exibição cinematográfica é 2K e o de TV, internet e Bluray é 1080.

Cartela pare testes de definição de câmeras HD.

Também é importante salientar a diferença entre resolução e definição, dois termos que se confundem muito. Resolução é o tamanho do “pacote” de pixels. Ou seja, 1080, 2K e 4K. Definição é a quantidade de detalhes (ou nitidez) que a câmera consegue reproduzir.

Consequentemente, uma ótima câmera 1080 pode ter mais definição de uma câmera 4K mediana. É por isso que as imagens da ARRI Alexa apresentam melhor definição que muitas das pseudo 4K.

Uma das críticas às HDSLRs da Canon, como as 5D Mark II e Mark III, é que a definição em vídeo é mais baixa que das concorrentes. A Panasonic GH2, por exemplo, define mais linhas que ela, apesar de ter um sensor com praticamente metade do tamanho.

Mas definição também não é tudo, pois existem câmeras bem piores com definição maior, mas também com maior nível de ruído, pior latitude e fidelidade de cores, pior compressão, etc. Se só a definição fosse importante, as HDSLRs Canon certamente não fariam o sucesso enorme que fazem.

Comprar equipamentos baseado só em números é um grande erro. Mas é uma prática que nos é induzida pelo marketing das grandes e pequenas empresas.

Aquele som vagabundo de 2.000 Watts de pico é certamente inferior a um sistema com 30 Watts RMS (reais), de alta qualidade. O motor 1.0 moderno é certamente superior ao 1.6 desenhado há mais de 30 anos. E uma boa câmera fotográfica de 8 megapixels pode dar um banho em uma medíocre de 12 megapixels.

Não se empolgue muito com as novidades só porque os números impressionam. Procure pesquisar bem o equipamento, buscando opiniões esclarecidas, exemplos reais de imagens, resenhas profissionais e, preferivelmente, testando o equipamento em pessoa.

Afinal, mesmo câmeras praticamente idênticas podem agradar a uns mais que a outros pelas suas cores, ergonometria, recursos, etc.

Nunca tivemos tantos modelos de câmeras para escolher, a preços tão baixos. A vez não é mais dos fabricantes, que lutam, desesperados, por uma fatia individual cada vez menor do mercado. A vez é do consumidor, que tem a liberdade de escolher o melhor equipamento possível para suas necessidades.

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43 comentários Nesse post
    • A GoPro Hero 3 que filma em 4K tem realmente tudo a ver com esse assunto. Está na cara que a GoPro, infelizmente, também está participando do frenesi dos 4K. Ainda mais que só consegue filmar em 4K a 15 quadros por segundo, o que é inútil para a maioria das aplicações normais. Para alguns esportes radicais até pode ser mas, mesmo assim, vai exigir mais trabalho na pós.
      O que me deixa curioso é quanto à qualidade da imagem, pois a compressão das GoPro nunca foi das melhores. Acomodar esse volume extra de informações com o mesmo fluxo de dados deve ter piorado mais ainda, a não ser que eles tenham mudado alguma coisa. Por outro lado, o fabricante alega que a câmera é menos ruidosa que o modelo anterior, o que pode compensar na compressão. De qualquer maneira, a GoPro é uma câmera fantástica para os propósitos para as quais foi desenhada e pelo seu custo. Se tivermos uma chance, com certeza faremos uma matéria exclusivamente sobre ela.

  1. Ótima matéria. Li as duas e foram muito esclarecedoras. Amo esse site. E obrigado por sempre nos deixarem informados.

  2. Estudei isso na oficina de câmera HD com Bruno Ravagnolli Coroinha e ficava sempre me perguntando quando as pessoas iriam perceber o que o mercado quer fazer conosco. Esse site veio trazer ma luz. Mito esclarecedora a matéria! Parabéns!

  3. Grandes artigos os 2. É muito difícil conseguir explicar essas diferenças no mercado e conseguir com que eles entendam. Muito bom em saber que não sou o único a pensar assim.

    Obrigado

    • Bruno, aproveite para imprimir os artigos e/ou enviar os links para seus clientes para que eles entendam o que está acontecendo com o mercado. Só mesmo educando nossos clientes é que eles vão poder tomar decisões inteligentes e você não perderá trabalhos para concorrentes menos qualificado só porque eles oferecem filmagens em “4K”.

  4. Paulo, não entendi uma coisa.
    Se o 4k da red não é verdadeiro, então o 4:4:4 que eles dizem que tem também não é ? pelo que entendi para ter 4:4:4 é necessario que o pixel tenha as 3 infos de cor, que no caso da red não tem. Pode me explicar melhor ? pois como funzionam os sensores 4:2:2 eu entendi, mas os 4:4:4 não…obrigado

    • Ela é capaz de 4:4:4 em 2K, tanto no codec quanto na saída de vídeo, mas não em 4K. Para obter 4:4:4 o sensor tem que ser sampleado 2X. Na ARRI Alexa, isso é feito através de duas saídas paralelas do sensor. Na RED, os 4K são utilizados para gerar o dobro de informação de cor em 2K, já que ela não é capaz de oferecer toda a gama de cor em 4K. Abaixo as especificações originais da RED:

      Video Outputs: Single and dual link HD-SDI
      2K, 4:4:4 RGB
      1080p, 4:4:4 RGB
      1080p, 4:2:2
      1080i, 4:2:2
      720p, 4:2:2

      REDCODE codec: Variable Bit Rate, Wavelet
      RAW
      10 bit 4:2:2 1080p / 1080i / 720p
      10 bit log 4:4:4 2K

    • Chico, os 4K da FS700 são como os 4K da RED, ou seja, a resolução do sensor é de 4K mas, nessa resolução, a câmera não é capaz de entregar toda a gama de cores. É por isso que a resolução real dela é de 2K. Infelizmente a Sony, que merece parabéns por vender a F65, com sensor de 8K, como uma câmera de 4K verdadeiros e não como uma câmera de 8K falsos, parece estar cedendo à pressão da guerra de marketing dos números. Do mesmo modo que está oferecendo este upgrade para (pseudos) 4K para competir com a RED, parece que também vai oferecer um upgrade para vender a F65 como uma (pseudo) 8K.

      Vale a pena também levar em conta que esse upgrade para 4K da FS700 vai sair muito caro. Essa semana vazaram os preços. O gravador AXS-R5 custará aproximadamente US$ 5.800. Só que, aparentemente, também será necessário obter um módulo adicional chamado HXR-IFR5 para obter 4K RAW pela saída 3G HD-SDI da FS700 (máxima velocidade de 59.94p). O custo total do upgrade deve ficar entre US$ 8.000 e US$ 9.000. Um preço bem salgado só para ter uma câmera que filma em (pseudos) 4K, cujo produto final será inevitavelmente exibido em 2K ou 1080. Melhor continuar com a câmera original, com 2K verdadeiros, sem ter que sofrer com o armazenamento extra e pós produção muito mais complicada, demorada e dispendiosa.

      Estamos preparando um artigo que analisa os novos lançamentos da Sony e sua tentativa, meio que atrapalhada, de retomar o mercado perdido para as concorrentes. Acho que você vai gostar de ler.

  5. Paulo, esclarecedor o artigo.
    Gostaria que falasse da linha nova de cinema da Canon, 1dc, c100, c300 e c500 (essa última 4k). Qual a real qualidade delas. E se fosse investir nos modelos mais acessíveis para cinema com lentes fotográficas, como RED Scarlet-X, Canon 1dc ou a nova blackmagic, qual seria a ideal.
    Grato.

    • João,
      A 1Dc também filma em 4K. Uma matéria sobre ela está na nossa lista.

      Quanto a recomendar uma câmera ideal, é quase impossível porque depende muito das suas necessidades, orçamento, etc. Uma câmera que é ideal para um tipo de projeto pode ser péssima para outro. Qual seria o uso principal? A 1Dc já não fica entre as mais acessíveis, também, pois custa US$ 12.000,00. A c100 seria mais acessível.

      • Paulo, o uso principal seria a produção de curtas-metragem. Com experiência de alguns anos com a 5D mkII com jogo de lentes série L, as que mais chamam atenção são essas (c300,c500 e 1dc) da linha de cinema da Canon. No entanto, a Red Scarlet X com a baioneta canon gera uma curiosidade quanto ao custo-benefício (fama e preço)… De forma geral, a praticidade do menu, textura das lentes de quem está habituado e tem gosto pela 5D MKII são muito atraentes. No post que li sobre a 1dc no site percebi que aprovaram a câmera, mas ainda sem comparativos. A verdade é que esse 4K mesmo que pseudo chama atenção de quem quer investir, principalmente nos modelos de entrada (1dc e ScarletX).

        Obrigado pela atenção! O site é realmente muito útil.

        Se puder falar de workflow de pós-produção do arquivo dessas câmeras de cinema seria muito bom.

        Abraço.

        • João, tudo depende do seu orçamento. A Scarlet X sai bem mais cara que o preço anunciado. O kit mínimo para funcionamento sai por US$ 15.500. É uma câmera excelente, mas tudo fica mais caro e complicado, desde a captação até o armazenamento e a edição. A vantagem é poder trabalhar em RAW. Mas isso também exige uma boa finalização e não significa que a captação não tenha que ser bem feita. Embora a latitude seja maior, continua sendo possível clipar os extremos e perder boas tomadas. Nas mãos de quem sabe o que está fazendo, tanto na captação quanto na pós, o resultado é fantástico. A RED, certamente, é no geral, a mais complicada dessas câmeras, mas é uma câmera excelente.

          A 1Dc tem sido bastante elogiada. Inclusive o Philip Bloom declarou que considera ela a câmera ideal, já que sentia falta do formado das HDSLRs em câmeras de alta qualidade. Ela ainda tem a vantagem de produzir stills maravilhosos (qualidade profissional) de qualquer fotograma do vídeo. Isso já começa a causar uma certa revolução no mercado de casamentos no exterior, pois a mesma pessoa que filma poder fornecer as fotografias – retiradas dos momentos certos, do próprio vídeo. Ela também foi projetada para eliminar os defeitos comuns nas HDSLRs como moiré, serrilhados e rolling shutter. O corpo custa US$ 12.000 e os acessórios são bem mais baratos e fáceis de encontrar que os da RED.

          As C300 e C500 já viraram as câmeras preferidas para documentários para TV em alguns dos mercados mais fortes no exterior e também estão sendo muito usadas para cinema digital. O fluxo de trabalho é muito simples, rápido e barato e a qualidade das imagens é fantástica. A C300 sai aproximadamente pelo preço da Scarlet – US$ 15.999 – enquanto que a C500 sai por cerca de US$ 25.999, um preço bem mais salgado que as outras. São câmeras muito fáceis de usar, robustas e que geram imagens lindas sem exigir tanto esforço do operador.

          A Blackmagic Cinema Camera também deve ser levada em consideração. É uma câmera bem polêmica e prova de que não existe almoço grátis. Ela filma em RAW com latitudes de cor e luminância excelentes, praticamente equivalentes às da RED. E isso a um preço ridículo de barato – US$ 3.000 pelo corpo. Embora as exigências quanto ao armazenamento e pós sejam menores que as da RED, são bem maiores que das câmeras da Canon mencionadas logo acima. Quer dizer, o baixo custo original se transforma em um custo maior de produção e pós. É como comprar um carro de luxo por um bom preço, mas que consome muito combustível. No dia a dia as Canons saem ganhando. Mas, assim como a RED, em boas mãos os resultados podem ser excelentes. Só que é um câmera que realmente não perdoa. O material pode ficar horroroso, com a maior cara de vídeo, se o fotógrafo não for realmente bom. De todas as câmeras consideradas aqui é, com certeza, a que menos perdoa. Mas, quando bem utilizada, gera imagens que não deixam nada a dever a nenhuma das outras câmeras. As desvantagens em relação às HDSLRs comuns são maiores que em relação às outras câmeras discutidas aqui. Mesmo assim, o sistema de menu exclusivo por toque e a falta de botões dedicados, assim como o sensor pequeno, são desvantagens que justificam o preço inferior. No total, porém, é uma alternativa a ser considerada, principalmente para curtas de dramaturgia com mais tempo de produção onde a relativa dificuldade de operação pode ser ignorada e imagens belíssimas podem ser obtidas. E a diferença de preço pode ajudar na aquisição de acessórios melhores como um excelente jogo de lentes, um bom tripé, um bom kit de luz, etc.

          Já deu pra sentir que não existe uma melhor câmera de uso genérico? Tudo depende muito do uso, gosto, preferência de imagem, orçamento, portabilidade… Se uma RED é a câmera ideal para alguns, a C300 pode ser para outros. E assim vai.

          Nessa faixa de câmeras, passa a ser muito importante considerar a estrutura de pós produção disponível, assim como o nível de conhecimento dos profissionais envolvidos, pois tanto a RED quanto a BMCC vão exigir bem mais.

          Qualquer uma dessas câmeras fará bonito na filmagem de curtas. Vai contar mais quem está por trás das lentes.

  6. Parabéns pelos 2 artigos sobre o 4K. Bastante técnicos e bem fundamentados. Eu concordo com quae todas as suas colocações. A maioria fatos técnicos incontestáveis. Realmente o mercado mundial vai empurrando todos nós para nos forçar a consumir novos lançamentos. E o mercado profissional de equipamentos descobriu esse filão para continuar lucrando. Foi-se o tempo em que se investia muita grana em um equipamento Betacam sabendo que ele ficaria em nossas mãos 20 anos e certamente se pagaria e geraria lucro, assim como uma câmera Arri35.

    Hoje nem uma Alexa pode nos garantir mais isso, que dirá as concorrentes. Agora estão chegando as tv’s 4K ao mercado. E será a bola da vez na NAB 2013. Já foi na CES esse ano. Mas apenas em uma coisa eles estão certos ou pelo menos faz sentido: com a corrida para aumentar o tamanho das tv’s e monitores nas salas dos consumidores, as tv’s acima de 50″ acabaram ficando com a imagem ruim.

    Uma definição de 1920 x 1080 em um monitor de 23″ é uma coisa. Aumentar o tamanho da tela para 60, 80 ou 100″ e manter o mesmo número de pixels acaba degradando muito a qualidade. Daí eu vejo sentido em dobrar o número de linhas horizontais e verticais ao invés de apenas aumentar ou espaçar os mesmos pixels. Aí o 4K passa a fazer sentido. Mesmo não tendo toda a profundidade de cor.

    E filmar em 4K um curta ou vt comercial para ter alguma margem de reenquadramento ou crop é uma boa opção. Não para dar close em um rosto como você salientou bem. Eu tenho captado e editado alguma coisa em 4K vindo de RedOne e tenho gostado do resultado. Logicamente para baixar para HD, para poder ter a possibilidade de 120 fps e slowmotions mais naturais e logicamente tendo muito mais trabalho na edição com a danada da correção de cor e os estouros de latitude vindos de operadores sem experiência.

    Mais uma vez parabéns pelo artigo e pela excelente página.

    Abraços,

    Marcelo Ruiz

  7. Ver o Marcelo Ruiz do Blog Olhar Tecnológico aqui no vídeo Guru que também é um Blog fantástico juntos e comentando é a satisfação completa para nós leitores. Vejo comentários do pessoal do vídeo Guru no Blog do Marcelo (Olhar tecnológico).
    Cara essa galera pega o assunto e com habilidade de cirurgião eles destrincham o assunto para nós, esquartejam o tema e vão servindo em pedacinhos bem passados para os leitores. Meu muito obrigado a vocês dois que como gênios que são não pensam que os não informados são lixos como muitas pessoas por esse mundo aí. Parabéns aos dois! Não podia deixar de agradecer a vocês e principalmente juntos.

  8. Antes de qualquer coisa: muito obrigado por dividir esta resenha conosco.

    Em minha cidade (Belém) existe uma sala que se denomina 4K (chamada “Macro XE”), de uma rede de cinemas mexicana. Mas agora fiquei com dúvida se o que dizem realmente procede. Ela faz parte de um multiplex com 7 salas 100% digital. E imagino que 6 delas são 2K, obedecendo a resolução mínima das salas digitais.
    Devo mencionar que sou um cinéfilo e informações desse tipo são relevantes para mim.
    Hoje fiquei sabendo que o remake de “Evil Dead”, lançado este ano, foi rodado com a Sony F65. E encontrei a desculpa perfeita para escrevê-lo. Minha experiência no cinema com este filme foi em película 35mm, uma vez que o circuito comercial daqui privilegia os lançamentos com maior potencial de lucro em salas mais caras, como é o caso da “Macro XE” (que, por sinal, vende o ingresso mais caro da cidade).
    Fico imaginando a qualidade de um filme como este em uma sala com especificações apropriadas e compatíveis com a qualidade de imagem do filme e a repercussão (ou não) do público. Gostaria de ter essa sorte por aqui, mas ainda estamos longe.

    Mais uma vez: obrigado!

    • Rodrigo, pelo que pesquisei, Macro XE não significa automaticamente 4K. Quando os projetores são 4K eles geralmente especificam como “Macro XE 4K”.
      Se você conseguir assistir um filme 4K de verdade em uma dessas salas (a grande maioria dos filmes é em 2K, independente de terem sido rodados em película ou 4K, e são projetados em 2K mesmo que o projetor seja 4K), para poder perceber a diferença de resolução você terá que sentar nas primeiras fileiras do cinema. A própria Sony, fabricante de projetores 4K, menciona isso em sua literatura sobre os projetores 4K.

      Infelizmente, como você menciona, muitos estão usando o 4K só para cobrar mais caro (por causa do fator novidade), mesmo que o material projetado não seja em 4K verdadeiros. E o público normalmente não fica sabendo da diferença. Claro que as salas Macro XE são de um nível excelente e, só por isso, já valem o preço diferenciado do ingresso – ainda mais para os cinéfilos. Mas o fato dos projetores serem 4K não significa, automaticamente, que você assistirá um material 100% 4K. Assistir um material em 2K projetado em 4K é como assistir um DVD tradicional em uma TV Full HD. Há uma diferença bem grande entre um DVD e um Bluray. A projeção de um material em 2K em um bom projetor 2K e em um projetor 4K não fará diferença alguma para o espectador, principalmente para os que não estiverem nas primeiras fileira de cadeiras.

      Mas existe uma modalidade de projeção que, embora tenha o material original em 2K, se beneficia dos projetores 4K que são os filmes em 3D. Com o processamento adequado, a resolução maior do projetor é utilizada para compensar a perda de resolução do processo de projeção em 3D.

      • Isso esclarece muita coisa pra mim. As melhores imagens, quando vou nesta sala, são os filmes projetados em 3D. E, curiosamente, vários deles são rodados com a “RED Epic” (ex: “Prometheus”, “O Espetacular Homem Aranha”, “O Hobbit” e “Círculo de Fogo”). Começo a desconfiar que os bluckbuster’s filmados em RED não se arriscariam tanto em filmes 2D.
        Quanto ao fato de sentar-se nas primeiras fileiras, descobri essa vantagem por acaso quando peguei uma sessão superlotada do filme “Skyfall”, que, por sua vez, foi rodado com a “ARRI Alexa” (e com a RED, pelo diretor de 2ª unidade). Desde então pude sentir a diferença e quando vou lá eu já procuro logo as primeiras fileiras.

  9. Sou estudante de Produção Multimídia e pesquisando sobre câmeras profissionais de cinema, encontrei este blog de conteúdo de alto nível e esclarecedor. Ficou bem mais claro em minha mente o significado de 4K. Parabéns, vou visitar sempre.

  10. Olá Paulo, sou estreante no seu site, trabalho com eventos sociais com Canon HDSLR ( 5D MKIII ), e entusiasta e admirador do mundo cinema. Adorei a matéria sobre 4K mesmo que já tenha um bom tempo de publicação. Gostaria de aproveitar o assunto, ainda em tempo eu espero, para esclarecer uma dúvida: A canon e outras fabricantes, lançaram no mercado lentes de cinema digital para uso em 4K, eu sempre pensei que a resolução fosse “comandada” pela câmera, e não pelas lentes, é isso mesmo, eu gostaria de entender mais sobre isso, e se sim, uma lente dessas em uma HDSLR teria um efeito muito melhor do que as CP, por exemplo, ou não?
    Obrigado pela atenção,

    Um abraço.

    • Marcos, infelizmente é mais uma jogada de marketing para tirar dinheiro do consumidor. Uma boa lente fotográfica foi projetada para resolver muito mais do que 4K. Portanto, como você mesmo deduziu, o que faz a diferença é o sensor. Pegue uma lente Zeiss Sonnar 135mm 3.5, com mais de 30 anos de idade, por exemplo, que ela já tinha capacidade de resolver bem mais do que 8K.

  11. Olá Paulo, gostara de agradecer pelo conhecimento que tenho adquirido neste site. Parabéns!
    Eu sou cinegrafista amador e possuo uma Canon T3I. No artigo você fala que imagens Pseudo 4K quando convertidas para 2K acabam com uma qualidade de cores superior, gostaria de saber se esse mesmo raciocínio se aplica nas HDslr’s? No caso, se eu gravar em 1080p, e converter para 720p ou menos, eu terei uma imagem com mais qualidade de cor e luminância? Se for possível, como se daria esse processo de conversão, isto é, eu colocaria um arquivo 1080p na timeline do Premiere e exportaria numa resolução menor? Obrigado pela atenção.
    Rafael

    • Rafael, isso não se aplica à T3i porque o debayering é feito na câmera, antes da gravação. A melhor qualidade da imagem é mesmo em 1080p. Só mesmo com o RAW do Magic Lantern é que o debayering de uma HDSLR Canon pode ser feito fora, no computador. Mas o RAW do Magic Lanterna exige cartões de memória ultra rápidos e caros e gasta-os a uma velocidade assustadora. Daí seu uso em produções normais não é prático.

      • Paulo, é possível fazer o debayering para aumentar a qualidade de arquivos raw em fotografias de DSLR’s? E se for possível em qual software isso seria feito, no adobe camera raw do Photoshop?
        Obrigado.

        • No caso de fotografias em RAW, tanto o Aperture quanto os programas da Adobe utilizam todos os dados do sensor para oferecer a melhor qualidade de imagem possível.

  12. Parabéns pelo artigo… Já li várias vezes. Apesar de ter sido publicado há um tempo, essas informações são atemporais. abraço

  13. E em relação a Red Epic Dragon? A filmagem em 6K RAW dela são 4K genuínos?

    E a Blackmagic Production Camera, os 4K dela são 2K genuínos?

    Excelente artigo, esclarece muitas questões.

    • Gustavo, a RED criou o 6K e o 5K justamente para melhorar a imagem. Daí pode-se dizer que estão chegando aos 4K verdadeiros. Quanto à Blackmagic, a resposta é não, pois o funcionamento é diferente. A Blackmagic Cinema Camera de 2.5K oferece imagem superior.

  14. Olá, muito bom o post. Parabéns Guru!
    Minha dúvida pelo que eu estava procurando ao achar o post era, também relacionada ao 4k sim, mas também pelo tempo que 1 minuto em 4k ele ocupa em um cartão, e qual cartão ideal (no caso dos CF e SD) devo comprar? 16, 32, 64Gb? 800x 1066x Ajudai! rs

    • Isso vai depender muito da câmera. Quanto ao cartão, CF sempre é mais rápido que SD. E, quanto mais rápido, melhor.

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