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Adobe lança aplicativo de storytelling para apresentações em vídeo

A Adobe, que já oferece um conjunto de ferramentas específicas para a pós-produção de vídeo profissional, acaba de entrar num novo nicho de criação de conteúdo em vídeo, idealizado para pessoas sem nenhuma expertise ou conhecimento técnico. Trata-se do Adobe Voice, inicialmente, disponível apenas para iPad.

Anunciado pelo desenvolvedor como um programa de “storytelling”, o Voice foi projetado para contar histórias narradas por voz e ilustradas por fotografias, grafismos e tipografia escrita. Os elementos visuais entram e saem da tela, em sequência, com vários tipos de estilos e efeitos de transição, e você ainda pode adicionar um fundo musical. E o melhor, o aplicativo é totalmente gratuito.

O Voice pode ser considerado uma ferramenta para discursos persuasivos, indicada, por exemplo, para a área da educação e para os chamados profissionais criativos (publicidade e marketing, design, video, TV, cinema, jornalismo, entretenimento). Mas não me espantaria em ver, muito em breve, uma explosão de  vídeos feitos no Voice para o ambiente institucional e corporativo, e até para recados pessoais e mensagens afetivas.

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Pela elegância, simplicidade e intuitividade, as pessoas estão comentando que o Voice tem um jeitão muito mais de programa da Apple do que da Adobe. Só de dar uma primeira olhada no programa, percebe-se que a afirmação faz sentido. E inspirar-se na Apple, convenhamos, nesse caso, não chega a ser um demérito, muito pelo contrário.

Ao criar um projeto, o usuário precisa optar por um dos nove tipos de estrutura narrativa oferecido num menu inicial. Pode ser uma aula, um convite, uma explicação, ou um relato, por exemplo. A partir daí, nos vemos diante uma interface de criação de slides com imagens e gravações de voz. Na parte de baixo existe uma espécie de linha do tempo onde se pode trocar a ordem dos slides.

Cada idéia de narrativa propõe um roteiro genérico completo, com um assunto ou função sugeridos para os seis primeiros slides. O roteiro de um convite, para o primeiro slide, por exemplo, sugere informar quem está organizando o evento; para o segundo slide, sugere descrever o evento; para o terceiro slide, sugere explicar ao seu público porque será bom comparecer ao evento; e assim por diante.

Um slide pode conter uma narração por voz e e três tipos de elementos gráficos: uma ilustração iconográfica, uma fotografia, ou um texto. As ilustrações e fotos podem sair de um imenso banco de stock media da Adobe, royalty free, repleto de material de muito boa qualidade. Mas o usuários também podem usar imagens captadas na hora pela câmera do dispositivo, ou importadas de bibliotecas de fotos contidas no iPad, numa conta de DropBox, na nuvem do Creative Cloud, ou vindas do Facebook.

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Os elementos gráficos são arranjados na tela de cada slide de acordo com um dos cinco layouts diferentes disponíveis. O estilo dos slides também é escolhido a partir de uma biblioteca de temas fornecida pelo programa. Dependendo do tema, mudam a cor de fundo, a tipografia e as formas de transição de um slide para outro. A música de fundo, igualmente, precisa ser escolhida de uma coleção que o programa oferece, mas não é item obrigatório.

O acesso às bibliotecas de imagens necessita de conexão de internet. E quando acabamos de criar um projeto, somos conduzidos para as opções de compartilhamento, que, de um modo ou de outro, utilizam um link do vídeo resultante nos servidores da Adobe. Podemos publicar o link no Facebook, no Twitter, mandar por email, etc, mas não se pode salvar localmente o filme gerado pelo Voice.

Porém, a qualquer momento, mesmo estando offline, podemos assistir uma apresentação na tela do iPad, ou exibida num datashow com um cabo adaptador ou via wifi em dispositivos compatíveis com o AirPlay da Apple. E o resultado, amarrado pelos modelos estéticos fornecidos pelo programa, acaba sempre ganhando uma cara de apresentação profissional.

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Chegou a haver uma discussão pela web, questionando se a Adobe, em seu termo de licença para usar o Voice, permitiria o uso para fins comerciais. Mas, segundo apuração do site da CNET, o porta-voz da Adobe, Alex Dewey, garantiu que a Adobe não proíbe o uso do Voice para  fazer negócios, pelo contrário, espera que ele seja bastante usado para esse objetivo, e que vai até alterar o termo de licença para esclarecer isso.

De limitação mesmo, fica mais a impossibilidade de salvar o vídeo criado para ser usado fora do iPad, postado no YouTube, etc. Mas, e como a Adobe lucra com o programa? Aparentemente, o programa ajuda a promover e fidelizar o vinculo obrigatório com o Creative Cloud (é preciso estar inscrito e ter uma identificação) e sua nuvem, incluindo seu novo sistema de distribuição de vídeo.  Imagino que talvez também possa haver, no futuro, pacotes pagos de recursos adicionais.

Como foi dito, por enquanto, o Voice roda apenas em iPad, mas a Adobe afirma que a expansão para outras plataformas, leia-se Android, está nos planos. Para baixar o programa gratuitamente, basta acessar a loja AppStore a partir de uma conta no iTunes no seu computador ou diretamente no seu iPad. Você pode saber mais sobre o Voice acessando a página do aplicativo no site da Adobe.

 

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