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AJA lança câmera de cinema digital para competir com a Blackmagic

A AJA, uma competidora tradicional da Blackmagic no mercado de placas de vídeo, lança a CION – uma câmera de cinema digital que veio para destronar as câmeras da Blackmagic.  Só que chegou um pouco tarde demais.

Não que a câmera não tenha seus méritos. Muito pelo contrário. Mas tudo leva a crer que a empresa não esperava que a concorrente lançasse a Blackmagic URSA também nessa NAB 2014. E as duas são extremamente parecidas, só que a câmera da Blackmagic custa 3 mil dólares menos.

Existia uma demanda grande para câmeras com formato tradicional e a AJA enxergou a oportunidade de lançar uma para abocanhar uma fatia do mercado de câmeras de cinema digital de médio para alto orçamento. Custando US$ 8.995,00,  a câmera certamente seria uma alternativa muito mais atraente do que a Canon C300, que custa cerca de US$ 13.999,00 e tem especificações bem inferiores. No entanto, a Blackmagic acabou tirando um pouco do brilho desse lançamento ao anunciar a URSA. Mesmo assim, a CION é uma câmera a ser considerada com carinho pois cada uma tem suas vantagens e desvantagens.

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Um item muito interessante é que, quase que certamente, as duas câmeras usam o mesmo sensor. Esse fato foi praticamente confirmado por um jornalista que entrevistou um representante da AJA no estande da NAB. Pode-se observar que as características técnicas são idênticas, inclusive a latitude. O sensor é fornecido por uma firma especializada, assim como para a Blackmagic, e a AJA confirmou que os problemas que a “outra empresa” que usa o sensor sofreu, no início, já foram resolvidos. Quer dizer, o mesmo sensor que equipa a Blacmagic Production Camera 4K e a URSA é provavelmente o mesmo que equipa a CION.

O que é interessante nessa nova câmera, além da excelente reputação de qualidade que a AJA tem com suas placas de vídeo, é o fator ergonômico e o peso. Ela é bem mais leve que a URSA e parece ser mais prática e confortável para uso no ombro. Mas as duas câmeras têm outras diferenças. A CION só oferece o bocal PL para lentes, o que reduz muito seu mercado e encarece bastante as produções, já que um jogo de lentes PL, ou até uma simples Zoom, custa muito caro. Pode ser que surjam adaptadores para outros bocais feitos por terceiros mas, no momento, as lentes PL são a única opção enquanto que a URSA permite o uso de lentes EF e PL, e até B4, antes do final do ano.

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Outro ponto em que a CION fica atrás da URSA é na filmagem em RAW. A câmera da AJA não grava em RAW internamente e a única maneira de se filmar em RAW seria através dos conectores Thunderbolt ou SDI, utilizando um gravador externo que dê suporte ao formato proprietário AJA Raw. Só que, no momento, não tenho conhecimento de nenhum gravador que ofereça essa possibilidade. E resta, também, ver se esse formato RAW da AJA vai ser amplamente aceito no mercado, se vai precisar de hardware especial para fazer o debayering em tempo real (como o RAW da RED) e se vai ocupar muito espaço de armazenamento. Aparentemente será necessário ter um AJA Corvid Ultra de US$ 7.995,00 para poder fazer a reprodução do AJA RAW 4K em tempo real. Enquanto isso, o RAW Cinema DNG da Blackmagic é padrão e roda em tempo real sem nenhum hardware adicional.

Vale acrescentar que os 120 quadros por segundo que a AJA anuncia para a câmera só serão possíveis através de um gravador externo e no formato RAW. Internamente a câmera grava em até 60 quadros por segundo.

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Outro ponto a ser levado em consideração é que a Blackmagic URSA permite a troca do sensor e do bocal da lente pelo usuário, enquanto que a CION não permite nenhum dos dois. Creio que, quando a AJA começou a desenhar a câmera, não contava que a competição poderia oferecer essa opção.

Ainda quanto ao custo e recursos, embora a CION apareça em certas fotos com um viewfinder eletrônico, esse é um item opcional que não vem com a câmera. A URSA, por outro lado, vem com um magnífico monitor de 10 polegadas incluído no preço, assim como conectores para tubos de apoio a lentes e follow focus que, na câmera da AJA, são vendidos como opcionais.

Levando em conta esses e outros fatores, fica claro que a AJA teria um efeito surpresa bem maior se a Blackmagic não tivesse anunciado a URSA. Só que a AJA é que foi pega de surpresa e, como usa o mesmo sensor e provavelmente terá uma qualidade de imagem parecida, acabou se tornando uma opção bem mais cara mesmo antes de nascer. No entanto, ainda existem alguns pontos na CION que a tornam uma opção atraente. A gravação em Apple ProRes 4444 12 bits é um deles. O aproveitamento de toda a área do sensor para oferecer 4K (4096×2160) e Ultra HD (3840×2160) também é interessante. Se bem que a diferença do Ultra HD das câmeras 4K da Blackmagic é de apenas 256 pixels – algo que provavelmente passará totalmente desapercebido com um pequeno upscale, assim como ocorre quando se vai de 1080p para 2K.

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De qualquer maneira, aplaudimos de pé a iniciativa da AJA, uma empresa pela qual temos o maior respeito, e torcemos para que eles revisem seus preços antes da entrega prometida para o verão americano deste ano. O desenho da câmera é muito bonito e prático, e ela certamente entregará uma imagem da mais alta qualidade (levando em consideração a qualidade das placas de vídeo da empresa). Claro que vamos ter que esperar até que apareçam imagens definitivas dela e que a câmera entre em produção para poder fazer uma avaliação final. Como é a primeira câmera da empresa, é bem provável que surjam alguns problemas, assim como surgiram com os competidores. Mas estamos torcendo para que tudo corra bem e que tenhamos mais uma opção de qualidade entre as câmeras de cinema digital.

ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS

  • Sensor: CMOS 4K tamanho APS-C com obturados global e 12 stops de latitude
  • Formatos de Gravação e Resolução: Apple ProRes 4444, Apple ProRes 422 (HQ), Apple ProRes 422, ProRes 422 (LT) e  Apple ProRes (Proxy); 4K (4096×2160), Ultra HD (3840×2160), 2K (2048×1080) e HD (1920×1080). 2K e HD são obtidos por redução eletrônica da imagem obtida do sensor 4K inteiro para manter a qualidade e o campo de visão
  • Mídia de Gravação: AJA Pak SSD Media disponível em 256GB e 512GB. Transferência por Thunderbolt ou USB3 com o AJA Pak Dock (opcional)
  • Suporte para Raw: Saída AJA Raw por 3G-SDI até 4K 120 fps ou por Thunderbolt até 4K 30 fps
  • Lentes: PL mount
  • Conectores: 4 saídas 3G-SDI/HD-SDI  (4K/Ultra HD/2K/HD); 2 saídas para monitor com overlay 3G/HD-SDI; 1 saída HDMI oferecendo suporte para 4K e Ultra HD ou reduzida para 2K/HD; 1 saída HDMI  2K/HD; 2 entradas de áudio analógicas mic/linha/48v XLR; 2 entradas de controle LANC; 1 entrada de time code LTC; 1 entrada de SYNC; 1 conector USB; 1 entrada de rede 10/100/1000 Ethernet LAN; 1 conector para fone de ouvidos Mini TRS; 1 entrada de força de 4 pinos XLR; 1 entrada de força para adaptadores de bateria de terceiros; 1 saída de força; 1 conector Thunderbolt
  • Filtros Óticos Low Pass Filter e IR: Reduzem, respectivamente, o moiré e a entrada indesejada de luz infravermelha no sensor
  • Ajuste de Back Focus : Permite ajustar a distância da parte traseira da lente ao sensor para garantir a maior nitidez possível
  • Interface com o Usuário: Pelo display lateral e botões ou via conexão de rede LAN utilizando um navegador web, sem necessidade de software adicional

Para maiores informações sobre a CION, clique aqui.

 

 

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1 comentário Nesse post
  1. Olá,

    Creio que o gravador externo seja o AJA Ki Pro Quad que foi anunciado a quase 2 anos para trabalhar junto com a Canon C500.

    No que andei lendo e percebendo nos fóruns que visito, há a meu ver, dois públicos distintos, e creio que seja esse um possível caminho e um nicho para a CION. Do que andei percebendo a CION parece desperta maior interesse e destaque nos fóruns de cinematografia onde o Prores 4444 é visto como a cereja do bolo e a montagem PL uma vantagem, exatamente por não necessitar de adaptadores. Além de que a gravação RAW não é amplamente utilizado profissionalmente, e para grande maioria das situações, é até mesmo desnecessário.

    Ainda espero uma confirmação sobre o sensor ser o mesmo que o da Blackmagic, pois ele me decepciona bastante por ter que usar ISO 400 para obter toda a gama dinâmica. Possuo a pocket com uma zoom angenieux de f/2.3, e por mais agradável que o ruído das câmeras Blackmagic seja, o isso 800 as vezes não me é suficiente.

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