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ARRI lança revolucionária câmera de cinema digital 65mm

Sempre à frente no cinema digital, a ARRI lança uma câmera com sensor maior que o de um negativo de cinema 65mm – o maior sensor de cinema digital do mundo até o momento. A ARRI Alexa 65 é mais uma prova de que a tradicional fabricante alemã de câmeras de cinema está mais focada na qualidade do que em modismos e marketing.

Cerca de 25 anos atrás a Arriflex 765, uma câmera de película que utilizava negativo 65mm, era usada pela primeira vez nas filmagens de O Pequeno Buda. O formato 65mm era mais conhecido como 70mm, pois as cópias de projeção em película eram mais largas (70mm) para acomodar as pistas magnéticas de som multicanal. A qualidade era algo fantástico e, quem teve a sorte de assistir uma boa projeção em 70mm, pode considerar-se um privilegiado.

ARRI-765Arriflex 765 – 65mm em película.

O formato foi utilizado em mega produções clássicas como Ben Hur, 2001 Uma Odisséia no Espaço, Lawrence da Arábia, Oklahoma, A Volta ao Mundo em 80 Dias, West Side Story, A Noviça Rebelde, Grand Prix, e vários outros. Consistia em um negativo com 65mm de largura  para obter uma área de captação bem maior do que a de um negativo Super 35mm. Além de exigir câmeras especiais, também exigia projetores  dedicados ao formato. A grande barreira para o formato, consequentemente, era seu alto custo pois tudo era bem mais caro.

O formato 65mm também era utilizado na produção de filmes IMAX, sendo que o negativo rodava horizontalmente na câmera (e também era projetado assim) para obter uma área de captação ainda maior. Só que gastava-se ainda mais negativo e o custo era enorme. A IMAX chegou a experimentar rodar e projetar nesse formato a 120 quadros por segundo e, de acordo com os engenheiros, era a imagem mais realista que eles já viram. No entanto, essa experiência não saiu dos laboratórios pois gastava-se 5 vezes mais negativo que o já caro formato IMAX e ninguém aguentou bancar uma produção desse tipo.

Se antigamente o custo do negativo tornou o formato um verdadeiro luxo para poucos, a versão digital do formato que a ARRI acaba de lançar promete acabar com pelo menos parte desse problema. Com o armazenamento digital reaproveitável, o custo fica mesmo com o aluguel do equipamento e a quantidade maior de armazenamento e processamento.

Alexa65FrenteARRI Alexa 65

Aluguel? Isso mesmo. A nova Alexa 65 não está à venda. Só está disponível para aluguel, pois trata-se de uma câmera de uso muito limitado, para projetos especiais. É como o modelo adotado pela Panavision, onde o usuário final não pode ser dono das câmeras. Faz todo sentido para um câmera deste porte, pois além de sair muito cara caso fosse oferecida à venda, a ARRI cuida de todo o suporte e manutenção. Inclusive fornece um técnico especializado para acompanhar as filmagens. A câmera está disponível para aluguel em qualquer lugar do mundo.  Basta entrar em contato com a ARRI através deste email: ALEXA65@arrirental.com

A engenharia por trás dessa câmera revolucionária é fantástica, tipicamente alemã. A ergonomia é muito semelhante à das Alexa Super 35mm, com toda a robustez e confiabilidade associadas à melhor câmera de cinema digital do mercado. Mas o coração dela é, sem dúvida, o enorme sensor. A tabela abaixo demonstra a diferença de tamanho entre alguns dos sensores e formatos mais populares do mercado.

SensorARRI65

Como podemos ver, ela engole qualquer sensor de cinema digital, fazendo o sensor da RED Dragon parecer de brinquedo. O da Sony F65, então, nem se fala. Comparado com o sensor Full Frame de uma HDSLR, que já era considerado enorme, ele parece um gigante.

Como sabemos, o tamanho do sensor influencia vários aspectos da fotografia. O mais notável por qualquer um é a profundidade de campo. Com esse sensor a ARRI 65 possibilita um controle de distância focal absurdo, obtendo total separação entre o objeto principal e o fundo. Seguindo a tendência (muito bem sucedida, por sinal) da ARRI de separar qualidade de imagem de resolução, o sensor da nova Alexa tem cerca de 6.5K, oferecendo resultados melhores do que os de sensores 8K de outros fabricantes.

TabelaCamerasARRI65

A Alexa XT, com sensor de aproximadamente 3.4K já provou que dá um banho de qualidade e definição em muitas câmeras 4K. Isso porque a ARRI se preocupa mais em obter mais qualidade real do que números. Assim como os modelos menores, a ALEXA 64 oferece mais de 14 stops de latitude real sem precisar recorrer a “jeitinhos” como HDR. E a câmera utiliza vários acessórios de suas irmãs menores para facilitar o fluxo de trabalho em um set de cinema.

O formato de captação, no momento, é o ARRIRAW – já comprovado e compatível com os sistemas mais populares de edição e finalização. O tempo de armazenamento em 480GB é de 11 minutos a 24 quadros por segundo. O peso da câmera é bem razoável pelo formato gigante de imagem que oferece: 10.5 Kg. E o bocal utilizado é o ARRI XPL (64mm de diâmetro), desenvolvido para cobrir o enorme sensor e compatível com o bocal Maxi PL mediante adaptador.

 A65Sensor
Detalhe do novo sensor 65mm da ARRI.

A velocidade de gravação usando o sensor inteiro varia de 20 a 27 quadros por segundo, sendo que ele é capaz de até 60 quadros por segundo. Um upgrade para habilitar velocidades maiores está programado para o primeiro trimestre de 2015.

Como o sensor é enorme, a ARRI criou um novo jogo de lentes baseado nas lentes HC para a câmera still de formato grande Hasselblad H5D. Apenas o conjunto ótico é aproveitado e todo o resto foi projetado para o uso em cinema. O foco, inclusive, é comparável ao das Master Primes. Abaixo, a tabela com as novas lentes e uma foto do conjunto.

A65LentesNovas

A65LentesNovasFoto

Seria um crime, porém, ignorar as fantásticas lentes vintage da Arriflex 765. Por isso a ARRI atualizou o jogo de lentes desta câmera para uso na Alexa 65. Assim, o diretor de fotografia tem à sua disposição duas famílias de lentes distintas, o que lhe dá maior versatilidade na busca de um determinado look. Abaixo, a tabela das lentes vintage junto com uma foto.

A65TabelaLentesAntigas

65PrimesAntigas

 

Nada disso faria sentido se a ARRI não mantivesse a mesma tecnologia da ALEXA Super 35mm na nova câmera. Portanto, as duas câmeras formam imagens praticamente idênticas em termos de colorimetria, latitude e textura. Embora o uso da ARRI 65 seja bem restrito, é importante manter  a compatibilidade caso seja necessário utilizar imagens das duas câmeras em um mesmo projeto.

O que vem à mente, imediatamente, quando se considera uma câmera como essa é a dificuldade no tratamento de um volume de dados tão grande gerado pelo sensor gigantesco. Segundo a ARRI, como o formato ARRIRAW é o mesmo já existente, o problema é solucionado simplesmente com a adição de sistemas de armazenamento mais rápidos e maiores. Obviamente, os projetos filmados com essa câmera terão orçamento suficiente para tal.

Alexa65-OutroLadoO outro lado da ARRI 65

Quanto aos possíveis clientes imediatos, a ARRI espera projetos mais sofisticados como filmes IMAX, filmagens de efeitos especiais complexos e peças publicitárias de alto orçamento. Quanto à projeção digital em 65mm, será necessária a reavaliação do padrão DCI atual, já que o grande gargalo é o codec JPEG 2000 e seu fluxo de dados limitado. Fluxo este, inclusive, criado apenas para projeção em 2K. O que anula qualquer vantagem em pequenos detalhes que os 4K pudessem oferecer.

O desenvolvimento da ARRI 65 não é apenas uma grande conquista da engenharia cinematográfica. É também a consolidação do final da película tradicional, já que a definição da imagem digital e sua latitude não são mais problema.

A ARRI foi fundada em 1917 e, em breve, completará 100 anos de serviços prestados ao cinema mundial. Sua vasta experiência e sua vontade de continuar inovando fazem com que a empresa permaneça na vanguarda e ofereça a seus usuários o que existe de melhor em termos de qualidade de imagem. Nossos parabéns a esta querida empresa que tornou e torna possível a realização de tantos sonhos em nossa indústria.

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1 comentário Nesse post
  1. simples,quanto menos amarrado a câmera tiver mais criativo e solto estaremos.

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