Home Notícias Câmera Canon sacode novamente o mercado com dois lançamentos simultâneos

Canon sacode novamente o mercado com dois lançamentos simultâneos

A gigante japonesa que revolucionou o mercado com suas HDSLRs não dá mesmo chance para a competição reagir. Mal acaba de lançar a 5D Mark III e a C300, em uma jogada verdadeiramente surpreendente anuncia duas novas câmeras de dar água na boca de muita gente.

E pensar que as novas Nikon tinham alguma chance. Desta vez, nem a RED escapou das investidas da Canon, que pelo jeito tem tudo para dominar o mercado da cinematografia digital de baixo custo do mesmo modo que a Sony dominou o mercado de vídeo digital nos anos 90.

Para começar, uma câmera com o formato HDSLR tão popular hoje em dia por seu tamanho compacto e prático. A EOS 1D C é o mais novo membro da linha Cinema EOS. Para aqueles que pensam que é apenas um pequeno upgrade em relação à recém lançada 5D Mk III, vale a pena ver as especificações desta belezinha.

A EOS 1D C é um câmera HDSLR de alta resolução,  4K, otimizada para gravação de vídeo. Isso mesmo, 4K (4.096 x 2160) com gravação em 4:2:2 diretamente para cartões CF. A compressão é Motion JPEG 8 bits e a sensibilidade ISO vai até 25.600. E olha o que tantos esperavam: – saída HDMI Full HD, 4:2:2, totalmente limpa para uso de gravadores externos.

Além disso, o novo sonho de consumo da Canon utiliza o mesmo  Gamma Log Canon que a C300, oferecendo algo semelhante ao RED RAW e ao Log C da Arri Alexa. Claro que não podia faltar suporte para 24p durante filmagens em 4K, além de 24, 25, 30, 50 e 60p em Full HD (1920x1080p). O sensor é full frame com suporte para crop (APS-H, Super 35mm).

A 1D C pode utilizar as novas lentes de cinema projetadas para a a C300, como pode ser visto na foto acima, além das tradicionais lente EF. Dá pra ver que é uma câmera séria, destinada a profissionais sérios, com um preço estimado um pouco salgado para uma HDSLR normal, mas em conta quando comparado com a competição: cerca de US$ 15.000,00.

O arquivo de 4K da 1D C pode ser carregado diretamente em sistemas de color grading e edição que suportam o formato Motion JPEG, e as gravações alternativas HD (H.264) em cartões CF, como nos modelos anteriores da Canon, também podem ser utilizadas diretamente.

Bem, nós falamos em dois lançamentos da Canon… Com vocês, a irmã “bombada” da C300: a C500! Que basicamente não passa de uma C300 que filma em 4K. Essa já deve fugir um pouco do orçamento dos produtores independentes, pois apesar de não ter seu preço anunciado ainda, já andam especulando que seja na faixa de 25 a 30 mil dólares.

A C500 parece ser a câmera que muitos pensaram que a C300 seria, com saídas limpas em RAW, sem compressão, em 10-bits via SDI. Coisa pra gente grande! As imagens 4K podem ser gravadas de 1 a 60 quadros por segundo e pode-se gravar, simultaneamente, arquivos  proxy em 50Mbps para um cartão CF.

Existem algumas limitações, como sempre – você pode obter RGB 12-bits 4:4:4 apenas com saída em 2K. Mas se você mudar a saída 2K para 10-bits 4:2:2, você pode obter até 120 FPS em slow-motion. Ela também tem duas saídas de monitor: para on-board e  monitoramento externo no set (principalmente para o diretor).

A Canon vai exibir um protótipo da EOS C500 com mount PL na feira NAB 2012, no estande C4325, no Las Vegas Convention Center, de 16 a 19 de abril. Se voce vai estar por lá, não deixe de dar uma olhada. Ao contrário da 1D C, que será posta à venda em outubro, a C500 não tem data anunciada para entrar no mercado – embora a Canon insinue que será ainda este ano.

Por que a Canon lançou a C300 e agora a C500 em 4K? Por que não ter só a C500, seguindo a linha de pensamento da RED de que quanto mais “K”s, melhor? A resposta completa você poderá ler no nosso artigo entilulado “8K, 5K, 4K, 3K, 2K, 1080p – O jogo dos números”, que será publicado em breve. Mas podemos adiantar que a Canon afirma que esta câmera destina-se principalmente ao mercado de filmes de alto (altíssimo para os padrões brasileiros) orçamento, repletos de efeitos especiais.

Gostou do artigo ?

Inscreva-se em nossa Newsletter para receber as atualizações do VideoGuru.

Autor
Paulo trabalhou na Rede Globo de Televisão como roteirista, diretor e editor e também escreveu sete longa metragens do grupo Os Trapalhões. Em 1991, abriu uma produtora nos EUA, onde conquistou vários clientes importantes, recebeu diversos prêmios e escreveu centenas de artigos como editor contribuinte para algumas das mais importantes publicações profissionais americanas e internacionais. Hoje Paulo trabalha como colorista para TV e cinema, com clientes no Brasil, Estados Unidos e Europa.
Artigos relacionados
0 7058

A O2 Filmes está utilizando várias Blackmagic Pocket Cinema Cameras (BMPCC) como câmeras principais nas gravações da nova comédia de sucesso da GNT, “Lili, a Ex”. A carga do conteúdo no set foi feita pela White Gorilla e toda a...
2 5536

Faz poucos dias que a Blackmagic lançou mais um firmware para suas Cinema Camera 2.5K (BMCC) e Pocket Cinema Camera (BMPCC). Esse firmware 1.9.7 adiciona a funcionalidade de poder formatar os cartões de memória nas próprias câmeras sem precisar...
6 comentários Nesse post
  1. Paulo, Boa Tarde!!

    Nunca loguei nessa câmera da Canon, C300 e tenho dúvidas, pode ajudar por favor? Os vídeos já vem como .mov (igual 5D) ou tenho que converter com algum programa ? Caso sim, pode ser feito pelo Final Cut 7?
    Obrigado e vcs me ajudam mto!!

    • Almeida, você pode fazer a ingestão direto pelo Final Cut. Mas, para isso, precisa baixar o seguinte programa da Canon: XF Plugin for Final Cut Pro. Você encontra ele aqui:

      http://software.canon-europe.com/software/0040354.asp

      Um detalhe importante: para o Final Cut reconhecer os arquivos, você tem que preservar toda a estrutura original do cartão de memória da C300. Se importar só os vídeos sem as outras pastas, nada feito.

      Depois de instalado o plugin, basta usar o Log and Transfer para fazer o Log, do mesmo jeito que se faz com material da 5D.

    • RAW é a imagem direta do sensor e todo o processamento tem que ser feito no computador. Se por um lado isso dá mais versatilidade, por outro dá mais muito mais trabalho e exige um computador bem mais parrudo. Sem contar que os arquivos são muito maiores. Porém, dá pra ajustar a temperatura de cor na pós e outras coisinhas a mais. RAW torna uma pós elaborada obrigatória. Não é só filmar, editar e pronto. O Canon Log é uma maneira de comprimir os tons de cinza em uma imagem para aumentar a faixa dinâmica. A curva de gamma é alterada para isso. Na pós, você aplica uma curva inversa ou uma LUT e a imagem fica normal, teoricamente com um pouco mais de latitude. A desvantagem em relação ao RAW é não poder mexer na imagem direta do sensor, sem processamento. As vantagens são tamanho reduzido do arquivo, facilidade de editar o material diretamente sem ter que processá-lo antes, resultando em maior rapidez e menos trabalho na pós.
      Como a câmera tem uma latitude elevada e o sinal é bem limpo, o Canon Log dá muita liberdade na pós possibilitando ajustes de imagem bem radicais. Vale mencionar que a maioria do material filmado na ARRI Alexa não é em RAW, mas sim em Log.

Deixa seu comentário

GALERIA

1 5015

A interação entre ação viva e animação tem sido explorada ao longo da história do cinema, com muitos exemplos dos estúdios Disney e o inesquecível "Uma Cilada para Roger Rabbit", dirigido por Robert Zemeckis. O resultado, em geral, é estimulante. Pensando bem, a idéia...
8 5472

Esse vídeo fantástico, feito na Rússia para o lançamento de um projeto imobiliário, foge totalmente dos padrões tradicionais e utiliza a fantasia, com imagens incríveis, no lugar do uso tradicional de plantas e animações dos prédios em computação gráfica....
1 6124

Há algum tempo, publicamos um post com um vídeo do editor Piu Gomes, criado para responder a essa pergunta essencial para quem quer entender a linguagem audiovisual: o que é montagem? Também publicamos, há mais tempo ainda, outro post chamado...