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Como se tornar um bom colorista

A profissão de colorista é uma das mais complexas da área de pós-produção. Um bom colorista deve ter amplos conhecimentos técnicos e artísticos, além de um olhar privilegiado.

Embora as ferramentas estejam cada vez mais acessíveis, a profissão de colorista exige que a pessoa use igualmente os dois lados do cérebro. Não basta apenas aprender a operar um programa. O bom colorista é um verdadeiro artista.

Quem quer começar nesta profissão encontra diversos obstáculos. Em primeiro lugar, é dificílimo encontrar bom treinamento profissional. Afinal, existem pouquíssimos bons profissionais no mercado e, a maioria deles, vive com a agenda cheia.

Em segundo lugar, ser um bom colorista depende de talento nato. É como aprender a dirigir. Quase qualquer um pode. Mas tornar-se um exímio piloto de competição é para poucos.

Então, por onde começar? Eu recomendo a leitura de um bom livro. Aliás, também existem poucos no mercado. Se o futuro editor tem à sua disposição dezenas de ótimos livros, o colorista tem menos de 10, contando os que discutem somente cor e não programas nem técnicas.

O principal livro que recomendo, e que deve ser o primeiro a ser lido, é o The Color Correction Handbook: Professional Techniques for Video and Cinema, do Alexis Van Hurkman. Outro livro muito bom é o The Art and Technique of Digital Color Correction, do Steve Hullfish.

Os dois livros tratam dos fundamentos da correção de cor e color grading e não são específicos para nenhum programa, o que é muito importante.

Também é muito importante aprender bem a parte de engenharia de vídeo da profissão, pois o colorista geralmente é o último a mexer nas imagens e precisa ter um conhecimento técnico muito forte para que seu material esteja dentro dos diversos padrões existentes e seja aceito, sem problemas, pelas redes de TV e distribuidoras de cinema.

Quanto ao software, recomendo aprender os que são mais usados no meio profissional. Um bom exemplo é o DaVinci Resolve, pois é um dos melhores programas de correção de cores, no geral, e você pode baixar de graça a versão Lite no site da Blackmagic Design. Existem muitos tutoriais específicos para ele na internet, o que ajuda no aprendizado.

Avatar é um dos inúmeros filmes de Hollywood coloridos no DaVinci Resolve

O Color, da Apple, também é excelente e é provável que você já tenha ele, sendo editor. Ele roda em uma máquina bem menos sofisticada que o Resolve e pode ser uma boa alternativa para começar. O Resolve Lite, embora gratuito, exige uma máquina bem parrudinha para poder rodar com todos os recursos.

Já a parte de color grading é a mais complicada pois, para se tornar um bom colorista, você vai precisar de pelo menos duas coisas: um excelente conhecimento sobre cores em geral, tanto na teoria quanto na prática, e um bom olho.

Este último é uma coisa que ou você tem, ou não tem. Não adianta ler todos os livros do mundo, fazer cursos, estudar a teoria das cores e adquirir uma vasta cultura cinematográfica se você não tiver um bom olho para a coisa. É um talento nato, como a música ou artes plásticas – ou você tem o dom ou não.

Um bom livro para começar a entender como as cores influem no nosso psicológico (no cinema) é o If It’s Purple, Someone’s Going to Die – The Power of Color in Visual Storytelling, da Patti Bellatoni. Outro livro excelente é o Visions and Art: The Biology of Seeing, da Margaret Livingstone.

Infelizmente, a maioria dos livros está disponível somente em inglês. Portanto, um conhecimento razoável desta língua é muito importante.

Você também deve estudar a teoria das cores do ponto de vista das artes plásticas, pois esse conhecimento é extremamente importante na formação de um bom colorista. Um bom curso de pintura lhe ensinará como misturar cores e criar imagens harmoniosas e de bom gosto.

Os grandes pintores foram, de certa forma, os primeiros coloristas

Apesar de ter tido inúmeras aulas sobre cores na faculdade e em cursos diversos, aprender os fundamentos da pintura à óleo com a maravilhosa mestra e artista plástica Erna Antunes mudou profundamente minha vida. Se você deseja realmente levar essa profissão a sério, procure uma boa aula prática de pintura.

Um bom curso de fotografia também ajuda muito, pois você aprenderá sobre temperaturas de cor, exposição adequada, etc. Conhecer os filtros fotográficos (e cinematográficos) é importante, pois frequentemente você terá que recriá-los para melhorar imagens.

A cultura cinematográfica é outro elemento importante para a formação de um bom profissional. Observar o uso de cores em todos os gêneros de filmes e entender os diversos “looks” é essencial para que você possa atender a pedidos de clientes como “gostaria de uma textura de filmes nacionais dos anos 70” ou “quero que a imagem seja bem Technicolor”. Sem contar as referências específicas como Amelie ou Salvando o Soldado Ryan. Portanto, assista o maior número de filmes possível, de todos os gêneros.

O sofisticado trabalho de cor em Amelie criou um enorme diferencial para o filme

Também acho muito importante estudar as obras dos grandes mestres da pintura. Como colorista, você frequentemente terá que re-iluminar cenas digitalmente. E ninguém melhor para lhe ensinar sobre iluminação do que mestres como Rembrandt e Vermeer. Além de iluminação, você aprenderá bastante sobre o uso equilibrado de cores.

Bem, essa é a parte do conhecimento. A do equipamento também é extremamente importante. De nada adianta ser um bom colorista se você não tem acesso aos equipamentos necessários como um computador adequando e monitores de referência calibrados. Nada pior que acertar as cores de um vídeo ou filme para depois descobrir que as imagens estão totalmente diferentes quando exibidas em seu veículo final.

Embora a maioria dos programas permita que o colorista trabalhe utilizando apenas o teclado e o mouse, um bom painel de controle é quase essencial. Além de colocar todos os controles à disposição em um só lugar, permite que se faça diversos ajustes simultaneamente, acelerando muito o processo de trabalho.

Painel de controle Wave, da firma inglesa Tangent Devices

Como você pode ver, ser um bom colorista não é nem um pouco fácil. É por isso que existem poucos bons profissionais no mercado e que seus salários são bem atraentes. Mexer nos níveis e cores da imagem, sem critérios, geralmente causa mais danos ao material do que melhorias. E, com a proliferação de programas “enlatados” como o Magic Bullet Looks, vemos muito material modificado sem nenhuma racionalidade, com resultados desastrosos.

Ser um bom colorista envolve uma rara mistura de amplos conhecimentos técnicos e artísticos, além de um bom olho e muito bom gosto. É uma profissão que também exige aprendizado constante, pois a tecnologia muda a cada dia.

E também existe a responsabilidade enorme de modificar as imagens de todo um trabalho anterior, já que geralmente somos os últimos a mexer nas imagens de um projeto.

Mas, apesar de ser uma profissão exigente em muitos sentidos, é uma profissão bastante gratificante e valiosa, pois do colorista depende a imagem final de qualquer bom filme, comercial, série de TV ou qualquer outro veículo que precise de imagens de qualidade.

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56 comentários Nesse post
  1. Os artigos melhoram a cada dia. Continuem com esse excelente trabalho. Que tal vcs lançarem um bom livro (ebook) sobre técnicas e dicas de colorista?

    • Obrigado, Marcelo. Este ano está nos nossos planos oferecer alguns seminários, incluindo técnicas de correção de cor e grading.

  2. Trabalho com edição a muito tempo (12 anos) mas sempre na área social (o que para mim é um porre) sempre tentei alterei as cores dos videos mas o máximo que eu faço é mexer na saturação white balance e contraste, hj em dia na empresa que eu trabalho eles usam câmeras que gravam em HDV, me disseram que esses tipos de arquivos tem pouca latitude cromatica, portanto não da para fazer muita coisa, isso é verdade
    PS: Quanto aos seminarios fiquei muito interessado, um abraço e continuem com o otimo site de vcs

    • Robson, o formato HDV tem realmente uma latitude extremamente limitada. Aliás, tudo é limitado no formato. Mas isso não é um obstáculo para nós, coloristas. Ao converter o material para ProRes 422 e, em seguida, fazer a correção de cores em um programa profissional como o Color ou o DaVinci Resolve, você ganha bastante latitude de volta.

      Faz uns 3 anos fiz no Color um longa metragem que foi todo filmado e editado em HDV que parecia não ter jeito. Mas, depois da conversão para ProRes e trabalhando em espaço de cor interno praticamente infinito, o resultado final ficou excelente. Nem deu para acreditar.

      Mas se você tentar fazer qualquer trabalho na imagem no formato original e em um programa de edição, realmente não dá pra fazer quase nada.

  3. Parabéns pelo post. Muito bom de grande ajuda.

    Sobre engenharia de vídeo recomenda algum livro??

    abraçøs

    • Obrigado, Alexandre. Vou procurar um bom livro para recomendar. De qualquer forma, o livro do Hurkman cobre os aspectos mais básico e postaremos, em breve, algumas matérias a respeito.

  4. Paulo fui seguir sua dica sobre o ProRes 422 mas ai descobri que esse codec é só para Mac, eu edito em pc (sim é um problema) vc recomenda algum outro codec para PC, edito em Premiere (que eu uso mais) e Symphony 6.5 (esse eu uso menos)
    mas domino os dois obrigadão pela dica

  5. Olá, Paulo!
    Passei aqui pra deixar o link de um site que acabei de descobri e acho q seria bem valioso para o site!
    http://colorandfinish.com

    Acabei de conhecer o videoguru, mas acho q não foi postado sobre esse filme aqui… espero que seja interessante! =)

    Outra coisa, ledo o comentário acima, lembrei de uma duvida minha. Sabe me dizer a diferença entre o 422 e o 444? Seria sobre o conteúdo das cores, como em 4:2:2 e 4:4:4? Se sim, acha importante renderizar em 444 ou 422 é suficiente na maioria das vezes?

    • Olá Victor,
      Obrigado pelo link. Eu já conhecia, mas é bom para os outros leitores. Estamos na expectativa para o lançamento do filme. Acho que é realmente o primeiro sobre coloristas.

      Sim, o 422 e o 444 são equivalentes ao 4:2:2 e 4:4:4 com uma pequena adição. O ProRes 4:4:4 é, na verdade, 4:4:4:4. Ou seja, tem um canal alpha embutido. É, portanto, perfeito para arquivos de CG.

      Quanto à renderizar em 4:4:4, você se refere ao master? Se for isso, não só não é necessário como não é recomendado porque o padrão para codec para entrega de masters nas TVs (que aceitam esse formato) é ProRes 422 ou Prores 422 HQ. Hoje em dia, tudo que vai ao ar sofre uma recompressão e o 422 já é bem superior ao formato de exibição. 444 é bom para captura original e é como a ARRI Alexa grave em ProRes. Para nós, coloristas, isso se traduz em uma latitude de cor fantástica. Mas 422 também atende bem às necessidades em geral.

      • Valeu pela resposta, Paulo!
        Não sabia mesmo desse outro canal! Esse alpha vai ajudar bastante em algumas coisas! =)

        Na verdade não tenho experiencia com tv ainda, faço design e decidi agora focar em color grading. No máximo fazia alguns motions e pouquíssimo 3D.
        Mas achei muito material bom pela internet! Como existem poucos coloristas por aí, eles parecem ser bem unidos! E consequentemente, acho muito material de pessoas realmente entendidas do assunto!

        • Victor, sua experiência com design e o uso de cores pode ser muito útil. Vá lendo e assistindo vídeos sobre o assunto e vá experimentando por conta própria. Se seu trabalho se limita à internet, jogos e vídeos para telas que não sejam de tv ou cinema, um bom monitor profissional de computador devidamente calibrado pode ser o suficiente. Os monitores de referência e os conhecimentos mais profundos de engenharia de vídeo são mais importantes (essenciais, na verdade) para TV, DVD e cinema.

          • Sim! Acredito que um colorista não deixa de ser um designer, ontologicamente falando. Claro que não um designer gráfico, mas aquele que projeta pra levar uma menssagem, não se restringindo em mídia impressa, mas se expandindo a qualquer relação interpessoal.

            Quanto a engenharia de video, achei esse video que ensina as bases. Não vi inteiro, mas parece ser muito bom!
            https://vimeo.com/31503627

          • Olá Victor.
            A THX está investindo forte no mercado. Esse vídeo é muito bom, mas cobre mais os diversos formatos sob o ponto de vista da administração destes. Existem coisas mais básicas que são bem mais importantes para quem está iniciando como os níveis corretos de sinal para broadcast, espaços de cor, etc.

  6. Muito obrigado pelas dicas, Paulo! Vou correr atrás disso!

    Não só essa, mas o blog como um todo tem me ajudado muito!

  7. Uma pergunta: vocês não recomendam esses plugins de ‘looks’ tipo Magic Bullet, Luster grade presets etc? Em caso positivo, por que motivo?

    Obr e parabéns pelo blog

    • Marcus, esses plugins muitas vezes são o equivalente ao Instagram. Todo mundo usa, sem critério, só para obter um “look” mais sofisticado. Um colorista profissional cria paletas de cor baseadas nas necessidades dramáticas daquela cena específica. Pode parecer besteira, mas a diferença é enorme.

      Recentemente, mesmo, finalizei um documentário onde o editor usou um preset do Magic Bullet Looks para dar um ar mais “sofisticado” à sequência de abertura do filme. Só que as cores utilizadas passavam a emoção exatamente oposta ao desejado. No caso, era um preset com cores frias, enquanto que a emoção da cena pedia cores quentes. Além disso, o contraste era excessivo e destruiu os detalhes nas sombras. Em questão de minutos criei um visual mais sofisticado que o do MB, só que com a paleta de cores certa e um look que remetia mais aos filmes coloridos dos anos 60, que seria a época em que a personagem principal havia chegado na região. A produtora do filme, ao ver a diferença, ficou realmente surpresa com a emoção obtida com as novas cores.

      Outro problema da maioria desse plugins é a falta de monitoração correta. O Magic Bullet Looks, por exemplo, não permite a monitoração da imagem diretamente no monitor de referência, somente no monitor do computador. Isso, de cara, já inviabiliza o plugin para aplicações mais sérias em TV e cinema.

      Claro que há usos específicos para um plugin desses nas mãos de um não colorista. Se o material vai ser exibido somente na internet ou é um vídeo de casamento, por exemplo, que só será exibido em DVD, bluray ou no YouTube, as exigências de níveis de sinal, precisão de cores e desenho cromático mais sofisticado não se aplicam tanto. Assim, um leigo pode dar uma modificada na textura da imagem sem ter que aprender as técnicas mais sofisticas ou um programa dedicado. E, dependendo do nível de sofisticação do público e do critério do editor, pode funcionar razoavelmente. Mas tem que haver um critério mínimo na aplicação desses filtros.

      Outro problema com presets é que raramente eles se aplicam corretamente a imagens diferentes. Um preset que funciona bem em uma externa diurna pode ser um verdadeiro desastre em uma cena noturna interna com pouca iluminação. Até mesmo duas câmeras diferentes, rodando a mesma cena, podem gerar resultados diferentes no mesmo preset, dependendo do balanço de branco, estilo de imagem, exposição, lente utilizada, etc.

      Estamos avaliando um programa chamado FilmConvert, que tem uma versão autônoma e também plugins para os programas mais populares. A maneira deles encararem o desafio de dar um look mais cinematográfio à imagem digital é um pouco diferente e funciona melhor do que a maioria dos outros plugins. Em breve publicaremos esta resenha.

      Resta também levar em conta que o trabalho do colorista consiste geralmente em duas etapas. A primeira é a correção de cor, e esta não pode ser feita de maneira aceitável por certos plugins já que envolve apenas a correção da luminância e cores em um único cilp e entre clips diferentes, criando um fluxo homogêneo. O trabalho de grading é o segundo passo nesse processo onde, aí sim, se aplica um certo look à imagem. O uso generalizado e simples de presets não leva em conta esse trabalho, mantendo o desnível entre clips e ignorando os níveis corretos do sinal. Se o uso de presets é a única alternativa ao trabalho mais sério de tratamento de cor, então é melhor primeiro fazer uma correção de cor geral e depois aplicar os presets. Assim, pelo menos, dá para se obter uma imagem geral mais equilibrada.

      O uso de presets também requer um ajuste fino. Não basta apenas aplicar à imagem e pronto. O MB Looks, por exemplo, permite que se ajuste individualmente cada parâmetro do preset. Assim, se um preset está clipando demais as sombras, por exemplo, é necessário levantar um pouco a luminância nas baixas até se recuperar a parte desejada do sinal.

      Mesmo quando um colorista cria um look específico em um programa como o DaVinci Resolve, Scratch ou Color, esse look pode ser aplicado a outros projetos mas sempre com ajustes que podem variar de um mínimo até correções bem complexas e trabalhosas. É por isso que um preset nunca é uma solução absoluta, mas sim apenas um atalho para se obter o look desejado.

      Embora um plugin não seja a solução para substituir um bom colorista, seu uso com critério em projetos específicos, de baixo orçamento, pode gerar bons resultados. Só é preciso usar com sabedoria para acabar não piorando a imagem em vez de melhorá-la e também não alterar a emoção transmitida pelas cores da maneira oposta que a cena pede.

  8. Paulo, gostaria que se possível vcs escrevessem sobre 2 assuntos: Grading no After Effects e Valores de trabalhos de Grading. Como já se sabe a maioria das produtoras usa o After para fazer praticamente todo o processo de finalização incluindo cor, mesmo com o DaVinci disponível na versão gratuíta. Gostaria de saber mais sobre como trabalhar isso no After.

    E quanto a valores de Grading, eu mesmo estou estudando o 1º livro citado nesse post, mas claro que não basta o colorista ter só conhecimento técnico e artístico…ele também tem que saber como e quanto cobrar pelo seus serviços para valorizar o mercado, e geralmente esse tipo de informação é muito dificil de encontrar.

    Obrigado e mais uma vez parabéns pelo trabalho de vcs ( vcs deveriam escrever livros e ministrar cursos tbm, oq acha da idéia?)

    • Fabio, o After Effects não é um programa apropriado para fazer Grading. As ferramentas são muito primárias, você não pode trabalhar com painel de controle, não há funções de cópia de grading para tomadas semelhantes, etc. Dá até para quebrar o galho e fazer correções básicas em um take ou outro, mas não existe nenhuma produtora grande, principalmente lá fora, que use o After como ferramenta de grading. Sinceramente, se uma empresa tem um DaVinci à disposição e insiste em tentar fazer o grading no After Effects, é sinal que faltam profissionais qualificados. Nem mesmo as empresas que trabalham com o Nuke, que é muito mais sofisticado que o After, fazem o grading nele porque, como eu mencionei acima, ele não tem as ferramentas apropriadas (embora as ferramentas de cor sejam bem superiores às do After). O After é um programa para efeitos e motion graphics e não para grading. Ninguém vai te levar a sério no mercado se você se vender como colorista de After Effects. Se você quer investir nessa carreira, esqueça esse tipo de trabalho no After e aprenda o Resolve, Color, Scratch, Lustre, (esse com penetração limitada no mercado), Pablo ou Baselight (esses dois últimos são sistemas sofisticados e bem caros). Se quiser permanecer na suite Adobe, aprenda o SpeedGrade. Em último caso, também pode usar o Smoke, mas mesmo as empresas especializadas em finalização que têm essa ferramenta preferem fazer o trabalho sério de cor no Resolve porque, embora a qualidade da parte de cor do Smoke seja ótima, faltam recursos que tornam a vida do colorista bem mais fácil.

      Vale mencionar que o DaVinci Resolve é um programa extremamente sofisticado, que custava um quarto de milhão de dólares não faz tanto tempo assim. Ele exige uma máquina parruda e monitoração externa apropriada para apenas poder rodar. Só porque existe uma versão gratuita e a Blackmagic esteja dando a versão Full junto com sua câmera de cinema, não quer dizer que o programa tenha ficado inferior. Muito pelo contrário. Ele ainda é o mais usado nas grandes produções.

      Quanto a valores, isso é bem complicado. Bons coloristas ganham muito bem nos grandes centros de produção. Mas, para isso, não só é necessário dominar um dos programas top como também, se for independente, estar muito bem equipado com monitores de referência, etc. O tipo de mercado também dita o preço do colorista. Geralmente publicidade e cinema pagam mais que TV. Como bons coloristas são raros e necessitam de conhecimentos bem específicos, o mercado não corre o risco de desvalorizar como aconteceu com o de edição ou de animação. Muito pelo contrário. A produção tem aumentado e a procura por bons coloristas também. Existe o risco de amadores oferecerem serviços a preços ridículos, como aconteceu com o mercado de animação, edição, filmagem, etc. Só que esses não têm condições de roubar trabalhos de coloristas profissionais. Aliás, em qualquer setor, os bons profissionais sempre são valorizados. Quem é bom não trabalha por mixaria. A melhor maneira de você saber quanto custam os serviços de um colorista é consultar os profissionais da sua região.

    • Fabio, quanto aos cursos, está nos nossos planos começar, este ano, a oferecê-los. Assim que tivermos mais informações, postaremos aqui no Video Guru.

  9. Tenho total interesse em fazer curso de colorista com vocês. Onde fica a localização do Vídeo Guru? É só para eu já me preparar.
    Continuem com esse excelente trabalho no blog. Parabéns!

    • Marcelo, estamos no Rio de Janeiro, onde provavelmente ocorrerão os primeiros cursos. Ainda estamos acertando os locais. No futuro pretendemos oferecer seminários em outras cidades do Brasil, também.

      • Se os cursos forem de sexta a domingo, por exemplo, facilita para quem é de fora do Rio, ou mesmo para quem é do Rio mas trabalha o dia todo. Bom, é uma sugestão. E se vier seminário, workshops para Brasília, tô dentro.

        • Marcelo, o plano é esse mesmo. Até porque nós também trabalhamos durante a semana. Obrigado pela sugestão.

  10. Amigos,
    Sou editor. Estou passando a ser mais frequente aqui no VG. Como minhas últimas pesquisas estão sendo na área de Colorista, tenho bebido muita coisa boa aqui.
    Quero ressaltar a forma solícita e paciente com a qual Paulo M de Andrade tem respondido a cada dúvida que surge, até mesmo aquelas que, para os mais experientes, possam parecer pueris.

    Não posso deixar de mencionar o grau de pertinências das perguntas e a humildade presente na maioria delas. Isto torna o ambiente de aprendizado prazeroso.

    Não conheço o teu trabalho, Paulo, mas demonstras ter sensibilidade humana, qualidade imprescindível para um bom colorista. Afinal, somos nós, os humanos que vislumbraremos e aprovaremos, ou não, o trabalho final do colorista.

    Desculpem a quebra do tequinicismo relevante; mas achei por bem fazer esta menção!

    Valeu!

    • Caro Josias, muito obrigado pelos elogios. Acho ótimo que aconteça a quebra do tecnicismo. Como você disse, somos seres humanos. O trabalho de um colorista, em particular, mistura muito conhecimentos técnicos com artísticos. Então não podemos ser sérios o tempo todo. Temos que apreciar o mundo à nossa volta, com suas cores todas, para poder exercer bem o nosso trabalho.

      Tenho vários outros posts programados sobre o assunto. Só que o que torna o Video Guru diferente é que somos profissionais ativos. E, ultimamente, o bicho tá pegando! Nas últimas semanas fiz a cor de 2 curtas, 2 longas, 1 campanha publicitária e 5 séries de TV. Ufa! Isso significa que há espaço para bons coloristas no mercado, ainda mais com o aquecimento trazido pela “Lei do Cabo”.

      Portanto, embora não tenha postado tanto quanto gostaria, fique certo de que a prática constante da profissão (há 13 anos como colorista) traz sempre novas experiências para compartilhar com os leitores. Então, vem mais coisa boa por aí (assim que sobrar tempo)!

      Abraço,

      Paulo M. de Andrade

      • É isto ai, Paulo!
        Estou tentando engrossar este côro de profissionais coloristasQ

        Sucesso!

        Abraço!

  11. E sobre colorista em empresas de tintas e laboratório o que diz sobre eles. E você é colorista Paulo?

    • Os coloristas em empresas de tinta lidam com cores subtrativas, enquanto nós coloristas de cinema e vídeo lidamos com cores aditivas. Além do mais, os coloristas de tintas geralmente se concentram em obter uma única tonalidade, enquanto que nosso trabalho consiste em obter combinações harmoniosas entre diversas cores diferentes. Mas o fato de trabalhar com cores pode ser realmente uma vantagem caso o colorista de laboratório e empresas de tinta resolva se aventurar como colorista de cinema e vídeo. Afinal, a exposicão às cores e misturas com níveis de cinza pode ajudar bastante. Só que muitos deles dependem de colorímetros o tempo todo, enquanto que nós dependemos de instrumentos de medição (scopes) mas, principalmente, de um bom olho.

      Sim, sou colorista profissional há aproximadamente 13 anos. Sendo que fazia outras coisas, também. Ultimamente tenho trabalhado como colorista em tempo integral, com outras funções ocupando uma pequena fração do meu tempo.

  12. Olá Paulo, estou com uma duvida e queria saber se pode me ajudar.
    A pouco mais de um ano iniciei meu aprimoramento no color grading. Como trabalho como videografista comecei com o MB mesmo. passei para o Color e fiz um curso de Da Vince, programa que utilizo atualmente para meus trabalhos. Fiz uma entrevista recentemente para a vaga de Colorista da TV cultura e acabei nao pegando por pois eles usam o Scratch e ainda mexo muito basicamente nele. Agora a pergunta. Vale realmente a pena dedicar meu tempo para aprendizado de mais um software que faz a mesma coisa que os outros que eu já mexo? lembrando que para isso eu estaria usando tempo de estudo que poderia ser dedicado ao aprendizado de outras coisas que também ajudariam na minha profissão. O Scratch é muito utilizado no mercado brasileiro? E em São Paulo? Vale realmente a pena?
    Muito obrigado e parabens pelo site

    • Ivan, tanto o Scratch quanto o DaVinci são excelentes ferramentas. E é isso aí – são apenas ferramentas. O que importa é você ser um bom colorista, pois os princípios são os mesmos e dá pra aprender uma ferramenta nova em muito pouco tempo. Se vale a pena o investimento, depende de como você deseja se posicionar no mercado. Se for como freelancer, continue com o DaVinci porque, além de ser mais utilizado que o Scratch, é a ferramenta que você conhece mais e pode passar a dominar mais ainda. Meu conselho sempre é dominar muito bem uma ferramenta antes de aprender outra, pois é muito melhor conhecer uma a fundo do que muitas um pouco. Dominando o DaVinci, você poderá aprender o Scratch sem problemas, em pouco tempo.
      Mas, se o seu objetivo for trabalhar para os outros, pesquise os lugares onde você gostaria de trabalhar e aprenda a ferramenta que eles usam. Seja Resolve, Lustre, Baselight, Scratch ou qualquer outra.

    • Pedro, muito bom seu trabalho. Achei bem sutil e agradável sua cor. Ainda mais que o pessoal costuma usar os presets do Magic Bullet Looks e fazer tudo exagerado. Parabéns!

      Você filmou tudo em João Pessoa e arredores?

  13. Olá,sou uma cineasta em formação e seu excelente trabalho tem sido de grande ajuda,obrigada.Você respondeu uma pergunta acima e falou um pouco do speedgrade .O que você acha do speedgrade em relação aos outros,seria uma boa opção para começar a aprender?

    Obrigada.

    • Rhaissa, o Speedgrade é uma boa opção para aprender, sim. A Adobe vem investindo bastante no desenvolvimento dele e, graças à popularidade do Creative Cloud, o número de usuários tende a crescer cada vez mais. Além disso, ele funciona com os mesmos princípios gerais dos outros programas de tratamento de cor e, uma vez que você aprenda nele, fica fácil utilizar outras ferramentas se necessário. Boa sorte!

  14. Paulo,

    Você realmente é um Guru, só gostaria mesmo der ver você postando mais artigos sobre o assunto, infelizmente no Brasil não encontramos muito material e nem formação mais aprofundada no assunto, sou usuário de Assimilate Scratch por teimosia, comecei com color, parti para o smoke e terminei no Scratch, tudo de forma autodidata e, confesso que acredito ter criado vícios e como isso ter cometido erros, não tenho formação acadêmica em nenhuma area das artes, tudo que aprendi foi na raça nos meus 20 anos de estrada no mercado publicitário, e me vejo em um ponto que reconheço precisar urgentemente de uma boa reciclagem e porque não dizer upgrade, a area de Color Grading sempre foi a que mais me fascinou (mas por motivos mercadológicos e de sobrevivência, tive que me virar como finalizado, CG, Composição, montador, esse ultimo meu oficio), todos esses anos meu trabalho de correção de cor sempre foi baseado em um feeling autodidata, tive ótimos resultados mas, também me deparei com insatisfações de mim parte por diversas vezes (sou perfeccionista), porque acredito que existam cronologias e procedimentos em color grading por mim desconhecidos , trabalhei sempre mais na direção do look, do que na correção propriamente dita e, o mais difícil e você unir uma teoria autodidata com o aprendizado por dedução dos softwares (o Scratch é for…) complicado.
    Em suma, você é a luz no fim do túnel, faço votos de que o mais rápido possível vocês se tornem um centro de treinamento e excelência nessa area, serei o primeiro a me escrever nos cursos, to fiando velho e ultrapassado.

    Abraço querido!

  15. Bom dia, Paulo.

    Instalei essa versão nova do Resolve em minha máquina, mas toda vez que carrego as imagens para importação ele avisa que minha GPU está cheia, mandando eu reduzir a resolução da timeline ou o numero de correctors. Gosto do Resolve mas de vez em quando sempre me bato com algum tipo de alerta sobre insuficiências técnicas por parte dele. Detalhe, é uma versão Lite, supostamente não deveria rodar tranquilamente em um Imac com processador intel Core i5, 2.7 GHz, com memória de 8GB?

    • Sandro, embora a Blackmagic disponibilize o Resolve gratuitamente, ele precisa de uma máquina parruda para rodar, principalmente no que diz respeito à placa gráfica. A versão Lite não significa que rode em uma máquina mais leve, pois é idêntica à versão Full a não ser em alguns recursos. O recomendação mínima para a versão 10 é de 2GB de memória gráfica em uma placa de última geração, de preferência com CUDA. O erro que você está recebendo é porque sua placa gráfica não tem memória suficienta para rodar o Resolve ou então não faz parte das placas suportadas pelo programa. No caso do iMac, como você não pode trocar a placa gráfica, infelizmente só trocando de máquina.

      • Rapaz.., eu tava rezando pra você não dizer isso…rs, de qualquer maneira fico grato pela sua atenção e mais uma vez te dar os parabéns por essa ilha de referência que seu site se tornou, tanto pra mim quanto para muitos outros profissionais.

        Abs

    • Marcos, eu só conheço O Guia Completo da Cor, de Tom Fraser e Adam Banks. Ele é bem genérico, mas vale muito a leitura.

  16. Bom dia Paulo !
    Porque recebo a informação ¨ocorreu um erro ao tentar executar o magic bullet looks usando sua placa de vídeo ¨. Uso o Studio 14 da Pinnacle ( voce conhece ? ) . O que posso fazer ?
    Muito obrigado
    Abs
    Silvio

    • Silvio, infelizmente não tenho como te ajudar pois o Pinnacle Studio não é um programa de uso profissional. Além disso, sua versão está defasada. Recomendo que você faça o upgrade para a versão mais recente e veja se funciona.

  17. Agradeço ter achado esse post ja que andava procurando alguma coisa que me desse uma luz na minha procura por profundar na área da correcção de cor sem saber exatamente o que precisava e, depois de ler e ler os comentarios, encontrei o que precisava. Fico aguardando o comentado na tua resposta de finais de maio enquanto ao inicio dos cursos, aonde vamos poder-nos informar?
    Grato.

  18. Paulo me ajuda consegue esse llivro seria ótimo para min por ainda não conhece muito esse ramo? só que ele só tem em inglês?

    • Jocemar, infelizmente só em inglês. Como a maioria da literatura profissional de cinema e vídeo é em inglês, assim com a interface dos programas, vale a pena aprender essa língua pois vai te abrir muitos horizontes.

  19. Ola! Li o seu artigo e me interesei em aprender, ja trabalho na area com camera e editor. Qual monitor voce me aconselha comprar e qual o programa melhor que eu possa comesar a aprender?
    Agradeco sua atencao

    • Luis, se você tem o Final Cut 7 pode usar o Color, que faz parte da suíte da Apple. Caso contrário, baixe a versão grátis do DaVinci Resolve no site da Blackmagic. Só que você vai precisar de uma máquina bem configurada pra poder rodá-lo. Se você tem a suíte da Adobe, o Speed Grade é um bom programa, embora não seja tão utilizado.

  20. Olá Paulo, por favor, tenho utilizado computadores mac me interesso muito pela área, portanto, poderia me informar em qual máquina mac o RESOLVE rodaria sem problemas. Já que no imac do Sandro no comentário acima não rodou, o que é possível fazer?
    Grato
    Marcelo

    • Os únicos Macs que rodam o Resolve com seu máximo potencial, sem problemas e sem restrições futuras, são os Mac Pros. Os modelos novos (lixeirinha) funcionam melhor com as placas gráficas D700, principalmente se você pretende trabalhar com 4K ou mais. Mas os Mac Pros 2010, a última séria dos modelos antigos, funciona muito bem com uma placa gráfica moderna da nVidia com 4GB de memória gráfica, como as GTX770. Para trabalhar com 6K, uma placa com 6GB de memória gráfica é mais recomendada.

      O Resolve também roda nos iMacs 5K e nos MacBook Pro Retina com a configuração máxima. Mas não com a mesma performance de um MacPro e ainda existe a possibilidade de incompatibilidade futura.

      • Sim Paulo ok muito obrigado por esclarecer, uma dúvida, por favor, ao fazer uma correção com o resolve minha dificuldade é: Ao adequar a parte inicial por exemplo de um vídeo de 2 minutos; quando chega no meio ou conforme o vídeo segue a luz vai mudando, então a adequação que fiz no início já não serve mais para o outro trecho, não fica correto. Como vc consegue driblar estes problemas? Estou tendo dificuldade de obter material para estudo.
        Grato
        Abração
        Marcelo

        • Marcelo,

          Quem disse que trabalho de colorista é fácil? Rs. Você tem que ir ajustando gradualmente, corte a corte. Vai ficando mais fácil com a prática. Mas dá trabalho, mesmo.

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