Home Artigos Ideias Como sobreviver no mundo das nuvens quando elas são escuras e assustadoras?

Como sobreviver no mundo das nuvens quando elas são escuras e assustadoras?

E aí, a nuvem é uma boa? Depende. Quando a conexão funciona, conforme o custo e os benefícios, pode ser mais ou menos vantajoso, mas quando não funciona… babau!

Nem todo mundo se deu conta, mas, há poucos dias, tivemos um evento assustador que fez muita gente repensar os riscos da computação em nuvem. O sistema mais robusto de licença de uso de software por assinatura via nuvem simplesmente saiu do ar.

Isso mesmo, o Adobe Creative Cloud ficou fora do ar por mais de 24 horas, a partir da noite do dia 14. Os efeitos da interrupção chegaram até à sua plataforma de publicação, responsável pela distribuição do jornal O Globo para iPad, por exemplo. Eu mesmo não pude ler o jornal no iPad por dois dias. A falha, segundo a Adobe, ocorreu durante uma atividade de manutenção de banco de dados e afetou todos os serviços que requeriam o login dos usuários pela sua Adobe ID.

Claro que os milhões de assinantes do Creative Cloud foram os mais prejudicados. Quem precisou se conectar ao CC, seja para validar o uso de programas, seja para baixar algum aplicativo ou arquivo na nuvem, seja para sincronizar configurações ou acessar as fontes Tipekit, simplesmente ficou sem conseguir fazer isso.

Creative_Cloud_Status

E o que dizer de quem estava precisando do aplicativo Adobe Voice, lançado não tem nem duas semanas, que noticiamos aqui, e que depende totalmente da conexão com o Creative Cloud e seus bancos de dados para funcionar?

Soluções quebra-galho foram surgindo, como usar programas não validados na forma de versões trial, etc, mas a verdade é que o apagão do Creative Cloud serviu para alimentar os argumentos dos que são contrários a esse tipo de modelo de vendas de software e até mesmo ao próprio conceito de nuvem.

O que fazer quando ficamos sem conexão? E como fica o prejuízo dos que foram de algum modo afetados? Até que ponto o que está sendo ofertado nesse modelo é realmente seguro? As empresas que ofertam esse tipo de solução estariam habilitadas para lidar com essas situações extremas? Essas e outras perguntas precisarão de respostas. Apenas pedidos de desculpas ao usuário não bastam nesses casos. As empresas terão que fazer mais para tranquilizar os usuários.

• • •

Nós, aqui do VideoGuru, tivemos, em coisa de um mês, dois apagões do nosso provedor de hospedagem. Não deixa da ser uma espécie de serviço de nuvem. Nossos leitores ficaram várias horas sem poder acessar o blog e nossos anunciantes perderam um numero razoável de impressão dos banners.

No nosso caso, vamos trocar de provedor de hospedagem, torcendo para que a nova empresa nos traga maior segurança. Já no caso da Adobe, não tem jeito. Se você quer usar o Premiere Pro e o After Effects, tem que comprar com a Adobe no sistema de assinaturas, ou então partir para programas similares da concorrência.

Esse evento da semana passada com o Creative Cloud fortalece a posição de quem defende a flexibilização do modelo de assinatura de software via nuvem da Adobe, com a volta da opção de licença perpétua, e estimula a discussão sobre a necessidade de alternativas e compensações para o usuário nessas situações.

O crucial em qualquer sistema de nuvem é a confiabilidade, e como estamos vendo, para nossa profunda preocupação, esses sistemas e soluções de computação em nuvem que estão vendendo para a gente estão longe de ser 100% confiáveis.

• • •

A propósito, seguindo os passos da Adobe, outras empresas importantes estão adotando modelos semelhantes de negócios com nuvem, muitas delas no campo do vídeo digital profissional. Conheça alguns exemplos mais recentes:

RedGiant – a empresa lançou o Universe, um coleção crescente de plugins para programas como Premiere Pro, Final Cut Pro X, Motion e After Effects, adquirida por um sistema de assinatura. Oferece opções para assinatura mensal (US$10), assinatura anual (US$99) e assinatura perpétua (US$399).

Avid – em meio à necessidade de reestruturação do seu modelo de negócios, posto em cheque pelo seqüência de resultados financeiros negativos, a Avid começou a oferecer, coincidentemente, a partir de 15 de maio de 2014, três alternativas diferentes para licenciamento do uso do aplicativo Media Composer: assinatura mensal individual (US$50 por mês num período de um ano ou US$74.99 mês a mês), licença perpétua individual (a partir de US$1.299), e licença flutuante por assento (para licença por volume para empresas – a partir de US$1.799 por assento).

Autodesk – criou inúmeras opções de serviços de nuvem, incluindo a assinatura de alguns de seus principais softwares modelagem e animação como o Maya e o 3Ds Max. Para o Smoke, aplicativo para edição de vídeo online, a Autodesk reservou um sistema exclusivo de assinatura via nuvem, com opção mensal (US$195), trimestral (US$545), e anual (US$1750). De todos os outros programas para cinema e vídeo que Autodesk tinha, só sobrou o Flame, que continua com venda de licença, aparentemente.

Na modalidade de serviços de armazenamento e compartilhamento de dados para produção de vídeo digital, tivemos uma recente novidade através da Promise, conhecida por fabricar sistemas de armazenamento de alta qualidade e performance, como os disk array da linha Pegasus, com porta Thunderbolt.

A empresa acaba de lançar uma nova solução de armazenamento chamada FileCruiser, que permite a empresas e organizações criarem sistemas privativos de armazenamento em nuvem de forma escalável (Enterprise File Synchronization and Sharing – EFSS). A solução enfatiza mais a “sincronização” do que no backup de dados, ideal para ambientes de trabalho colaborativo de pós-produção de vídeo. No caso do FileCruiser, a parte de hardware da “nuvem” fica localizada fisicamente nas instalações do cliente, diferentemente de serviços como o Dropbox, por exemplo.

Os serviços via nuvem, como você pode perceber, estão aumentando mesmo. Dá pra dizer que é uma tendência, e o modelo pode se alastrar por todas as áreas, a ponto de o usuário não ter outra coisa a fazer senão aceitá-lo. O VideoGuru é favorável ao modelo, mas esperamos que as próximas nuvens venham bem clarinhas, tranquilas e cada vez mais à prova de falhas.

Gostou do artigo ?

Inscreva-se em nossa Newsletter para receber as atualizações do VideoGuru.

Artigos relacionados
3 6216

"Como montador, às vezes me identifico com Caronte, o barqueiro de Hades que na mitologia Grega fazia a travessia das almas sobre as águas dos rios que separam o mundo dos vivos do mundo dos mortos." Um de meus diretores favoritos, Alexander Payne,...
6 6327

Quando o Final Cut Pro clássico foi descontinuado para dar lugar ao Final Cut Pro X há coisa de 3 anos atrás, muita gente achou que o compromisso da Apple com o desenvolvimento de computadores e soluções para criação...

Deixa seu comentário

GALERIA

1 4914

A interação entre ação viva e animação tem sido explorada ao longo da história do cinema, com muitos exemplos dos estúdios Disney e o inesquecível "Uma Cilada para Roger Rabbit", dirigido por Robert Zemeckis. O resultado, em geral, é estimulante. Pensando bem, a idéia...
8 5397

Esse vídeo fantástico, feito na Rússia para o lançamento de um projeto imobiliário, foge totalmente dos padrões tradicionais e utiliza a fantasia, com imagens incríveis, no lugar do uso tradicional de plantas e animações dos prédios em computação gráfica....
1 6027

Há algum tempo, publicamos um post com um vídeo do editor Piu Gomes, criado para responder a essa pergunta essencial para quem quer entender a linguagem audiovisual: o que é montagem? Também publicamos, há mais tempo ainda, outro post chamado...