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Deixa que consertam na pós…

O que está acontecendo com a arte da cinematografia? Um dos mais importantes elos na produção de cinema e TV tem se transformado em um verdadeiro circo.

Recentemente participei de uma discussão com coloristas dos quatro cantos do globo sobre esse problema, que cresce exponencialmente: a falta de cuidado na filmagem.

A desculpa mais utilizada é que não há tempo para preparar cada tomada cuidadosamente e o argumento para justificar é: “Deixa que consertam na pós…” Realmente, hoje em dia conseguimos fazer verdadeiros milagres. Mas a falta de cuidado durante as filmagens tem um preço bem alto.

O que anda acontecendo é realmente algo bem contraditório. Enquanto que a qualidade do equipamento melhora a cada ano, a qualidade dos profissionais parece seguir o caminho inverso. Falta treinamento adequado, conhecimento geral e, principalmente, humildade.

Hoje em dia qualquer um acha que basta comprar uma câmera para virar um diretor de fotografia. Antigamente, o profissional não só estudava, mas também tinha que subir uma verdadeira escada profissional para poder ser considerado um diretor de fotografia de verdade. Frequentemente começava como segundo assistente de câmera e ia progredindo, conforme ia aprendendo. Quando alcançava a posição de DP, já conhecia a fundo câmeras, luzes e a arte da fotografia em geral.

WhiteBalanceWrongImagem com temperatura de cor errada – daylight filmando em tungstênio.

Hoje ficamos horrorizados com a qualidade do material que recebemos para corrigir na pós. São imagens completamente super expostas ou sub expostas, temperaturas de cor totalmente erradas, lentes e sensores sujos, iluminação precária, inexistente ou sem planejamento algum, e por aí vai.

É muito comum também que as produções incluam diversas câmeras, totalmente diferentes uma da outra. Mesmo quando as câmeras são iguais, frequentemente falta o cuidado ou conhecimento de casar todas as câmeras para que tenham a mesma temperatura de cor e exposição. O que mais temos recebido é uma verdadeira salada que toma um tempão para consertar e, consequentemente, custa dinheiro para a produção.

Mas o pior é quando misturam câmeras totalmente diferentes. É comum recebermos material filmado simultaneamente com câmeras Canon, Sony, Panasonic e Nikon. O grande problema disso é que cada sensor tem uma colorimetria própria, e cada fabricante desenha suas câmeras com um look diferente justamente para se diferenciar dos competidores.

WhiteBalanceImagem com temperatura de cor correta. Pronta para ser aperfeiçoada em vez de ser consertada.

Quando você junta isso tudo, dá vontade de chorar. Uma câmera mostra uma camisa como verde enquanto que outra mostra como azul, embora os tons de pele e os brancos sejam semelhantes. Uma simples correção de cor não resolve o problema. Frequentemente é  necessário criar diversas máscaras e fazer um tremendo malabarismo para consertar um pequeno detalhe. Quando isso não é feito, um simples corte de uma câmera para outra causa um tremendo pulo na imagem. E todo o cuidado e dinheiro gastos na produção ficam comprometidos.

Mesmo quando são usadas câmeras semelhantes, ou uma única câmera, é incrível a falta de cuidado na hora da filmagem. São cenas de interiores rodadas com temperaturas de cor de exteriores (resultando em imagens totalmente âmbar), imagens com brancos estourados e pretos enterrados, etc.

Embora os bons coloristas consigam consertar esses problemas na pós, raramente as imagens ficam tão boas como se tivessem sido expostas apropriadamente desde o começo. Muitas vezes as diferenças de qualidade entre duas câmeras são tão gritantes que é impossível melhorar 100% a imagem ruim e somos obrigados a nivelar por baixo, piorando a imagem boa para que ambas casem durante os cortes.

ClipadoBrancoImagem super exposta. Com os brancos clipados, não há mais como recuperar a informação original.

Quando uma imagem vem com a temperatura de cor totalmente errada, a possibilidade de  deixá-la normal depende muito do tipo de câmera e de sua latitude de cor. Algumas permitem que recuperemos os brancos e os tons de pele, e fica impossível dizer que havia algum problema. Outras, no entanto, geram uma massa única de cores e o máximo que podemos fazer é mudar a temperatura de cor dessa massa, resultando em uma imagem quase que monocromática. Longe da beleza plástica que uma imagem com a temperatura de cor correta poderia ter.

Quando os brancos e pretos são clipados na hora da filmagem, a informação daquela região é perdida para sempre. Nem mesmo as melhores câmeras de cinematografia digital, filmando em RAW, escapam disso. Portanto, é importantíssimo tomar um mínimo de cuidado com a exposição na hora de captar as imagens.

Parece óbvio, não é? Pois é o que os profissionais de cinema e TV sempre fizeram. Hoje, porém, ficou mais raro receber um trabalho filmado com cuidado do que trabalhos repletos dos erros mais primários.

Quando um colorista conserta uma imagem, dependendo do grau do problema, não há como evitar certos efeitos colaterais. Um deles é o nível de ruído. Se uma imagem está muito sub exposta, ao corrigí-la frequentemente revelamos o ruído gerado pelo sensor cuja latitude está sendo mal aproveitada. Esse ruído não é gerado na pós – já vem com o sinal mal filmado. Ele apenas fica mais aparente quando fazemos a correção.

Embora hoje em dia tenhamos à nossa disposição ferramentas milagrosas de redução de ruído, capazes de transformar uma imagem arruinada e algo limpo e belo, sem perda na definição, existe um limite onde o ruído é tão forte que não há mais sinal para recuperar. Aí não há quem consiga consertar na pós.

ClipadoPretoImagem sub exposta. Mesmo se ainda houver informação nas sombras, é provável que apareça ruído na hora de recuperar o sinal.

Outro problema consequente de exposições erradas é o de latitude na hora da correção. Ao se ajustar o nível do sinal que chega muito errado, muitas vezes aparecem “bandas” distintas de cor e tonalidades de cinza na tela, no lugar de transições graduais e invisíveis. Se as imagens tivessem sido captadas com cuidado, esses defeitos não estariam presentes.  Esse problema é ainda maior em câmeras que utilizam compressão agressiva em 4:2:0 e diversos sabores de H.264.

Quando um colorista recebe um material bem filmado, pode se concentrar em trabalhar na beleza das imagens e na criação de palhetas de cor que ajudem a passar a emoção desejada pelo diretor, diretor de fotografia e produtor. O resultado final é um filme bem acabado, que leva o público a esquecer da realidade e mergulhar totalmente no universo exibido na tela. Quando o material original é ruim, no entanto, o colorista deixa de exercer o seu potencial artístico para se transformar em um  verdadeiro “lanterneiro”, consertando os amassados e arranhões na lataria, fazendo remendos e retoques. O tempo e dinheiro que poderiam ser investidos no polimento e acabamento fino de um projeto passam a ser investidos em salvar as imagens do lixo.

É claro que temos muitos profissionais de fotografia maravilhosos no mercado. São eles que se destacam produzindo imagens fantásticas, bem cuidadas e criativas. Esses profissionais dominam a técnica e são verdadeiros artistas da imagem. Quando recebemos material gerado por eles, passamos apenas a aperfeiçoar o que já é bom. E as possibilidades crescem muito.

Já os incompetentes e descuidados que entregam um material ruim e que assistem o resultado final depois que passamos inúmeras horas consertando seus erros, acabam acreditando que são bons. Afinal, o material final está ótimo…

Em vez de deixar para consertar na pós, é hora de muita gente que está no mercado ter um pouco de humildade e admitir que tem muito a aprender. É hora de estudar, de trabalhar como assistente de bons fotógrafos. Aprender não é vergonha alguma. Todos os melhores profissionais tiveram que aprender e continuam aprendendo ao longo de suas carreiras. Um investimento de tempo em estudos e trabalhando sob a supervisão de um profissional experiente e respeitado pode gerar frutos incríveis no futuro. E transformar um “profissional” medíocre em um grande profissional, com uma carreira próspera e brilhante.

O grande cineasta David Lynch, durante uma entrevista, foi questionado sobre a disponibilidade cada vez mais crescente de equipamentos digitais excelentes nas mãos de um número cada vez maior de pessoas. Sua resposta foi brilhante: “Papel e lápis estão disponíveis para qualquer ser humano há vários séculos. Mas quantos escritores de talento temos no mundo?”.

Comprar uma câmera não basta. Para ser um bom cineasta, e necessário estudar e se aprimorar, cada vez mais, em seu ofício. Esse negócio de deixar pra consertar na pós não está com nada! Faça um bom trabalho e deixe para aprimorar na pós que é muito melhor.

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29 comentários Nesse post
  1. Trabalho com fotografia e vídeo há uns 10 anos já. Após muita espera, quando veio a Nikon D800 tratei de comprar a minha para direciona-la para vídeo.

    Bem, recebi a câmera, uns dias depois um mic e na mesma semana corri fazer um mini documentário sobre um festival de rock de minha cidade, Indaiatuba, baseado em meus conhecimentos de fotografia, utilizados em fotojornalismo. Enquadramento, fotometria e temperatura, só.

    Como foi um trabalho independente, sem compromisso com ninguém, beleza. Mas na edição já comecei a perceber os problemas.

    Desde então, novembro de 2012, tenho feito pesquisas e estudado praticamente todos os dias da semana e ainda estou com muita, mas muita coisa em mãos que ainda não tive tempo de estudar.

    Inclusive, este belo canal de informação, videoguru, foi uma das descobertas nesse processo. O blog do Marcelo Ruiz aí acima, também.

    Enfim, quanto mais estudo, mais erros identifico no trabalho realizado sobre o festival.

    Ainda tenho muito chão pela frente, mas ciente da falta de conhecimento em cinematografia, estou me preparando para no próximo trabalho procurar fazer tudo dentro dos padrões aceitáveis, no mínimo.

    E infelizmente a fotografia tomou esse mesmo caminho apontado no artigo: tudo se resolve no PS.

    • Mauricio, sua atitude é a que todos deveriam ter. Apesar de ser profissional há bastante tempo, reconhece que é necessário continuar se adaptando, aprendendo mais e se aprimorando. É assim para todos nós que desejamos oferecer serviços de qualidade e fazer jus ao privilégio que é trabalhar em produções audiovisuais. Parabéns e boa sorte!

      PS: A D800 é uma câmera fantástica. Muito boa também para pós.

      • Valeu pelo incentivo, Paulo!

        Quanto a D800, comprei por sempre ter trabalhado com Nikons em fotografia e após consultar as primeiras avaliações e comparativos, o que continuo fazendo ainda hoje. É o estudo presente em todo processo.

        Caso algum dia tenha um tempinho e curiosidade, segue abaixo o link do vídeo.

        As imagens estão praticamente sem nenhum tipo de alteração. Dei apenas uma puxadinha no preto em algumas e na entrevista com o Sepultura – justo a parte que ficou pior – que precisei alterar mais.

        As imagens da câmera parada em plano geral do palco foi uma D7000 de um amigo. Todo o resto gravei com a D800 na mão, sem nenhum estabilizador e sem nenhuma iluminação, com mic ME66, fixado na sapata ou com minha parceira, Heloisa, que fez as entrevistas. Com pistola Rode.

        Esta em 24, com velocidades de 30 a mais de 250, ISOs de 200 a 1600 (ou até 2000 se não me engano) e muitas aberturas diferentes. Como pode ver, tudo feito como se estivesse fotografando, sem padronização alguma. Mas chego lá… rs

        https://vimeo.com/55134415

  2. Fantástico artigo!
    Também compartilharei no meu blog, ok?
    Antigamente a pós-produção era para dar o retoque final. Hoje em dia, por causa de uma eventual falta de cuidado de um diretor de arte, produtor de objetos ou continuísta, pagamos ”caro” na pós para arrumar. O caro entre áspas, pois poucos dão o real valor para uma pós-produção, o pessoal acha que é só clicar em um botão para tirar um objeto de cena, um símbolo, uma pessoa ou até mesmo arrumar a cor de uma cena. Nesse caso, temos que agradecer a (com o perdão da expressão) ”Era da putaria audiovisual digital”, pois tudo é barato, é fácil e qualquer um faz, o que está errado. Hoje em dia qualquer um que tem uma câmera HDSLR e fez 1 (um) clipe ou um trabalho de faculdade, se intitula Diretor de Fotografia…, o que todos nós que somos da área e atuamos como profissionais, sabemos que não é tão fácil
    assim.

  3. Excelente matéria. Faz dois anos que trabalho como editor e vejo que o aprendizado é obrigatório e tem que ser constante. O comodismo só piora a situação, ainda mais quando se trata de profissionais experientes que tem um ego enorme, e não admitem quando estão errados. Como o processo de edição faz parte da pós, volta e meia eu pego algumas tomadas que são difíceis de corrigir.

    Parabéns pela matéria e continue sendo esta fonte de sabedoria que tanto precisamos, seja o mercado cinematográfico ou publicitário.

  4. Eu que trabalho com som então, é incrível a falta de conhecimento sobre conceitos básicos de audio .90% do material que eu recbo é de qualidade duvidosa e 5-10% estão bem além de qualquer reparo possível… cenas gravadas sem que se registre o ambiente, audio dirtorcido e clipado alem da conta, sem contar as produções que economizam o técnico de auio e depois gastam 10 vezes mais consertando audio ruim. é triste 😉

    • Obrigado por relatar o que anda acontecendo no campo do audio também, André. Parece que estamos todos tendo problemas semelhantes de falta de conhecimento, treinamento e cuidado na hora da captação.

  5. Excelente artigo válido também para os profissionais de Criação Publicitária, marketing e trade marketing que oferecem aos clientes “soluções da moda” gratuitas, vazias e descomprometidas em relação a gerar resultados mensuráveis e pertinentes ao core business da marca.

  6. filmar eh fácil, difícil eh ficar resolvendo problemas dos outros, acho que isso me da até depressão , editor sempre que toma no c…

  7. Paulo sensacional a matéria – é isto mesmo, não se para para aprender – tenho 30 anos de janela e não sei absolutamente nada ! humildade, disse tudo…
    Mas fica aqui uma observação – se tem muita gente que apanha com uma Canon ou Nikon ou GH3 – sem tirar o maximo do proveito que elas possuem como cameras de entrada para filmar, ou fotografar – imagina este pessoal com uma Blackmagic ou Red…como voce colocou lindamente tecnologia ladeira acima – conhecimento ladeira abaixo ! parabens amigo

  8. Na verdade é o que sempre digo, claro não sou um editor fantastico, mas quando se tem um matrial bom se faz edição quando é ruim se conserta

  9. Artigo simplesmente certeiro, perfeito, isso deveria ser considerado um manifesto que qualquer um que pegasse uma câmera na mão deveria obrigatoriamente ler antes de apertar o REC. Parabéns.

  10. Paulo,é o navio dos incompetentes com pouca pratica !!!!!!
    comandado por profissionais medíocres !!!!!!!

    • Boa analogia, Cezar!

      Para quem não sabe, o Cezar Moraes (ABC) é um diretor de fotografia com mais de 60 filmes em seu currículo. É também um dos pioneiros do cinema digital no Brasil, sendo responsável por trazer as primeiras câmeras Sony Cinealta/Panavision para cá.

  11. Oi! Muito bom o tutorial, e como sou iniciante nessa área, gostaria de entender algo mais sobre as imagens!

    A primeira imagem com temperatura de cor errada – daylight filmando em tungstênio.
    É uma cena interna com tungstênio, ao qual a câmera não foi corrigida para a temperatura correta de cor? Por isso ficou alaranjada!

    A segunda Imagem com temperatura de cor correta. Pronta para ser aperfeiçoada em vez de ser consertada.
    A mesma cena interna! Filmada com qual tipo de luz?
    É o mesmo tungstênio? Só que agora com a câmera corrigida para a temperatura de cor tungstênio?
    Por isso ficou correta, ou não foi feita essa segunda imagem com tungstênio?

    A impressão que tive, em relação a essas imagens é que não é correto, filmar uma cena interna com referência de luz do dia com uma fonte de luz de tungstênio!

    Ou pode sim filmar essa cena interna com tungstênio, mesmo que seja a referência de luz do dia, só que assim corrigindo a câmera para a temperatura correta no caso para a temperatura de tungstênio?

    Desculpa a pergunta, mas é que gosto muito dessa área, e sempre estou procurando aprender algo mais!

    Já usei luz de tungstênio em cena interna, só procurando corrigir a câmera para a temperatura que a fonte artificial me fornece!

    Assim como já usei tungstênio em externa, e se a luz natural, não correspondia à fonte artificial eu corrigia com gelatinas!

    Só queria saber se estou errado ou correto?

    • André, a primeira imagem está alaranjada porque a câmera estava ajustada para a temperatura de cor errada – no caso, luz do dia em vez de tungstênio. Como a luz do dia tem uma temperatura de cor mais elevada, ela é mais fria e tende a ser mais azulada. Já a luz de tungstênio tem uma temperatura de cor mais baixa, tendendo a ser alaranjada.

      O que acontece é que a nossa visão se acostuma e corrige automaticamente as cores, fazendo com que o branco fique branco sob qualquer luz, mas o sensor da câmera não. É necessário ajustar a temperatura de cor da câmera para que ela corresponda à luz presente. No caso da primeira imagem, a câmera estava ajustada para luz do dia e, filmando sob luz de tungstênio, a imagem ficou alaranjada. Se a câmera tivesse sido ajustada para tungstênio, os brancos ficariam brancos, e não alaranjados. É o caso da segunda imagem. No caso oposto, se a câmera tivesse filmado uma externa diurna tendo sido ajustada para luz de tungstênio, as imagens ficariam azuis.

      Se você utilizou luzes de tungstênio sob luz do dia, para as luzes em si não ficarem alaranjadas, deve ter utilizado gelatinas azuis na frente da luzes, certo? Elas compensam o alaranjado do tungstênio, esfriando a temperatura de cor através do azul.

      Muitas câmeras têm o recurso não só de ajuste de temperatura de cor por tipos pré-definidos como luz do dia, tungstênio ou fluorescentes, como também oferecem ajustes de temperatura de cor em Kelvins. Nesse caso, uma lâmpada incandescente comum tem uma temperatura aproximada de 2800 Kelvin, enquanto que um refletor profissional de tungstênio tem uma temperatura de 3200 Kelvin. Já a luz do dia sob sol varia entre 5000 e 6500 Kelvin, sendo que os refletores profissionais para luz do dia têm a temperatura de 5600 Kelvin, que é a média da luz do dia. Para corrigir um desses refletores para uso em um ambiente iluminado predominantemente for fontes de luz de tungstênio, seria necessário usar gelatinas laranja na frente dele.

      Mas muitas câmeras facilitam as nossas vida oferecendo, também, um ajuste de branco. Basta apontar a lente para um papel branco, por exemplo, e “bater o branco” na câmera, que esta se ajusta para a temperatura de cor ambiente. É um recurso cômodo e muito fácil de usar, o que torna ainda mais imperdoável a filmagem com a temperatura de cor errada.

      Se você desejar saber mais sobre temperatura de cor, o link abaixo, embora seja direcionado mais à fotografia de stills, é uma boa fonte de informação pois a temperatura de cor se aplica tanto a fotos tradicionais quanto à filmagem.

      http://www.cambridgeincolour.com/pt-br/tutorials/color-black-white.htm

  12. Bem que eu gostaria de ser assistente de algum profissional mesmo. Mas moro em Rodeio SC (interior do interior) e o que me resta são os “profissionais youtubes”. Aqui em Santa Catarina nem curso bom não se encontra e quando encontra algum mais compatível o preço é exorbitante……..

    • Carlos, entendo bem a sua frustração. Infelizmente a educação, em geral, não tem sido muito valorizada em nosso país. Se a educação básica à qual todos temos direito já é sofrível, a disponibilidade de bons cursos técnicos é mais ainda. Fico muito frustrado com isso, também. Fui chamado para treinar o departamento de vídeo de uma conhecida instituição pública, que está precisando muito de atualização profissional. Depois de um ano e meio de burocracia, várias correspondências e diferentes orçamentos, o curso estava para sair quando, mais uma vez, a burocracia emperrou tudo, inviabilizando o treinamento. É por isso que nós, do VideoGuru, planejamos começar a oferecer seminários específicos, assim que for possível.

      Cada situação pessoal é diferente, portanto não sei o quanto significaria de sacrifício para você tentar passar um tempo em uma cidade maior para poder aprimorar seus conhecimentos. Se for possível, o investimento pode valer a pena. Caso não seja possível, o jeito é aprender da melhor maneira possível dentro de seus meios. Como, por exemplo, através de bons livros e cursos na internet. O importante mesmo é tentar sempre se aprimorar na sua profissão. Geralmente quem trabalha na nossa área é porque gosta, e aprender cada vez mais é sempre gratificante e estimulante.

      Parabenizo você pela iniciativa de escrever e frequentar o VideoGuru. Continue lutando e procure se aprimorar ao máximo. Mesmo que você tenha que ser auto-didata, até um certo ponto, com a ajuda de bons livros, artigos, tutoriais e cursos (mesma que sejam virtuais) você certamente irá melhorar cada vez mais. É só não desistir. Boa sorte!

  13. Fico Agradecido de ter respondido o meu comentário e me desculpe pela demora de resposta. Estive sacrificando minhas vontades pessoais (como tentar passar um tempo em uma cidade maior para poder aprimorar meus conhecimentos), para que, minha esposa conseguisse conquistar os seus objetivos, ou seja, eu estava pagando cursos específicos para ela estudar para concursos públicos, o que deu ótimos resultados, pois ela passou no concurso da Caixa Econômica Federal (3000 candidatos para 200 vagas e ela ficou em 50).

    Agora Paulo, eu vou poder investir na minha vida profissional no quesito de vídeos profissionais e já estou estudando mudanças, como mudar o editor de vídeo do Vegas para o Adobe e procurando novamente cursos perto da minha residência ou pela web e se não tiver como fazer por aqui já penso na possibilidade de passar uma “temporada” em alguma cidade que me dê esta possibilidade.

    Gostaria de uns concelhos do Sr. por gentileza, de me indicar alguns livros que o sr. ache interessante e algumas dicas de quais editores de vídeo o sr. ache mais aconselháveis ou aconselhável, já que quero apreender no mais indicado.

    Estou no momento com alguns clientes graças a Deus, o investimento que fiz para exercer a profissão tem me dado retorno, apesar dos poucos meios de aprendizado e da educação como dito acima não ter sido valorizada no nosso país.

    Obrigado novamente pela a sua atenção e seu incentivo.

    • Carlos, parabéns à sua esposa e a você pelo esforço e união familiar. A mudança do Vegas para o Premiere seria um bom passo, principalmente porque o programa da Adobe tem tido cada vez mais penetração no mercado profissional. E, com o preço razoável da suíte Adobe CC, você passa a ter acesso a um dos mais poderosos conjuntos de programas de vídeo digital do mercado.

      Quanto a livros, você não pode deixar de ler “Num Piscar de Olhos” de Walter Murch. E leia com atenção e execute os tutoriais do manual do Premiere Pro, que você pode baixar gratuitamente (em inglês) do link abaixo:

      http://helpx.adobe.com/pdf/premiere_pro_reference.pdf

      Boas sorte!

  14. Obrigado Paulo pelas congratulações e pelas dicas que já estou pondo em prática. Desejo felicidades e sucesso para o sr. e para a sua família. Paz e honra!

  15. Muito bem escrito, gostei, porém não mostra nenhum caminho a ser tomado, nenhuma solução, só o problema propriamente dito, nenhuma sujestão e facilidade. De qualquer maneira, muito bom texto.

    • Flavio, a solução é óbvia – tomar todo cuidado possível na hora da filmagem para entregar um material decente. E, de preferência, ter conhecimento e experiência necessários para fazer um bom trabalho. O que acontece muito hoje em dia é que há muita correria desnecessária nas filmagens e muita gente investe em equipamentos sem investir nada em educação. Daí consertar na pós passa a ser uma solução fácil, pois empurra-se os problemas pra frente.

      Antigamente, quando a pós era mais cara e menos sofisticada, ou o sujeito filmava direito ou o material ia pro lixo. Hoje muitas vezes o lixo vai pra pós e acham que dá pra consertar tudo. Mesmo quando dá pra consertar, nunca fica tão bom quanto um material bem filmado.

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