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Diminua o tamanho dos Media Managers do Final Cut Pro

Uma das principais funções de gerar um novo projeto pelo Media Manager é diminuir radicalmente o tamanho dos arquivos utilizados em um projeto, principalmente quando este vai para a finalização ou é armazenado depois de pronto. Acontece que, em certos casos, o projeto do Media Manager acaba ficando com o tamanho do projeto original. Nada parece dar jeito, mas a solução é bem simples.

Como colorista, volta e meia recebo um desses projetos gigantes gerados pelo Media Manager. A dor de cabeça começa já na edição, pois são precisos HDs enormes, maior tempo de transferência de arquivos, demora bem maior ao abrir o projeto, etc. No meu lado, preciso de muito mais espaço livre no meu RAID, o que também é um problema quando estou trabalhando em diversos projetos ao mesmo tempo.

Só para dar um exemplo da dimensão do problema, recentemente recebi um documentário com 74 minutos de duração cujo projeto gerado no Media Manager ficou com 1TB. Após aplicar as técnicas descritas adiante, o projetos passou para 270 GB. Ou seja, menos de um terço do tamanho sem perder absolutamente nada.

Antes de mais nada, é bom explicar a origem do problema, que pode ser facilmente evitado pelo assistente de edição ou pelo editor. A culpa é, geralmente, do MPEG Streamclip. O programa virou uma febre porque faz conversões rápidas de arquivos H.264 gerados em HDSLRs e outros CODECs baseados em GOP como de câmeras de vídeo da SONY ou Panasonic. O problema do MPEG Streamclip, para fazer conversão de arquivos de câmera para edição, é que a pressa é inimiga da perfeição.

MPEG_Streamclip
Interface do MPEG Streamclip, um excelente programa para conversões para a internet,
mas desaconselhado para conversão de materiais originais de câmera.

A conversão de arquivos originais de câmera para ProRes é de péssima qualidade. Isso pode passar desapercebido para um assistente ou editor, principalmente quando a imagem é vista em um monitor de 24 polegadas ou menor. Mas para o finalizador que avalia o material em um monitor de 42″ ou maior, os problemas ficam evidentes imediatamente. Tanto que, só de olhar, é possíval saber se o material original foi convertido pelo MPEG Streamclip. Os defeitos mais aparentes são microblocos de compressão e degradês com bandas acentuadas.

Mas não é só na qualidade da compressão que o MPEG Streamclip causa estrago em seus arquivos. O programa joga fora todos os metadados que vêm com o material original. E é isso que causa os projetos gigantes gerados pelo Media Manager. Portanto, já vale a pena cortar o mal pela raiz não utilizando o MPEG Streamclip para fazer a conversão dos seus arquivos originais. Afinal, é um verdadeiro crime degradar a qualidade da imagem de um projeto onde foi feito um tremendo esforço para obter o melhor resultado possível em função de economizar um pouco de tempo. Sem contar a perda de metadados.

A solução é bem simples: utilizar os programas que os fabricantes de câmeras disponibilizam gratuitamente em seus sites, como os plugins para o Log and Transfer do Final Cut Pro ou programas independentes oferecidos pela Canon, Sony e Panasonic. Uma outra alternativa, para quem deseja uma qualidade de conversão ainda maior, é o programa 5D2RGB, discutido neste artigo.

Sabemos que, munido dessas informações, daqui para a frente, você vai evitar o MPEG Streamclip para conversões de arquivos originais. Mas e aqueles que já foram convertidos? Como resolver o problema dos Media Managers gigantes? A solução é simples e parte dela veio de minha talentosa assistente Maiara Líbano. Como toda boa assistente de edição profissional, ela faz corretamente o trabalho de logging e separa o material em rolos, etc., preenchendo corretamente os metadados para facilitar o trabalho do editor. Foi nesse tipo de trabalho que ela notou que o material convertido pelo MPEG Streamclip vinha sem as informações de metadados corretas. Após substituir os dados que estavam faltando, ela reparou que o Media Manager do Final Cut Pro gerava projetos menores.

A explicação para esse comportamento é muito simples. Para evitar problemas, se o programa não consegue identificar corretamente os clipes ele, por medida de precaução, evita exportar apenas os trechos utilizados na edição e exporta o clipe inteiro fazendo com que o projeto fique tão grande quanto o bruto original. Quando consegue identificar os clipes independentes, porém, ele exporta apenas os trechos utilizados na edição e o tamanho diminui radicalmente.

O conserto é muito simples. Na janela do Browser do Final Cut Pro, que mostra os arquivos utilizados no projeto, estão todas as informações sobre os clipes. Cada tipo de informação está sob uma coluna, como se fosse uma planilha. Essas informações incluem o nome do clipe, duração, timecodes de entrada e saída, resolução, formato de compressão, etc. Um desses itens é o número do rolo (Reel). E é aí que está a chave do problema. Se o número do rolo não estiver presente, como na imagem abaixo, o Final Cut não consegue distinguir uma tomada da outra na hora de exportar.

Lista-Reel-Vazia

Você encontra a coluna Reel geralmente movendo a barra inferior para a direita (veja a imagem abaixo), já que todas as colunas geralmente não cabem na tela ao mesmo tempo e ficam ocultas.

Browser

Você vai reparar que os arquivos problemáticos não têm o número do rolo. Se você assinalar um número de rolo para estes arquivos, aí o Final Cut passa a identificar os clipes corretamente e o Media Manager faz seu trabalho como deveria ser. A maneira correta de assinalar número de rolos é pelo número do cartão, já que a terminologia vem originalmente do número do rolo de negativo de filme e depois passou a ser aplicada ao número da fita. Hoje em dia, com o uso de cartões de memória, passa a ser relativa ao número deste.

Caso você não saiba mais qual o número do rolo, pode criar um qualquer, sem problemas. A melhor solução é observar o prefixo do nome do arquivo e assinalar um número diferente para cada prefixo diferente. Caso isso não seja prático, o ideal é verificar se não há nenhum arquivo compartilhando o mesmo nome. Neste caso, é bom assinalar um número de rolo diferente para cada duplicata para evitar conflitos. Em último caso, se não houver duplicatas, pode-se assinalar o mesmo número de rolo para todos os clipes já que o Final Cut irá identificá-los pelo nome único.

Para assinalar um número de rolo a um clipe, clique com o botão da direita do mouse em um nome de clipe e selecione as opções Item Properties > Logging Info… conforme a imagem abaixo.

Logging-Info

Na janela que abrirá em seguida, na coluna Clip clique na área à direita de Reel. Uma janela de texto abrirá e você poderá colocar o número do rolo desejado, conforme a imagem abaixo.

Numero-do-Rolo

Agora é só repetir o processo para cada clipe individual… Quer dizer, existe uma maneira melhor que acabei descobrindo pois fazer isso em centenas de clipes individuais é uma loucura. Depois que um número de rolo foi assinalado, o Final Cut coloca-o em seu banco de dados e ele fica disponível para ser usado novamente. O truque consiste em utilizar uma função pouco conhecida do Final Cut. Selecione todos os clipes desejados de uma só vez na coluna Name (pode utilizar as teclas Shift ou Command, dependendo do caso). Agora que o nome do rolo existe no banco de dados, clicando com o botão direito do mouse na colona Reel aparece o nome do rolo como opção (veja imagem abaixo). Ao selecioná-lo, ele é aplicado a todos os clipes que você selecionou, de uma só vez, poupando um trabalho enorme.

Reel-Number

Agora faça seu Media Manager como na imagem abaixo e pronto – você obterá um projeto bem menor e mais enxuto, contendo apenas o material utilizado em seu projeto final.

Media-Manager

Vale a pena observar que a técnica acima se aplica apenas ao Final Cut Pro 7 e não ao Final Cut Pro X. E também é importante deixar bem claro que o MPEG Streamclip é um programa excelente que tem seu lugar importante no fluxo de trabalho moderno, como uma ferramenta rápida e eficiente, principalmente na conversão de vídeos para a internet e vídeos para avaliação por clientes. Quanto utilizado, é importante usar o controle de qualidade para obter a melhor imagem possível, pois a regulagem padrão é de apenas 50%. Desaconselhamos seu uso apenas na conversão de materiais originais em face dos problemas descritos neste artigo.

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5 comentários Nesse post
  1. Existe alguma alternativa similar pro FCPX? O library mantem os arquivos inteiros, e os da pasta eventos…

    • O FCPX opera de forma distinta. Para fazer gerenciamento de mídia no programa, existem alternativas mover, copiar e consolidar eventos e projetos para librareis novas, por exemplo. No caso de operações a partir de projetos, é possível copiar ou mover apenas os clipes utilizados na edição para uma nova library, reduzindo a quantidade de mídia do evento original. Mas não há ainda recursos para preservar apenas os trechos de cada clipe utilizado nesses procedimentos. Por outro lado, por operar de modo mais simples, o programa não sofre os problemas que o FCP 7 enfrenta com a supressão de metadados pelo MPEG Stream Clip no gerenciamento de mídia.

  2. Paulo, suas informações foram muito importantes para o meu trabalho. Você é muito claro e didático, então, é impossível não conseguir fazer depois de acompanhar sua demonstração.

    Obrigado.

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