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Fabricantes de equipamentos broadcast enfrentam dificuldades financeiras

O modelo tradicional de negócios dos grandes fabricantes de equipamento broadcast parece não funcionar mais nos tempos modernos. E, por isso, muitos deles correm sério risco de fechar as portas ou serem comprados por outras empresas. O que, aliás, já vem acontecendo com uma certa frequência, como noticiou o Hollywood Reporter.

Quem diria, por exemplo, que a gigante Grass Valley, fabricante das melhores e mais famosas mesas de corte de vídeo (switchers) seria adquirida pela Belden (mais conhecida por fabricar cabos e conectores) por US$ 220 milhões? Ou que a Sony fosse forçada a vender o prédio da sua sede em Manhattan para cobrir parte dos prejuízos que vem sofrendo ao longo dos últimos tempos?

A IAMB (Associação Internacional de Fabricantes de Equipamento Broadcast) tem alertado seus membros de que eles estão ameaçados de extinção caso não se adaptem à nova realidade, redimensionando seus modelos de negócios e passando a cooperar mais uns com os outros. Peter White, diretor geral da IAMB, afirmou que aquelas empresas que que fabricam equipamentos tradicionais, sem grande diferencial ou grande volume, estão ameaçadas.

Segundo a associação, a margem de lucro de seus 300 membros caiu 24% nos últimos 24 meses. Um número realmente preocupante. Peter White afirma que é necessário que as empresas passem a se unir e prestar serviços que sejam realmente necessários em vez de continuar com o modelo antigo de competição feroz, uns contra os outros. Caso isso não aconteça, diversas empresas fecharão suas portas em um futuro bem próximo.

Enquanto que o mercado de câmeras tradicionais, ferramentas de edição e sistemas de distribuição tende a sofrer um declínio de US$ 15 bilhões apenas este ano, outros mercados oferecem esperanças. O mercado de transporte de vídeo (em dados) quase triplicou nos últimos 8 anos. O de processamento de vídeo tende a quase dobrar nos próximos 3 anos. E o de armazenamento cresceu 50% nos últimos 3 anos.

hdl50f Mais uma câmera chinesa de cinema digital? Não. Apenas uma tentativa da
tradicional Ikegami de se adaptar às novas realidades de produção.

O que tem causado tantos problemas para os fabricantes tradicionais de equipamentos broadcast? Creio que um dos fatores mais importantes tenha sido a democratização dos equipamentos em geral. Enquanto que as empresas tradicionais trabalhavam com uma margem de lucro alta e vendiam equipamentos caros em baixa escala, a tendência do novo mercado é do lucro individual menor, compensado pela venda de equipamentos mais baratos em alta escala.

As empresas tradicionais demoraram muito para aceitar essas mudanças no mercado. Se antes era necessário uma câmera de no mínimo US$ 30 mil com uma lente de US$ 12 mil para gerar um sinal broadcast capaz de ser aceito pelas grandes redes de TV, hoje basta uma câmera de US$ 2 mil com uma lente de US$ 600 para gerar uma imagem superior em todos os sentidos.  Sem contar que as produções de séries de alto orçamento para televisão têm sido filmadas com câmeras de cinema digital, como a ARRI Alexa (que domina esse nicho do mercado), no lugar de câmeras tradicionais de TV.

Empresas como a Blackmagic Designs, que têm crescido vertiginosamente oferecendo produtos da mais alta qualidade a um custo bem inferior, são as novas forças emergentes do mercado broadcast. Com switchers digitais que custam uma fração dos tradicionais e câmeras de altíssima performance e preços acessíveis, cada vez mais adaptadas ao mercado broadcast, além de diversos outros produtos, a Blackmagic tem utilizado seus muitos anos de experiência com equipamentos de alta qualidade para ajudar a quebrar os velhos modelos de negócio.

BMD_ATEMTelevisionStudioO ATEM Television Studio da Blackmagic é um switcher para produção ao vivo que vem em uma caixa compacta, é barato, e oferece saída em tempo real em H.264 para transmissões ao vivo via internet, além das saídas broadcast tradicionais.

Se antes apenas uns poucos privilegiados tinham dinheiro suficiente para montar um estúdio de TV, hoje pelo preço de um carro de luxo dá para se montar uma produtora inteira, incluindo uma unidade móvel com múltiplas câmeras e corte ao vivo. Se os fabricantes tradicionais não se adaptarem a essa realidade, oferecendo produtos mais acessíveis ou de tecnologia superior, veremos muitos serem extintos como verdadeiros dinossauros da era do vídeo digital.

Porém, existem muitos fabricantes que insistem em manter os modelos ultrapassados de negócios. Eles fazem pouco das inovadoras tecnologias mais baratas e insistem que oferecem produtos mais adequados ao mercado broadcast, como câmeras com desenho e tecnologia tradicionais. No entanto, os emergentes do mercado conseguem se adaptar a uma velocidade estonteante e já começam a oferecer seus produtos nos mesmos formatos que as grandes empresas, a um preço bem menor, e com a mesma qualidade de imagem.

Se não bastasse isso, o modelo tradicional de broadcast, em si, já não funciona tão bem no mundo moderno onde as informações estão disponíveis praticamente em qualquer lugar, instantaneamente, no horário que mais for conveniente para o usuário. É fácil observar que os jovens, hoje em dia, raramente assistem TV tradicional. Acostumados ao acesso imediato que a internet oferece, não têm mais paciência para sentar na frente da TV e aguardar por um programa. Buscam o mesmo conteúdo online, quando lhes for conveniente. É por isso que algumas redes de TV têm investido cada vez mais em conteúdo exclusivo para a internet ou têm disponibilizado seus programas tradicionais online.

Esse novo modelo de entretenimento, mais individualizado, transcende o uso do aparelho tradicional de TV e passa a ser consumido em uma variedade enorme de telas diferentes. São celulares, tablets, iPods, computadores… Telas de formatos e tamanhos completamente distintos. O que faz com que o modelo tradicional de se produzir ou para TV ou para o cinema já não faça tanto sentido. Hoje produz-se para uma tela, seja ela qual for. E muitos já fazem um sucesso fenomenal com o grande público sem nunca ter aparecido na TV tradicional ou no cinema.

Dentro dessa nova realidade, o que passa a valer mesmo é a qualidade da imagem. E não o tipo de equipamento utilizado. Daí surge a necessidade ainda maior dos fabricantes tradicionais de equipamentos broadcast se adaptarem às novas realidades do mercado fornecendo o que o usuário precisa em vez de tentar forçar equipamentos e tecnologias que não se adaptam, necessariamente, às novas realidades.

Quando surge uma crise, só os mais flexíveis conseguem se adaptar. É a velha fábula do carvalho e do junco. O imponente carvalho, alto e forte, ri do pequeno junco. Mas, na hora da forte ventania, por não ser flexível acaba tombando enquanto que o pequeno junco permanece de pé. É hora dos fabricantes tradicionais abrirem os olhos para as novas realidades do mercado e utilizarem seus vastos conhecimentos para mudar o jogo. Caso contrário, infelizmente, sobreviverão apenas nos museus da história do broadcast.

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