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Mocha 4 – nova versão confirma e expande a qualidade do programa (post atualizado: versão 4.1)

Não é novidade que o Mocha é a principal referência hoje na área de motion tracking (rastreamento de movimento). O programa já tem uma história e segue se renovando, como faz agora. E muito bem, por sinal, como vamos ver a seguir.

O aplicativo tem agora duas versões comerciais, o Mocha Pro, completo e com todos os recursos, e o novo Mocha Plus, com restrição de algumas funções exclusivas da versão mais profissional, e que vem substituir o produto Mocha AE com vantagens para o usuário.

Parte das novidades do Mocha 4, sua mais recente atualização, são comuns às versões Pro e Plus,  algumas realmente muito boas; mas, como era de se esperar, as novidades mais avançadas, ficaram mesmo para a versão Pro.

O que é o Mocha

O Mocha é um programa de rastreamento de movimento repleto de recursos e aplicações.  O diferencial dele é sua técnica proprietária e exclusiva chamada “planar tracking”. Ela foi projetada para rastrear as transformações de superfícies (não necessariamente planas) presentes  na imagem, diferentemente do simples rastreamento de um ou mais pontos da imagem, comum na maior parte de ferramentas do gênero.

O curioso é que, apesar de não ter tracking de câmera 3D verdadeiro, o Mocha utiliza técnicas 2D de maneira engenhosa para inferir relações tridimensionais a partir do rastreamento das superfícies dos elementos da imagem com grande eficiência. Desse modo, o Mocha consegue interpretar e enviar dados para composições 3D dos programas para os quais oferece suporte, com diversas possibilidades de aplicação.

De fato, o método de tracking do Mocha é considerado bem mais avançado do que o método das outras ferramentas concorrentes, e para certas situações, praticamente insubstituível. Muito usado nos efeitos visuais de cinema profissional, com uma lista enorme de blockbusters no currículo, a tecnologia do Mocha chegou inclusive a ganhar um Oscar de desenvolvimento científico e técnico em 2013.

Mochaplus4

A interface do Mocha Plus 4

 

Mochapro4Interface do Mocha Pro 4

 

Como o Mocha funciona

Uma vez calculadas pelo Mocha, as informações de tracking podem ser exportadas para os mais importantes aplicativos de efeitos visuais e composição de imagem em movimento como o After Effects, o Nuke, entre outros, ou então serem usadas pelo próprio programa para produzir diretamente um render com o resultado final do efeito visual.

Quando usado em dobradinha com programas de composição, as informações do Mocha servem para inúmeras tarefas. Em efeitos visuais, as principais delas são a inclusão ou substituição de superfícies, remoção de objetos, e rotoscopia.

A interface do Mocha é relativamente simples e fácil de entender e se situar. Numa janela blocada, vários painéis se espalham por quatro seções principais. Há uma barra de ferramentas principal na parte de cima, o painel Viewer ocupando a maior parte da janela mais ao centro, na esquerda estão empilhados os painéis de controle de camadas, propriedades de camadas e propriedades de bordas, e na parte de baixo, em abas laterais, estão acomodados o painel Clip e os painéis de módulos de função que se distribuem em abas superiores, e um painel de visualização de keyframes com uma linha de tempo.

A versão Mocha Plus conta com os módulos de função Track e Adjust Track, que respondem pela configuração geral e as principais operações de rastreamento, reunindo os recursos básicos do programa. O Mocha Plus não gera render de imagem dentro dele, lhe sobrando apenas a exportação de dados de rastreamento, principalmente para composições do After Effects (também exporta para o Motion, HitFilm, Boris FX BCC e FCP).

O Mocha Plus possui ainda o módulo Lens, que faz um mapeamento de distorção de lentes grande angulares para orientar as aplicações de mascaras e formas articuladas ao rastreamento, e também inclui o módulo Camera Solve, para interpretar o movimento das superfícies no espaço 3D e a paralaxe do movimento entre duas ou mais superfícies. Observe-se que esses dois módulos mais avançados só permitem exportação de dados para o After Effects.

Além desses módulos principais, o Mocha Pro conta com mais três módulos de função exclusivos: Remove, para “limpar” certas partes da imagem, Insert,  para igualar o movimento e inserir imagens fixas ou dinâmicas em superfícies da imagem de fundo, e Stabilize, para anular ou minimizar movimentos de câmera irregulares.

Todos esses três módulos presentes apenas no Mocha Pro se destacam por oferecer o render final no próprio programa, ao invés de apenas a exportação de dados de rastreamento para outros aplicativos. O Mocha Pro também tem a vantagem de poder exportar dados para uma quantidade maior de programas de composição e efeitos visuais mais avançados como o Nuke, Avid DS, Scratch, Flame, Smoke, Fusion, Quantel e até o Shake.

As novidades da versão 4

As principais intervenções na interface, em sua maior parte, foram implementadas nas versões Plus e Pro, e incidiram na barra de botões de ferramentas e na barra de controles de visualização do painel Viewer. Surgiram alguns botões novos para substituir o que antes era informação de texto, e houve o redesenho e o rearranjo de botões antigos, em alguns casos, transformados em opções de um tipo de menu suspenso. Com essas mudanças, essas partes da interface resultaram mais limpas e simples, gerando um maior conforto visual para o usuário.

Ainda em relação à interface, também houve algumas mudanças mais cosméticas na aba Clip e nos painéis de certos módulos de função, sempre com o mesmo objetivo de otimizar o espaço e torna-los mais limpos. E o Mocha agora é compatível com as telas retina nos modelos de computador mais recentes da Apple, o que pode fazer diferença para trabalhos com ajustes mais precisos de splines e vetores sobre a imagem.

MochaprojectO painel New Project do Mocha Pro 4

 

No painel New Project também há novidades nos ajustes de Frame Offset, que foram revisados com mais alternativas e maior destaque, e a nova opção na versão Pro que permite importar streams de vídeo adicionais necessários para trabalhos como material captado em 3D estereoscópico, por exemplo. Para comportar projetos com mais de um stream, no mesmo painel New Project, há inclusive uma seção nova com configurações de visualização múltipla no painel Viewer.

O Mocha 4 trouxe algumas mudanças para flexibilizar o fluxo de trabalho. Antes, a configuração do projeto era amarrada com os ajustes do clipe importado inicialmente e ambos não podiam ser mudados com o trabalho em andamento. Agora, tanto o projeto como o clip de trabalho podem ser ajustados a qualquer momento e de modo independente um do outro, inclusive com a inclusão de streams adicionais na versão Pro. Ajustes relativos a videos entrelaçados, também podem ser modificados depois de o projeto ter sido criado.

O Mocha Plus e o Mocha Pro contam agora com novas possibilidades de configuração de atalhos de teclado muito bem-vindas. Além do preset original do Mocha, existem presets compatíveis com os programas After Effects, Nuke, Cinema 4D e Fusion, e ainda a possibilidade de personalização total dos atalhos pelo usuário. Quando acionamos o comando de personalização dos atalhos, o Mocha abre o painel de preferencias com uma aba exclusiva para esses ajustes. Através dela, é possível duplicar perfis de atalhos pré-existentes, inclusive os de fábrica, e modifica-los através de uma tabela expansível dividida por colunas de categorias, ação, e atalho. Alguns programas mostram desenhos de teclado para customização de atalhos, mas a tabela do Mocha, apesar de bem simples e minimalista, é muito eficiente. O filtro para busca de comandos e ações economiza tempo e ajuda bastante.

O Mocha 4 avança consideravelmente na exportação de dados, oferecendo novos formatos e alternativas. Para as versões Plus e Pro, foi acrescentada a exportação de dados de shape para máscaras de efeito do Premiere Pro CC 2014, aliás, um recurso acrescentado recentemente ao programa pela Adobe. Isso significa que dá para fazer rastreamentos complexos de uma ou mais áreas da imagem dentro do Mocha, e exporta-los na forma de máscaras dinâmicas para, por exemplo, aplicações seletivas de correção de cor e de blur no programa de edição. Desse modo, triangulações um tanto exaustivas entre o Mocha, o After Effects e o Premiere Pro CC podem ser evitadas.

mochapremiereUma das grandes novidades do Mocha 4 é a exportação de dados de shapes para máscaras de efeito do Premiere Pro.

Outra boa novidade na exportação de dados que afetam ambas as versões do Mocha foi a exclusão de dados de anchor point na exportação de dados de propriedades de transformação para o After Effects. Antes, esses dados muitas vezes precisavam ser removidos para certas operações de acompanhamento de movimento dentro das composições do programa da Adobe. No caso das operações de estabilização da imagem, agora o usuário pode usar um box de inversão dos cálculos de rastreamento, para compensar a ausência dos dados de anchor point.

Video com um visão geral das novidades do mocha Pro 4

Exclusivos da versão Mocha Pro, foram melhorados mais cinco modos de exportação para o Nuke, incluindo dados para as funções Tracker, RotoPaint e Roto.

Num outro patamar, para usuários avançados, o Mocha Pro 4 agora também provê uma API própria para a linguagem de programação de alto nível Python,  presente em outros programas para efeitos visuais como Maya, Nuke, Mari Houdini Shotgun e Katana. A linguagem Python serve para extender e incrementar os recursos originais do Mocha em trabalhos muito complexos, com scripts próprios e automação para tarefas repetitivas em grande quantidade, por exemplo.

Por fim, a grande inovação do Mocha 4, presente apenas na versão Pro, foi a introdução do suporte para trabalhos com material com mais de um stream de vídeo, como os filmes em 3D estereoscópico. Conforme explicado anteriormente, o Mocha Pro 4 permite configurar projetos baseados em clipes com dois ou mais streams a partir do painel New Project ou pela aba Clip. Nos projetos de 3D estereoscópico, o usuário consegue assistir e trabalhar com os dois streams no painel Viewer em vários modos de visualização apropriados para material 3D.

O processo de rastreio de movimento pouco muda nos projetos multiview, sendo executado simultaneamente nos dois streams, inclusive os ajustes manuais e geração de keyframes. Quando necessário, o Mocha permite ajustes e marcação de keyframes em vistas individuais. Na exportação, os dados de rastreamento para rotoscopia ou acompanhamento de movimento podem ser enviados por streams separados para Nuke e After Effects ou juntando os dois streams no caso do Nuke.

Conclusão

O Mocha não faz milagre. Tem situações mais difíceis em que a automação por si só não é suficiente complexidade do plano, em que há a necessidade de um trabalho manual mais ou menos exaustivo. E também há até mesmo planos que são praticamente impossíveis de se rastrear, que nem o Mocha nem nenhum outro programa do gênero consegue resolver. Mas quando há condições razoáveis de se chegar a um bom resultado, o Mocha dá conta do recado de forma quase sempre magnífica, muito próxima da perfeição.

A Imagineer Systems, desenvolvedora do Mocha, é extremamente generosa e cuidadosa com o treinamento gratuito no programa através da internet. Seus canais no Vimeo e no YouTube estão repletos de vídeos tutoriais em inglês que ensinam praticamente tudo que alguém precisa saber para aprender a operar o programa. Essa é uma iniciativa que todos os desenvolvedores deveriam seguir. Dessa maneira, não é nada dificil dominar o Mocha em dois ou três dias de estudo e prática o suficiente para dar conta de tarefas desafiadoras.

Para quem trabalha com efeitos visuais em produções com material 3D estereoscópico, o Mocha Pro 4 é essencial. Mas a atualização para essa versão também vai cair bem para todos os usuários do programa na medida em que melhora substancialmente a interface, o fluxo de trabalho, e cria uma nova ponte com o Premiere Pro CC e melhora o compartilhamento de dados com outros programas. Para quem ainda não possui o Mocha, a versão 4 é especialmente atraente, porque o traz mais amadurecido e confortável de se usar.

Ressalte-se que o plugin para o After Effects continua vindo com o programa da Adobe para os assinantes do Creative Cloud. Mas quem usa exclusivamente o After Effects deve considerar o Mocha Plus com carinho. Além de ser bem mais barato, acrescenta os módulos  3D Lens e Camera Solve aos recursos encontrados no plugin Mocha AE CC, ambos quase obrigatórios para trabalhos de rastreio de movimento de qualidade e complexidade média ou superior. E para tornar essa alternativa ainda mais sedutora, tanto o Mocha Pro como o Mocha Plus oferecem caminhos de upgrade a partir do Mocha AE CC particularmente atraentes.

Enfim, o Mocha, com essa atualização, reafirma a sua excelência em efeitos visuais para vídeo e cinema, e torna-se ainda mais indispensável para aqueles que trabalham com finalização de vídeo digital em nível profissional.

Os preços das duas versões do Mocha são os seguintes:

Mocha Pro: $1495 USD / $795 USD (upgrade para usuários do Mocha AE CC)

Mocha Plus: $245 USD / $195 USD (upgrade para usuários do Mocha AE CC)

Você pode obter mais informações sobre o Mocha no site da Imagineer Systems.

• • •

Atualização em 09/11/2014

Nem bem publicamos a resenha da versão 4, e no dia seguinte saiu uma nova atualização com o Mocha 4.1. Vamos às modificações principais:

• Suporte para splines abertos. Isso significa que você pode exportar dados de mascaras e paths abertos para o After Effects e o Nuke, facilitando operações de rotoscopia e acompanhamento de movimento como aplicação de traços, caminhos de texto, efeitos de distorção, etc. Melhor novidade do update;

• Exportação direta para o node Nuke SplineWarp, evitando ter que copiar os splines de nodes Roto para o efeito de distorção;

• Novos atalhos de teclado comandos Next/Previous Control Point, as teclas “{” e “}”, para variar rapidamente a seleção de pontos de spline, especialmente úteis em ajustes precisos pelo módulo Adjust Track;

• Suporte para arquivos multi-parte OpenEXR 2.0;

• Melhorias no suporte para scripts em linguagem Python;

• Melhorias no nos recursos do módulo Camera Solve, facilitando o ajuste de superfícies;

• Exportação de dados de roto shape para o aplicativo HitFilm 3 Pro;

• Novo script gratuito Send to NUKE permite que aos usuários do Nuke enviar um clipe diretamente para
Mocha Pro a partir da interface do Nuke.

• Suporte total para o sistema Mac OS X Yosemite;

• Inúmeras correções de bugs.

Assista o vídeo com as novidades do mocha Pro 4.1

A atualização 4.1 é uma grata surpresa para quem já adquiriu ou pensa em adquirir o Mocha, e está disponível para todos os usuários com licenças ativas das versões Mocha Plus 4 e Mocha Pro 4.

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