Home Artigos Hardware Novas cameras Sony – O império Contra-ataca!

Novas cameras Sony – O império Contra-ataca!

A Sony resolveu partir de vez para o contra-ataque. Em resposta aos antigos e novos concorrentes que vêm comendo pelas beiradas o mercado de cameras de vídeo profissional que ela se acostumou a liderar, despejou uma quantidade impressionante de novos modelos em 2012.

• • •

Há anos, o clube japonês dos grandes fabricantes de equipamentos eletrônicos para produção de conteúdo audiovisual têm vivido um grande dilema. Não podem ficar para trás na evolução tecnológica mas precisam lidar com uma situação nova, um tanto complicada para eles.

De um lado, não estão mais sozinhos no desenvolvimento de produtos de ponta, de maneira a controlar o ritmo e o preço de novos dispositivos com recursos mais avançados. De outro lado, também já não conseguem controlar a inexorável tendência democratizante, aparentemente inerente ao desenvolvimento das tecnologias digitais.

Assim, por conta própria, à revelia dos conglomerados nipônicos, o mercado se redefine, provocando sucessivas revisões de padrões de qualidade e a reorganização dos vários nichos da indústria, juntamente com o surgimento de novas frentes de exibição, sobretudo pela internet.

Os que não conseguirem se adaptar a essa nova realidade, correm o risco de perder espaço e ver ruir, aos poucos, sua liderança.

A Sony, por exemplo, é uma das empresas que  vem tendo dificuldade de se adaptar aos novos tempos desse e de outros mercados da eletrônica de consumo muito maiores e mais importantes para a sua saúde financeira do que o de video digital profissional, mas com dinâmica disruptiva parecida.

sony_building

O prédio de 25 andares Sony City Osaki, candidato a maior transação imobiliária comercial do Japão dos últimos tempos.

Como prova disso, meses atrás, a empresa teve suas notas de avaliação da agencia de risco Moody’s rebaixadas, após períodos sucessivos de prejuízo operacional, com direito a mudanças de diretoria, fechamento de unidades e planos de reestruturação.

Mais adiante, pôs à venda um prédio de mais de um bilhão de dólares no Japão. Ainda não conseguiu, mas acaba de vender seu prédio-sede em Nova Iorque, num negocio de 1,1 bilhão de dólares. Só agora, no início de 2013, que ela acena com sinais de uma tênue recuperação.

Claro que o problema não é só com a ela. Outras empresas japonesas do setor  estão daí para pior, sendo afetadas e afetando o degringolar renitente da terceira maior economia do mundo.

O governo japonês atual, liderado pelo primeiro-ministro Shinzo Abe, tem adotado políticas monetárias agressivas para tentar conter a sangria da crise, com direito a uma maxi-depreciação do iene de quase 20% desde outubro do ano passado.

Eles precisam se mexer mesmo porque, enquanto isso, diversas empresas nativas estão quebrando ou correndo sérios riscos de quebrar. A Sharp, por exemplo, está quase falindo, Panasonic vem tendo prejuízos alarmantes, e há muito outras passando pela mesma agonia.

A Canon parece uma das que está um pouco melhor, talvez por estar se mostrando mais ágil e flexível. A Nikon também se mostra um pouco mais vigorosa.

Os gigantes japoneses, dizem alguns analistas, estão sendo afetados pela popularização dos smartphones e dos tablets, e perdendo mercado para a Apple e as coreanas Samsung e LG.

Diante de tão complicada situação, mesmo para uma empresa acostumada a dar as cartas como a Sony, chega uma hora em que é preciso se renovar, ser mais ousada e criativa e fazer mais concessões de preço e qualidade nos seus novos produtos.

Na lógica do capitalismo, para o bem ou para o mal de uns e de outros, no fim das contas, a competição e o consumidor que mandam. Ganha sempre quem tem o melhor produto pelo melhor preço.

• • •

Para ser justo, na área de vídeo profissional, nos últimos, a Sony até que vem mostrando serviço e apresentando algumas respostas significativas para fazer frente à concorrência das novas cameras HDSLR, das cameras de cinema digital e das cameras de ação.

Mas em 2012 a coisa embalou. Foram vários os lançamentos de impacto nesses nichos desde a NAB, em abril, depois com mais uma leva entre julho e agosto, reforçados por outros novos modelos na feira IBC 2012, em setembro, e por um evento especial no comecinho de novembro.

A chegada de tantos produtos num mesmo ano, incluindo a Action Cam, para competir com a GoPro, evidencia que a Sony está mesmo correndo atrás. Se está fazendo a coisa certa e se vai ser suficiente para recuperar a posição de liderança das tendências de mercado, só o tempo vai dizer.

Por hora, vale ficar de olho no que está chegando e suas especificações, até que se possa por a mão nos novos brinquedos, especialmente alguns das últimas fornadas, que somente agora começam a chegar nas lojas.

Esse post funciona como um cardápio das novas opções de camera da Sony para uso profissional em vídeo digital, sem aprofundar muito na análise de cada modelo, com o objetivo de mostrar um quadro geral para o leitor se situar no que há de novo.

• • •

Vamos então aos novos modelos de camcorder broadcast, acompanhados de um rápido resumo das características e o diferencial de cada uma delas.

Linha PMW Broadcast

A linha PMW da Sony tem sido reservada para cameras broadcast baseadas no formato XDCAM HD 422 com compressão MPEG-2 long gop, taxa de dados de de 35 e 50 Mbps, e gravação em MXF/UDF (container), inclusive com modelos com mídia ótica.

Os produtos dessa linha sempre foram caros, em geral com preços acima da simbólica faixa de US$10.000. O fabricante, certamente forçado pela concorrência acirrada, parece estar reavaliando essa estratégia, para, finalmente, oferecer o padrão XDCAM HD 422 50 Mbps a custos realmente mais baixos.

No passado recente, as alternativas de cameras mais baratas dessa linha, abaixo de US$10.000, em especial os modelos PMW-EX1 e PMW-EX3, usavam a variação de formato XDCAM EX, com amostragem de cor 4:2:0, compressão MPEG-2 a 25 e 35 Mbps, e gravação em arquivos MP4/FAT (container).

Na outra ponta, a camera XDCAM HD 422 / 50 Mbps mais barata até o momento era o modelo PMW-500, com preço acima de US$20.000. Hoje, com os novos lançamentos, a espinha dorsal popular da linha muda totalmente e passa a ser constituída a partir dos modelos PMW100, PMw-150/160, e PMW-200.

São camcorders de mão, de design compacto, no formato XDCAM HD422, com gravação full HD 4:2:2 50Mbps em MXF. Em tese, representam um upgrade da linha EX1/EX3, dos quais herdam a vocação e o target.

Os modelos são especialmente vantajosos para aplicações de  jornalismo broadcast, eventos e documentários, que necessitam de maquinas leves, versáteis e ágeis, com lente zoom elétrica, íris e foco automático. Inovam, sobretudo pelo alto patamar de qualidade de imagem e baixa compressão numa faixa de custo nunca antes tão acessível.

Toda a linha compartilha as seguintes características principais

• Gravação em MPEG HD422 a 50Mbps em MXF (modo UDF)

• Gravação e reprodução em padrão SD DVCAM

• Gravação em HD422 1080p a 24 & 30 fps / HD422 720p a 24, 30 & 60 fps

• Gravação nos modos de formato de arquivo UDF (nos cartões SxS e compatível com o formato de mídia ótica XDCAM da Sony) ou FAT (compatível com XDCAM EX)

• Dois slots de cartão de memória Express Card SxS

• LCD 16:9 de 3,5 polegadas WVGA (852×480) articulado

• Saídas HD/SD-SDI (4:2:2 10-bit via HD-SDI) e composto BNC e HD-Y

• Entrada de Timecode e Genlock • Porta USB 2.0

• Quatro canais de áudio 16-bit

Agora vamos às principais diferenças entre os três modelos:

 

PMW-100

PMW100• Um chips sensor CMOS Exmor Full HD de 1/3 de polegada (1920×1080)

• Lente fixa tipo zoom 10x (f= 5.4 – 54 mm) mecanica/manual

• Não conta com filtros ND

• Preço (FOB): US$4.500,00 (lista) / US$4.000,00 (loja na BH)

 

PMW-150/160 (o modelo 150 grava apenas em PAL – para o mercado europeu, enquanto o 160 grava em PAL/NTSC)

PMW160

• Três chips sensores CMOS Exmor Full HD de 1/3 de polegada (1920×1080)

• Lente fixa tipo zoom 20x (f= 5.4 – 54 mm) mecanica/manual – com anéis separados de foco, abertura e zoom

• Filtros ND embutidos (1/4, 1/16 e 1/64)

• Controle remoto wireless via tablet ou smartphone

• Relação sinal/ruído de 54 dB

• Preço (FOB): US$7.800,00 (lista) / US$6.300,00 (loja na BH)

 

PMW-200

PMW200

• Três chips sensores CMOS Exmor Full HD de 1/2 polegada (1920×1080)

• Melhor performance em baixas luzes

• Lente fixa tipo zoom 14x (servomecanismo/manual)

• Filtros ND embutidos (1/8 e 1/64)

• Cache de gravação de 15 segundos

• Controle remoto wireless via tablet ou smartphone

• Relação sinal/ruído de 56 dB

• Preço (FOB): US$7.800,00 (lista) / US$6.300,00 (loja na BH)

 

Há que se reconhecer que essas três novas cameras PMW tem atrativos consideráveis e vão encontrar mercado. No Brasil, especialmente, a Sony tem muita presença e tradição. A Globo adotou o XDCAM como formato de entrega, e isso influencia e muito.

Tem bastante gente que  vai querer ter cameras XDCAM HD 422 para atender seus clientes se beneficiando do argumento de que trabalham no padrão da Globo. Só é de se estranhar a política de preços da Sony para os modelos PMW-150/160 e PMW-200.

Eles custam a mesma coisa mesmo com sensores de tamanho diferentes, de 1/2 e 1/3 de polegada. Isso nunca havia ocorrido antes. A principio, a lente da PMW150/160, uma super tele, compensaria a diferença. Ainda assim, e apesar do design idêntico, fica a estranheza.

 

Linha PMW CineAlta

Tentando recuperar o mercado perdido para as câmeras RED e até para as HDSLRs na produção de cinema digital de orçamentos baixos e médios (agora também afetado pela chegada da Blackmagic Cinema Camera), a Sony lançou mais dois modelos da sua famosa série CineAlta, a PMW-F55 e a PMW-F5.

O curioso é que, assim como em outros lançamentos da Sony, de certa forma uma câmera concorre com a outra. A PMW-F55 é o carro chefe dessa linha, tendo muito em comum com a topo de linha F65. Até agora parece a mais cinematográfica das câmeras da Sony, com uma textura que não tem tanta cara de vídeo quanto os outros modelos do fabricante.

A Sony está apostando no mercado de 4K para tentar diferenciar esses modelos das HDSLRs e da Blackmagic Cinema Camera. Só que a competição não dorme em serviço e a Canon lançou a 1DC, uma super-HDSLR que também filma em 4K e custa US$ 12.000,00.

A C500, também da Canon, é outra câmera de cinematografia digital que filma em 4K. A Sony F65 é uma câmera 4K verdadeira (veja nosso artigo sobre 4K aqui) e, aparentemente,  tanto a PMW-F55 quanto a PMW-F4 parecem também ser, compartilhando aparentemente o mesmo sensor com sua irmã maior. Já as RED e as Canon não podem afirmar que oferecem o 4K real.

Ambas as câmeras utilizam o formato HD XAVC, oferecendo o mesmo fluxo de trabalho em RAW da F65. Também trabalham com os codecs MPEG4 SStP HD e MPEG2 HD. Como as câmeras oferecem saída limpa em SDI, é possível também utilizar gravadores externos para filmar nos populares (e econômicos) formatos DNxHD e ProRes.

As maiores diferenças entre os dois modelos são que a F55 tem um Global Shutter e a F5 não. Para quem não sabe, o Global Shutter é um obturador com funcionamento semelhante ao das câmeras de cinema de película. Assim, com esse sistema, o tão odiado Rolling Shutter (conhecido como efeito gelatina) é totalmente eliminado.

A F55 também grava em 4K, enquanto que a F5 só grava em 2K, necessitando do gravador externo AXS-R5 para poder gravar em 4K. Aliás, a vantagem da Sony é criar um eco sistema completamente integrado. O AXS-R5 encaixa perfeitamente na traseira dessas duas câmeras. Um processo elegante e simples que evita o uso das traquitanas obrigatórias com outros fabricantes.

Vale mencionar que esse gravador é essencial para as duas câmeras para poder filmar em 2K em até 240 fotogramas por segundo. Ou seja, uma câmera lenta fenomenal.

Ambas as câmeras oferecem uma latitude de 14 stops, que é superior aos competidores. Isso é realmente fantástico, pois a latitude do filme em película varia justamente entre 14 e 15 stops.

Outro detalhe interessante é que ambas as câmeras vêm com a baioneta FZ da Sony, mas vêm adaptadores PL incluídos como opção para utilizar, diretamente, dezenas de lentes de cinema do mais alto nível .

pmwf5

PMW-F5

• Sensor de 8.9 Megapixels,  tamanho equivalente a Super 35mm

• Faixa dinâmica de 14 stops

• Gravação em MPEG2 Long GOP 4:2:2

• Resoluções 1920 x 1080 em 50i, 59.94i, 23.98p, 25p, 29.97p e 1280 x 720 em 50p, 59.94p

• Obturador de 1/24s a 1/6,000s

• Câmera Lenta XAVC HD/2K: 1-120p (NTSC) em 23.98p, 29.97p; XAVC HD/2K: 1-100p (PAL) em 25p

• Curvas de Gamma: Standard (x6), HG1, HG2, HG3, HG4, HG7 e HG8; S-Log2

• Saída dupla SDI e uma HDMI

PMW-F55

As mesmas especificações acima, com as seguintes diferenças:

• O sensor de imagem, apesar de ter as mesmas características técnicas, não é exatamente o mesmo da F5

• Gravação em XAVC HD: 1920 x 1080 em 23.98p, 25p, 29.97p, 50p, 59.94p; MPEG4 SStP: 1920 x 1080, 23.98p/24p/25p/29.97p; MPEG2 HD: 1920 x 1080 em 50i, 59.94i, 23.98p, 25p, 29.97p; MPEG2 HD: 1280 x 720 at 50p, 59.94p

• Câmera Lenta: XAVC 4K/QFHD: 1-60p (NTSC); XAVC 4K/QFHD: 1-50p (PAL); XAVC HD/2K: 1-180p (NTSC), 23.98p/29.97p com opção XAVC HD/2K: 1-150p (PAL), 25p com opção XAVC HD: 1-60p (NTSC) XAVC HD: 1-50p (PAL)

• Obturador tipo Global Shutter

• Saídas SDI 4K: SDI 1/2/3/4 , HD-SDI/3G-SDI cambiáveis

• Saída HDMI V1.4a em 4K em até 30p

Sony-F5-F55

As duas cameras compartilham o mesmo design e usam um sistema totalmente modular de acessórios que deve ser acionados ao corpo, com algumas opções. Seguem abaixo os vários itens que compõem o sistema e os preços FOB de cada um deles, de lista e loja:

PMW-F5 (corpo): Lista – US$ 19.400 / Loja – US$16,500

PMW-F55 (corpo): Lista – US$ 34.900 / Loja  – US$29,000

Gravador RAW AXR-R5: Lista – US$ 6.300 / Loja – US$5,350

Cartão de Memória 512GB AXS-512S24: Lista – US$ $ 2.100 / Loja – US$1,800

Leitor de cartão AXS-CR1: Lista – US$ 660,00 / Loja – US$550

Visor OLED DVF-EL100 (1280 x 720): Lista – US$ 5.800 / Loja – US$4,930

Visor LCD de 3,5″ DVF-F350 (960 x 540): Lista – US$ 3.800 / Loja – US$3,230

Monitor Full HD LCD DVF-L700 (1920 x 1080): Lista – US$ 5.000 / Loja – US$5,000

Pacote de seis lentes PL Mount SCL-PK6 / F: Lista – US$ 24.600 / Loja – US$20,900

Pacote de seis lentes PL Mount SCL-PK3 / F: Lista – US$ 13.600 / Loja – US$11,500

 

Linha NEX Broadcast

A linha NEX, baseada no formato proprietário NXCAM com compressão AVCHD (MPEG-4), estreou em 2011 com uma camera relativamente bem recebida pela comunidade de profissionais de vídeo digital, a NEX-FS100, com preço de lista de US$6.500. Chamou atenção o uso de lentes intercambiáveis, mesmo que no novo padrão de encaixe E-Mount (também proprietário), e a possibilidade de trabalhar com adaptadores para lentes de outros fabricantes.

Na NAB 2012 foi anunciada a camera NEXFS700, um modelo de design similar à FS100, porém mais completo e com mais recursos, como filtro ND, velocidades de gravação de até 240 fps em Full HD, e caminho de atualização para captação de imagem em 4K. Ela saiu em junho com preço de lista de US$9.200, considerado bastante agressivo para cameras high-speed.

Já em agosto de 2012, a Sony veio com mais outra camera da linha NEX, mas inaugurando uma nova série, com a sigla EA. Conheça abaixo os detalhes:

 

NEX-EA50

EA50_pad

Camcorder quem tem na funcionalidade e design híbridos sua caracteristica mais marcante. Apresenta um único sensor largo APS-C, típico de HDSLRs, com 16 megapixels, e tira fotografias de alta resolução. Possui encaixe de lentes intercambiáveis tipo E-mount mas vem com uma lente zoom elétrica 18-200mm.

Pode ser operada tanto na mão mas vem com um suporte para ombro retrátil. E ainda traz algumas novidades, como um zoom digital sem perda, através de operação de crop no sensor. Existem duas variações de modelo: NEX-EA50H e NEX-EA50K. A primeira vem com uma lente com zoom controlado eletronicamente, enquanto a outra vem com uma lente com zoom manual.

Principais características:

• Sensor Exmor APS-C CMOS 16 megapixel

• Gravação em Full HD em AVCHD a até 28mbps nas cadências 24p/25p/30p/50p/50i/60p/60i fps (também grava em HD 1280p e SD 480i PAL e NTSC)

• Tira fotografias a 16 Megapixels

• Sistema de lentes intercambiáveis E-mount, vem com lentes zoom 18-200mm F3.5-6.3 em opção com zoom controlado eletronicamente (servomecanismo) ou manual, e estabilização ótica de imagem

• Zoom digital sem perda de qualidade

• Saída HDMI limpa com vídeo 4:2:2 8-bit sem compressão

• Visor LCD 3.5″ 16:9 XtraFine (1920 x 480)

• Slot de cartão de memória Memory Stick – SD/SDHC/SDXC

• Módulo opcional de memória flash de 128GB HXR-FMU128

• 2 entradas de audio XLR com Phantom Power

• Não conta com filtros ND

• Suporte de ombro retrátil

• Preço do modelo NEX-EA50H (FOB): US$4.200,00 (lista) / US$3.600,00 (loja na BH)

É outra aposta da Sony para brigar com as HDSLR na captação de vídeo, numa posição de “entry level” da linha NEX. Pelo preço, pode incomodar a concorrência, mas grava em AVCHD e não tem tantos atrativos para além do design híbrido.

• • •

Saindo dos nichos considerados estritamente profissionais, a Sony apresentou novidades na linha de handycam e algumas cameras fotográficas com e sem espelho.

Linha NEX série VG (cameras tipo Handycam)

Dentro da linha NEX, coexistem diversas séries de modelos, a maioria deles para uso considerado não-broadcast. A série VG conta hoje com dois modelos, o NEX-VG30 (que substituiu o VG20), e o NEX-VG900. Ambos vieram da safra do final de 2012.

São cameras mais leves, e caracterizam-se por também trabalhar com lentes intercambiáveis, com encaixe compatível com lentes E-mount. Elas entram no nicho dos produtos chamados “prosumer”.

A maior surpresa da série no ano passado foi o lançamento da VG900, por ser a primeira camcorder com sensor Full Frame que se tem notícia. Ela ainda vem com saída HDMI limpa, e inclui adaptador para lentes A-mount.

Por ter mais possibilidades de uso em aplicações profissionais, vamos nos fixar exclusivamente nesse modelo. Acompanhe abaixo as suas especificações.

NEX-VG900

VG900

• Sensor Exmor HD CMOS 24.3 megapixel 35mm full-frame (35.8 x 23.9mm) – pixels efetivos: 24MP (foto 3:2) / 20.3MP (vídeo 16:9) – inclui Modo APS-C (fator de crop x1.5)

• Gravação Full HD em AVCHD (MPEG-4) 1920 x 1080p / 24 fps (28Mbps) e 1440 x 1080i / 24 fps (9Mbps); gravação em SD – MPEG-2 720 x 480i / 24 fps (9Mbps) – cadências: 1080/60p, 1080/60i, 1080/24p, 480/24i

• Tira fotografias em RAW 24.0 Megapixel, 6000 x 4000 / 10.3 Megapixel, 3936 x 2624 / 4.6 Megapixel, 2640 x 1760

• Sistema de lentes intercambiáveis com encaixe de lente E-mount e compatibilidade com encaixe A-mount com adaptador incluído LA-EA3

• Visor eletrônico Tru-Finder OLED com 2359K pontos

• Visor LCD 3.0″ articulado

• Microfone Quad Capsule e captação de som em Dolby Digital 5.1 / Dolby Digital 2 canais estéreo

• Entrada e saída de áudio minijack estéreo

• Slot de cartão de memória Memory Stick – SD/SDHC/SDXC

• Controle manual completo de iris, ganho e obturador

• Saída limpa de vídeo Full HD 1080 sem compressão via HDMI (conector mini) nas cadencias 24p, 60p e 60i

• Não conta com filtros ND

• Preço do modelo NEX-VG900 (FOB): US$3.300,00 (lista) / US$3.300,00 (loja na BH)

Será que o sensor Full Frame e a saída limpa via HDMI a esse preço, a despeito de suas limitações como a ausencia de conectores XLR para áudio, vai atrair o público profissional mais exigente? Pouco provável. Parece mais uma modelo de identidade indefinida que surge em meio a muitas incógnitas, e que vai agradar mesmo apenas amadores e profissionais fora do circuito broadcast.

 

Linha de cameras HDSLR

Embora a Sony venha tentando penetrar no mercado da HDSLRs, dominado pela Canon, suas tentativas não tem sido muito bem sucedidas e a presença da marca nesse segmento é insignificante. Apostando no prestígio que tem junto aos cinegrafistas tradicionais, a Sony lançou a A99.

Trata-se de ma câmera que tem recebido boas críticas quanto às suas qualidades nas revistas especializadas em fotografia still, mas que não tem tido tanto sucesso na área de vídeo – em parte por diversos exemplares apresentarem imagens em vídeo com pouca definição. Outra reclamação frequente é que a câmera apresenta problemas com moiré.

A tela LCD escamoteável de OLED apresenta uma definição acima da média, com contraste excelente, e é ótima para monitoração mesmo sob luz do dia. E temos que elogiar a Sony, que tem mania de só usar formatos proprietários, por oferecer a opção de um cartão SD alem dos dois Memory Cards (que só a Sony usa).

SLT-A99

A99

A câmera tem especificações realmente interessantes para vídeo, e não deixa de ser uma alternativa para os fiéis seguidores da marca. Entre elas estão:

• Foco automático contínuo em modo de vídeo (com dois sensores de foco independentes)

• Saída de vídeo em HDMI, limpa, para uso de gravadores externos

• Módulo opcional adaptador de microfones profissionais com conectores XLR

• Saída para fones de ouvido

• Controles independentes de volume de audio com visualização na tela de OLED

• Sensor Full Frame de 24.3 megapixels

A câmera também conta com baioneta A-Mount, gravação de vídeo em AVCHD e filmagem em 60p e 60i, além de 24p. O preço do corpo da câmera é US$ 2.780,00 na B&H. Mais barata que a Nikon D800 e a Canon 5D Mark III, mas mais cara que a Canon 6D e a Nikon D600.

 • • •

A quantidade de cameras da Sony, se por um viés mostra um vigor empreendendorista, por outro, dá a sensação de uma certa confusão. Muitos modelos anteriores não tão antigos, que ainda não sairam de linha, poderão ser facilmente engolidos pelos novos.

As faixas de preços não estão mais tão definidas, o que também contribui para deixar o consumidor sem entender bem a relação custo x benefício dos produtos. Tudo isso tende a passar uma idéia de insegurança para o consumidor, que pode achar que seu investimento não vai compensar, e que o fabricante está atirando para todos os lados a esmo, meio perdido.

A situação me lembra a Apple nos tempos do Gil Amelio, que mantinha inúmeros modelos de Macintosh sendo comercializados simultaneamente. Uma das primeiras coisas que Steve Jobs fez quando voltou à empresa foi simplificar as linhas de produtos com praticamente 3 ou 4 máquinas. Será que não cairia bem algo assim para a Sony de hoje em dia?

A criação de inúmeros formatos proprietários certamente também ajuda a confundir ainda mais. Já são pelo menos três formatos de gravação, XDCAM, NXCAM e, agora, o XAVC. Sem contar os encaixes de lentes (setor em que não tem tanta tradição) igualmente proprietários.

A Sony parece que continua achando que o mercado vai segui-la como em outros tempos. Mas a era do Betacam ficou pra trás, e talvez essa não seja a melhor estratégia para o momento atual.

No mais, esse é o cardápio do dia, e vamos aguardar para ver o que a Sony está preparando para esse ano, em especial para a NAB 2013, que já está na bica, faltando menos de 2 meses.

 

Obs.: Esse artigo contou com a colaboração de Paulo M. de Andrade cobrindo as cameras PMW-F55, PMW-F5 e SLT-A99.

 

Gostou do artigo ?

Inscreva-se em nossa Newsletter para receber as atualizações do VideoGuru.

Artigos relacionados
12 5023

O cinema digital nunca viveu um período tão interessante. Se a câmera de cinema digital chinesa iniciou a revolução dos preços baixos, foi a Blackmagic que venceu a corrida e lançou no mercado as verdadeiras câmeras revolucionárias. Agora...
30 6073

Eles são a última novidade do mercado. Monitores bem mais largos que o normal e que oferecem muito mais espaço para trabalhar. Além disso, são perfeitos para reproduzir filmes em formato cinemascope. Com um desses monitores você consegue praticamente o...
4 comentários Nesse post
  1. Como sempre, senhores, excelente artigo. Vou tomar a liberdade de por um link no meu blog para o artigo de vocês! Concordo muito com a parte:

    “A criação de inúmeros formatos proprietários certamente também ajuda a confundir ainda mais. Já são pelo menos três formatos de gravação, XDCAM, NXCAM e, agora, o XAVC. Sem contar os encaixes de lentes (setor em que não tem tanta tradição) igualmente proprietários.
    A Sony parece que continua achando que o mercado vai segui-la como em outros tempos. Mas a era do Betacam ficou pra trás, e talvez essa não seja a melhor estratégia para o momento atual.”

    A Sony realmente se acostumou mal as três décadas de Betacam com hegemonia mundial. É o que dá sentar em cima dos louros da vitória. Não apenas ela, mas a Panasonic e JVC também fizeram o mesmo.

    A verdade é que ficou uma “sopa de letrinhas” enjoada de tomar. Em pouco mais de 10 anos foram dezenas de modelos/sistemas diferentes. As produtoras de vídeo ( principalmente as pequenas e médias que no Brasil fomram a grande base de compradores) que absorvem ( ou absorviam) os modelos com o tal valor simbólico de até US$ 10 mil, não tem mais fôlego para perder dinheiro.

    Nos anos 90 eu vendi um rim para comprar uma D35 Beta, mas usei quase 25 anos o equipamento. De 2002 para cá já troquei de câmera umas 10 vezes. Desisti. Passei para as DSLR, mudei meu foco de trabalho e passei a contar mais com locação de terceiros para montar meus sets. DEi muita grana para a Sony.

    De todos os modelos que vocês descreveram tão bem no artigo, tenho indicado no meu blog a NEX-EA50H para ENG iniciante e agora a PMW 200 para o nicho de usuários com perfil de EX3. No mais, ou é DSLR ou alugar RED quando o serviço tem orçamento compatível ou esperar os primos chineses inundarem o mercado com a Kine35mm.

    Afinal, se for para ficar trocando de câmera de ano em ano, pelo menos, pagar US$ 7 mil por uma genérica tipo RED é mais palatável.

    Grande abraço!

    Marcelo Ruiz

    • Marcelo, por tudo que ela sempre representou, estamos todos curiosos para ver como a Sony se reinventa (ou não) nesse novo momento. O que não quer dizer que a gente vai comprar. 😉 E mais uma vez, valeu pela satisfação de te ver por aqui, acompanhando os posts, compartilhando links, e comentando de modo que enriquece ainda mais o post. Abs!

  2. amigos nao tenho, cameras de alta qualidada igual vcs falam ,minhas cameras sao uma hd 1000 , e por ultimo agora comprei uma panasonic fulç hd 1920 x 1080, queria umas dicas se pode contar com vcs, estou a usar o editor pinnacle studio hd versão 15 mas estou tendo problemas nas edições com travamento do programa e demora meu pc , pra mim e dos bons um core i5 e gostaria da opinião qual estudio devo usar corretamente pra nao ter este tipo de problema alguem saberia me orientar muito obrigado desde já pela atenção aguardo resposta obrigado .

    • Marcio, por favor, mande suas dúvidas para os tópicos e categorias adequadas do fórum, assim mais gente pode te ajudar.

Deixa seu comentário

GALERIA

1 5017

A interação entre ação viva e animação tem sido explorada ao longo da história do cinema, com muitos exemplos dos estúdios Disney e o inesquecível "Uma Cilada para Roger Rabbit", dirigido por Robert Zemeckis. O resultado, em geral, é estimulante. Pensando bem, a idéia...
8 5479

Esse vídeo fantástico, feito na Rússia para o lançamento de um projeto imobiliário, foge totalmente dos padrões tradicionais e utiliza a fantasia, com imagens incríveis, no lugar do uso tradicional de plantas e animações dos prédios em computação gráfica....
1 6127

Há algum tempo, publicamos um post com um vídeo do editor Piu Gomes, criado para responder a essa pergunta essencial para quem quer entender a linguagem audiovisual: o que é montagem? Também publicamos, há mais tempo ainda, outro post chamado...