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O que está acontecendo com a Avid?

Passados mais de vinte anos do lançamento da sua primeira versão, o Avid Media Composer continua indiscutivelmente entrincheirado e muito prestigiado nos nichos de pós-produção para TV broadcast e cinema.

Também é sabido que, além dele, a Avid tem vários outros produtos consolidados e líderes de mercado, entre os quais o excelente ProTools, em soluções para as áreas de áudio e música, edição e finalização de vídeo digital, broadcast, jornalismo e workflow colaborativo.

O que preocupa, no caso da Avid, não é tanto a qualidade ou aceitação dos seus produtos ou mesmo a necessidade de aperfeiçoamento e atualização deles, mas o modelo de negócios da empresa, que está dando sinais claros de esgotamento não é de hoje.

Os problemas começaram com o surgimento do Final Cut Pro, forçando uma transição do modelo de dispendiosos sistemas de edição baseados em software+hardware proprietário, a especialidade da Avid, para um modelo de sistemas acessíveis baseado em software+hardware de terceiros.

Ela tentou se contrapor a esse movimento fazendo apostas erradas nos nichos semi-profissionais e domésticos, com a aquisição, por exemplo, de toda uma linha de produtos para edição da Pinnacle, que deu num tremendo insucesso de vendas.

Como resultado, a Avid, que dava as cartas no modelo anterior e que ficou insistindo nele, passou a registrar perdas líquidas anuais sucessivas desde 2005.

É verdade que as perdas foram ficando menores a partir de 2010, caindo de US$198 milhões em 2008 para US$ 21 milhões em 2011, mas isso se deu em boa parte à custa de manobras de gestão de custos das receitas e despesas operacionais, e não tanto por conta de aumentos de receita.

A alienação recente dos negócios de audio e vídeo para os mercados doméstico e semi-pro que havia adquirido, terá algum impacto sobre a receita de 2013, mas fica a dúvida de onde poderá vir um aumento de receitas consistente e continuado a partir de uma melhora efetiva nas vendas.

O problema é que os nichos high-end, em que sempre foi forte e nos quais volta a focar, apresentam um potencial de crescimento modesto, mesmo com a saída de cena do FCP7, seu mais duro concorrente.

E a Avid precisa de mais do que um leve crescimento de vendas para bancar os altos custos de pesquisa e desenvolvimento de produtos de ponta para poder continuar no jogo.

O caminho estratégico escolhido pela empresa tem sido o de sucessivos planos de reestruturação, com alienações e demissões da ordem de 15 a 20%, juntamente com trocas de comando, como a recente, que substituiu o antigo CEO Gary Greenfield pelo um de seus diretores, Louis Hernandez.

Mas parece que a margem de manobra da Avid está encurtando ao passo que escasseia o fôlego para ações mais radicais de inovação, criação e aquisição de produtos.

A noticia ruim mais recente veio de um comunicado da empresa dizendo que estava adiando indefinidamente a divulgação dos resultados financeiros relativos ao quarto trimestre e ao ano de 2012, que era para sair em fevereiro de 2013.

A justificativa foi de que ainda era preciso fazer mais cálculos considerando alguns aspectos dos seus negócios ainda não avaliados de modo apropriado e que poderiam influir nas contas.

A NASDAQ reagiu firmemente, enviando uma carta formal à empresa avisando que ela poderá ser retirada da lista de empresas que figuram no pregão de ações NASDAQ Global Select Market. Isso seria absolutamente desastroso.

Os dirigentes da Avid afirmam haver dinheiro em caixa suficiente para evitar o pior, mas qualquer deslize nesse processo de recuperação pode conduzir a empresa à um beco cuja única saída seria a sua venda.

Enquanto isso, no vácuo da saida de cena do FCP7,  a Adobe também está, com o perdão do trocadilho, “ávida” para ocupar esse espaço e trabalhando duro para isso.

E a Apple, com o FCPX, não está morta nesse setor, pelo contrário. Está mirando numa expansão explosiva do mercado produção de conteúdo audiovisual e em e novas gerações de editores profissionais, que irão precisar de ferramentas poderosas, porém mais simples e ágeis.

Ainda há o Sony Vegas para a plataforma PC, que tem lá os seu adeptos numa quantidade considerável, e o LightWorks, que está ressuscitando e chegando quase de graça para as plataformas Linux e Mac OS.

Só agora recentemente, com a versão 6.0 do Media Composer, que a Avid decidiu flexibilizar um pouco o modelo de negócios para o seu principal produto, permitindo-o trabalhar com hardware de terceiros ou até sem hardware adicional, aceitando melhor formatos de vídeo que não o seu, e baixando o preço do produto num patamar um pouco mais razoável.

Mas seu programa continua com uma interface considerada antiquada por muitos, e necessitando , possivelmente, de outras inovações de modo a torna-se mais atraente para um contingente maior de jovens editores.

É aí que surge o dilema, e o Media Composer fica numa espécie de “cobertor curto”.

Se inova além de uma certa medida, corre o risco de descontentar seu público fiel mas conservador, que quer  “cavalos mais rápidos” e não automóveis; se inova pouco, pode não sensibilizar as novas gerações, que estariam esperando por ferramentas mais modernas.

Todos nós estamos atentos para ver como as coisas vão se desenrolar para o lado da Avid. A aproximação da NAB 2013 sempre cria a expectativa de novidades. Vamos ver o que vem por aí.

Uma coisa é certa, a Avid precisa fazer mais esforços para se reinventar como empresa e alterar seu rumo. É isso que todos esperam dela nesse momento.

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9 comentários Nesse post
  1. oi joão,

    acho perigoso as palavras “moderno” e “conservador”. Na verdade tenho duvida sobre elas…. Moderno = melhor ? abs

    • Oi Pedro. O sentido de moderno que quis dar nessa parte do texto tem a ver com inovações de funcionalidade e interface, que poderiam contribuir para atrair jovens editores e o pessoal que está vindo do FCP clássico.

      Para esses, esse sentido de moderno representaria algo percebido como melhor.

      Mas eu reconheço que algumas dessas possíveis inovações, especialmente de interface e workflow, pelo menos para os usuários mais antigos e por isso naturalmente mais conservadores, podem realmente representar algo não necessariamente melhor.

      É nesse ponto que surge o dilema que apresentei. Como inovar uma ferramenta na medida certa para ser atraente para novas gerações sem desagradar os mais antigos, que já estão acostumados com ela?

  2. Eu acho que o problema do Media Composer em relação ao FCP e Pr por exemplo, é justamente a criação de uma pré-configuração antes do projeto. Enquanto no FCP e Pr, isso é facilitado para o editor, outro exemplo é a questão de modificar as configurações da timeline e field após criar o projeto e sua sequência.

      • não é uma ferramente… o AVID é praticamente uma extensão do corpo do editor. Pergunte isso a qualquer editor de AVID. A coisa é muito séria . rs
        😉 Abraços

  3. Avid Media Composer é a melhor ferramenta para montadores. Possui a interface mais intuitiva e o insuperável Trim Mode, além de outros recursos simples e excelentes, feitos para quem exige uma ferramenta mais precisa. Espero que não mudem a interface, na tentativa de ficar mais “moderno”, seja lá o que for isso. Falta compatibilidade com sistemas de MAM de outros desenvolvedores e maior agilidade de ingest para múltiplos formatos.

    • A sua opinião, certamente, representa a corrente dos que já utilizam o AMC, totalmente dentro do esperado e confirmando o que diz o artigo. Valeu pela participação.

  4. Sinceramente, Avid é Avid! Não é perfeito, mas é surpreendente… Mudar a interface já é provado que agrada a uns e desagrada a outros como diz no texto. O próprio Premiere CS6 vem tendo comentários de que está com a interface “quase” igual ao FC, uns acham bom (principalmente os fanáticos por Apple, pelo fato da Adobe também trabalhar nessas plataformas) e outros acham que não precisava. Quanto a produto de terceiros a própria Adobe tem esse problema com as placas de vídeo onde não se consegue a sonhada aceleração com outras marcas e modelos.
    Para mim é isso que deveria mudar em todos os programas de edição. Trabalhar com produtos fechados onde se fala todo dia de “globalização” é que incomoda e dificulta. Acontece com câmeras com vários formatos agora um pouco amenizado com o H264, onde até a Sony (que para mim é recordista de produtos fechado) passou a lançar produtos com o AVCHD e a opção de mídias SDHC ao invés do Memory Stick que só eles usam. Se a Sony já está fazendo isso (pelo mesmo problema de receita, com vendas caóticas), acredito que outros o farão também, ou vai ficar feio o negócio para eles. Não duvido daqui a algum tempo lançarem um Final Cut para PC! É um querendo dar uma garfada no prato do outro, e para mim isso seria o ápice da alegria em termos de programas para edição.

    Acho que não se deve trabalhar em um só programa se tem um monte disponível. O que tem em um não se encontra em outro. Melhor ver o que se vai fazer e abrir no programa que vai lhe atender melhor. A minha torcida está para todos que aceitem trabalhar em aberto, compatível com todos. Isso é avanço. Se falam tanto de democracia, porque fazer uma ditadura tecnológica.

    Só espero que o Sony Vegas pro seja considerado “profissional” um dia para as grandes produtoras. Assim seria visto com outros olhos, porque para muitos ele já é uma grande ferramenta profissional e como todas as outras precisa de umas melhorias (principalmente em velocidade), coisas que todos os programas estão sempre tentando resolver.

    Me desculpe minha humilde opinião, Abraço a todos e parabéns pelo Blog.

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