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Painel do Sundance 2014 recomenda cineastas independentes a não filmarem em 4K

Um painel de profissionais de pós produção do Sundance 2014 reforça a opinião do VideoGuru e de vários profissionais internacionalmente renomados que filmar em 4K dá muito mais dores de cabeça do que oferece vantagens.

Uma matéria publicada no site mentorless.com resume o vídeo gravado do painel, que foi formado por Mike Jackman (Co-diretor da  NYPA  e vice-presidente executivo de pós-produção da FilmNation Entertainment), Guenter Noesner (ARRI), Jennifer Lane, (supervisora de pós produção baseada em NYC) e Paul Rachman (Cineasta e organizador da Slamdance ).  Aqui estão três razões porque eles pensam que 4K não faz nenhum sentido para um cineasta independente no momento (vale mencionar que no mercado americano o cinema independente é o realizado sem o apoio dos grandes estúdios e conta com produções de até dezenas de milhões de dólares):

1 – Ninguém nota a diferença

Sim, como já foi mencionado por muitos experts e por nós, no Videoguru,  mesmo se você filmar em 4K, ninguém será capaz de ver que é 4K . Por quê? Duas razões: se você assistir a um filme rodado em 4K em um cinema ou em casa, há uma distância muito específica que você precisaria para apreciar o seu efeito pleno. No cinema só algumas pessoas conseguem notar alguma diferença nas primeiras 3 ou 4 fileiras. Daí para trás é impossível. E, em casa, seria necessário sentar absurdamente perto de uma TV de no mínimo 65 polegadas para poder notar a mesma diferença. E se você assistir em seu computador, tablet ou telefone, o que acontece cada vez mais hoje em dia… Bem, você pode adivinhar a resposta para isso.

A outra razão, mencionada por Guenter Noesner, é que o olho humano não percebe realmente 4K como uma melhora na imagem: “Um aspecto que nós achamos que nunca é realmente discutido é o que percebemos como mais bonito. Esta tecnologia 4K está vindo da indústria de equipamentos a partir de um ponto de vista unicamente tecnológico. Não é realmente o que nós, seres humanos, podemos perceber como a melhor escolha.”

2 – Vai comprometer o seu orçamento e tomar mais tempo

Um grande erro, muitas vezes cometido por cineastas independentes, é que a pós-produção é deixada de lado ou mal calculada durante o orçamento. E o pior é que a pós-produção pode melhorar muito ou acabar com um filme. Muitas vezes pensamos em pós-produção como o momento em que fazemos a edição, a correção de cores, design de som e trilha sonora.  Mas é também o momento em que os arquivos são processados​​, exportados e cópias do seu filme são feitas, digitalmente ou em filme,  para a distribuição. Não existe venda de seu filme para distribuidores  se você não puder fornecer os arquivos necessários no formatos certos . E aí  quando um monte de cineastas independentes passam sufoco.

Um dos principais problemas do 4K para um cineasta independente  é o tamanho dos arquivos: muito pesados. “2k é um formato fenomenal e, como um cineasta independente, eu não consideraria mesmo 4k . É uma enorme quantidade de armazenamento, enorme quantidade de HDs. Tudo vai demorar mais tempo para fazer. É um processo bem mais difícil.”, diz a supervisora de pós-produção Jennifer Lane.

3 – O lado da exibição não tem como cumprir sua parte (ainda)

Outro ponto  interessante é que os palestrantes deixaram claro que, hoje em dia , 4K foi mais um golpe de marketing da indústria de equipamentos porque o 3D não deu certo do que um verdadeiro passo à frente para o público. Ambos Amazon e Netflix compraram  o argumento de 4K , mas aqui está o que Guenter Noesner tem a dizer: “Melhoras têm sido feitas na velocidade de fluxo de dados. Apesar disso, empresas de streaming só podem entregar entre entre 6 a 60 Megabytes por segundo, enquanto a entrega 4k é de 6.000 Megabytes por segundo. ” Isso fica claro quando se compara a imagem de um filme em Full HD vinda de um serviço como o Netflix com a de um disco BluRay. A definição da imagem online, por causa da compressão, é mais próxima da imagem 720p do que 1080p. Dizem alguns experts que as imagens em 4K desses serviços têm a definição mais próxima de FullHD do que de 4K. “Não seria melhor obter uma imagem melhor em Full HD do que obter uma imagem 4k onde você está recebendo menos do que o ideal porque estamos comprimindo-a ?” Faz todo sentido! Só que,  para algumas empresas, interessa promover o 4K como novidade e um “algo a mais” contra as concorrentes, embora na prática não haja melhora alguma em relação ao FullHD de alta qualidade.

Por último, mas não menos importante, aqui estão algumas informações adicionais que valem a pena ser mencionadas:

  • 4K não é um requisito para um filme em acordos de distribuição . E (boa notícia ), 35mm está se tornando uma discussão .
  • Jennifer Lane recomenda que você faça um teste de seu filme em diferentes formatos (ProRes, 2K , 4K ), e peça ao laboratório para não lhe dizer qual formato eles estão projetando. Assim você poderá ver, imparcialmente, qual formato parece o melhor para a sua história. Em diversos testes que ela realizou dessa forma, a grande maioria preferiu a imagem 2K à 4K.
  • Contrate um supervisor de pós-produção durante a pré- produção, por alguns dias, para se certificar de que você sabe e entende o que são os requisitos básicos para a finalização de um filme que você possa vender e distribuir sem problemas.
  • Película ainda é a única forma segura de garantir que a sua história vá sobreviver com o passar do tempo. Sabemos disso, mas vale sempre a pena repetir:  película garante que o seu filme vá sobreviver cerca de 150 anos . Discos rígidos : 5 anos (com sorte, um pouco mais). Se o seu filme só é salvo digitalmente isso significa que você precisa, para ficar atualizado com todos os novos codecs que saem, transferir constantemente o seu filme para esses novos codecs , certificando-se que isso é feito usando a  menor compressão possível para minimizar a perda de dados ao longo do tempo. Portanto, se possível, faça um transfer do seu filme digital final para película.

Quanto ao 4K, por que comprometer o seu orçamento para filmar em 4K quando 2K é mais do que suficiente? Existem diversos cineastas independentes que acreditam ser absolutamente necessário filmar em 4K na RED para que seus filmes sejam levados a sério. Mas, como disseram todos os membros do painel: a história é o que importa em primeiro lugar.

Guenter Noesner reforça que o movimento pró 4K tem origens no mercado dos fabricantes de equipamentos domésticos, que têm o maior interesse econômico de tornar todas as TVs, DVDs e BluRays “obsoletos”, forçando o consumidor a comprar tudo de novo. No entanto, mais de 90% dos longas de alto orçamento são filmados e/ou finalizados em 2K porque esse é o formato considerado ideal para a visão humana. Segundo Guenter, seria necessário sentar a 28 centímetros de distância de uma TV típica para poder enxergar alguma diferença em 4K.

Alguns testes às cegas comprovam que o público aprecia muito mais uma imagem de qualidade do que uma imagem com mais resolução. É por isso que a ARRI Alexa é a câmera mais usada e cobiçada tanto no cinema quanto nas séries de TV mais sofisticadas. A ARRI conseguiu produzir uma imagem extremamente cinematográfica e não tem planos imediatos para um câmera 4K por não acreditar na qualidade atual do formato. Enquanto isso, o público não gostou de imagens feitas em 4K sem a mesma textura cinematográfica.

Vale mencionar ainda que até mesmo a famosa trilogia Hobbit, filmada em 4K por Peter Jackson, está sendo finalizada apenas em 2K devido aos custos exorbitantes de uma finalização desse porte em 4K. E isso gerou um caloroso debate entre profissionais de pós-produção mundo afora. Porque se um filme é rodado em 4K “para garantir compatibilidade com o futuro”, refazer toda a pós em 4K (o que inclui também os caríssimos efeitos especiais), no futuro, é algo praticamente inviável, mesmo para os blockbusters de maior sucesso.

O que anda acontecendo é que esses masters 2K estão sendo (e continuarão sendo no futuro, caso o 4K pegue) convertidos para 4K, nos raros casos em que o formato é solicitado, e o consumidor, incauto, acha que existe uma diferença. É mais um fator psicológico do que qualquer outra coisa, já que a definição da imagem permanece a mesma.

Vale a pena assistir o vídeo do painel, abaixo (em inglês). Em breve publicaremos uma matéria sobre a TV de alta latitude, que muitos experts consideram muito melhor que o 4K e que está sendo apoiada por empresas sérias como a Dolby.

Leia mais artigos sobre 4K clicando nos seguintes links:

2K, 4K, KKK… Parte 1
2K, 4K, KKK… Parte 2
4K – A confusão continua
Philip Hodgetts confirma a opinião do VideoGuru: 4K está sendo usado apenas para vender mais equipamentos.

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35 comentários Nesse post
  1. Fluxo de trabalho ACES e armazenamento em fita LTO são boas soluções para o armazenamento digital frente ao alto custo do transfer para filme de 35mm. Durabilidade de mais de 30 a um custo relativamente pequeno.

    • Luiz, infelizmente tenho que concordar com os membros do painel de Sundance. Duvido muito que o LTO dure 15 anos. Já existem relatos de vários problemas. É um sistema mecânico e magnético, sujeito a diversas falhas. Meus backups de DAT de dados com 10 anos já não montam mais, e o sistema era considerado o LTO da época. O LTO é realmente um sistema econômico para curto prazo, mas seria muito prudente passar para sistemas mais modernos assim que eles forem surgindo. Sem contar que as fitas devem ser muito bem armazenadas pois podem mofar, ser desmagnetizadas, encolher ou esticar com variações de temperatura, etc. Lembre-se que os fabricantes de DVD garantiam uma vida útil de 100 anos e a mídia raramente dura 10.

      O que você sugere é um ótimo sistema para o presente, mas o pessoal do painel sugere a película pensando no futuro. Afinal, um filme com 100 anos funciona em qualquer projetor. Uma fita com 30 anos de idade pode ser impossível de reproduzir. Esse é um problema grande para quem realmente quer preservar seus arquivos. É por isso que afirmam ser necessário atualizar o material para novos codecs e formatos, pois é um problema real vivido por quem tem arquivos digitais mais antigos.

      Claro que nem todos têm verba para fazer um backup em película mas, como o artigo menciona, produções independentes lá fora podem ter orçamentos de dezenas de milhões de dólares e uma cópia em película significa um custo irrisório opara preservar tal patrimônio. Para a nossa realidade de cineastas independentes de terceiro mundo, dificilmente podemos bancar a cópia em película. Aí temos que usar múltiplos HDs e/ou LTO. Mas devemos sempre preservar ao máximo e atualizar o material, pois realmente nada garante sua compatibilidade futura.

    • Obrigado, Rodrigo. Se você ainda não leu nossas outras matérias sobre 4K, vale a pena ler.

    • Acho que o futuro vai ser a volta ao passado. Ou seja, um ou outro filme vai ser rodado em 3D, de tempos em tempos.

  2. Grande Paulo!

    É impressionante ver alguém com o seu nível de conhecimento se dispor a responder às mais variadas qualidades de perguntas, mesmo às mais simples. Parabéns, e muito obrigado. Tem sido de grande valia os textos do VídeoGuru.

    Algumas dúvidas:

    1. Você acha que seja um momento para investir em placas ATI Firepro para uma estação de trabalho Windows? Me baseio no fato da Apple ter adotado este modelo no novo Mac Pro, fazendo com que a indústria de softwares adapte suas soluções para trabalharem também com a tecnologia AMD. O próprio Grant Petty disse ter sido acertada a decisão da Apple, e que após adaptações o Resolve tem tido excelente resultados com o Mac Pro.

    2. Acha o seguinte painel um bom investimento, principalmente para principiantes na gradação de cor?

    Tangent Devices Wave Panel
    http://www.bhphotovideo.com/c/product/571637-REG/Tangent_Devices_WAVE_Wave_Panel.html

    3. CURIOSIDADE: Qual a maior diferença entre softwares como Premiere e Final Cut para outros bem mais caros, como Nukex, Smoke, Avid e Edius? Em quais deles são feitos os blockbusters?

    Desde já agradeço.

    • As placas ATI Firepro estão muito rápidas para o DaVinci e o Final Cut Pro X no Mac com o sistema Mavericks. Mas as nVidia ainda ganham se você for trabalhar com os aplicativos da Adobe. Portanto, tudo depende do que você vai usar.

      O Tangent Wave é um painel excelente e seu uso acelera o trabalho no Resolve em 10x comparado com o mouse. Sem contar que algumas poucas funções só são acessíveis com um painel.

      Premiere e Final Cut não tem nada a ver com Nuke e Smoke. Mas Avid e Edius são seus concorrentes diretos, pois ambos também são programas de edição. Nuke é um porgrama para efeitos especiais e compositing, enquanto que o Smoke é um programa para finalização. Suas funções de edição são para trabalho online, que é diferente de um trabalho de edição mais complexo, desde a organização inicial até o corte final.

      A maioria dos blockbusters são editados no Final Cut ou no Avid. Nuke é muito usado nos efeitos especiais. E o Smoke é usado em alguns, na finalização. Embora ele tenha ferramentas de cor razoável, a maioria dos blockbusters tem a cor feita no DaVinci Resolve, no Baselight ou no Scratch.

  3. Olá Paulo,

    Ótimo o seu artigo, claro e direto.
    Essa corrida 4K, 5K, 6K, 8K sempre me pareceu uma jogada de marketing, que seu artigo demostrou muito bem.
    Acabei de filmar e finalizar meu primeiro longa em Full HD, e não tive nenhum comentário pela distribuidora sobre em que formato foi filmado…
    Uma das justificativas de muitos realizadores é a possibilidade de “cropar” um take e ainda assim manter uma qualidade, eu pessoalmente, até o momento, prefiro refazer o take com outra lente ou mesmo aproximar a câmera do objeto, isso dá outra perspectiva quanto ao enquadramente e profundidade…

    abraço,
    Jean

    • Jean, concordo 100% com você. Um plano mais fechado tem uma ótica totalmente diferente de um plano cropado, que sempre fica ”chapado”. Me dá arrepios quando alguém de diz que quer filmar em 4K pra só precisar fazer os planos gerais e cropar os fechados na pós.
      A diferença de FullHD para 2K é irrisória, portanto não há o que temer quanto à qualidade. O importante mesmo é o conteúdo e o capricho da equipe inteira na confecção do filme.

      • Paulo,

        A sua resposta foi tranquilizante pra mim. Depois de ler inúmeras matérias sobre 4k, fiquei inseguro em iniciar as gravações de um documentário em full hd, mesmo tendo uma boa câmera e um ótimo conjunto de lentes. Obrigado e parabéns pelo excelente trabalho.

  4. Excelente artigo. Já faz um tempo que eu penso em filmar somente em 2k. O que acho interessante é que a própria indústria do cinema não apóia o 4k, o que pode frear esse ímpeto dos fabricantes de tentar empurrar algo que não precisamos. Acho uma pena que a Blackmagic parou de melhorar a câmera 2k, pois se eles investissem mais nela, certamente teríamos uma excelente câmera 2k num futuro bem próximo.

    • Sergio, a Blackmagic já anunciou que um novo firmware para a câmera 2.5K sairá em breve. Eles não abandonaram a c0âmera e o próprio Grant Petty afirma que a imagem dela é melhor que a da 4K. Creio que a 4K tenha sido lançada mais para eles não ficarem para trás nesse frenesi mercadológico dos 4K. Ainda bem que a Arri, que fabrica a melhor câmera de cinema digital da atualidade, não embarcou nessa, ainda.

  5. Muito bom e esclarecedor seu texto, mas ao meu ver, existem alguns exageros. Um deles eu gostaria até de discuti-lo aqui: como assim a película é uma maneira mais eficaz de guardar seu filme? E que HD é esse que dura 5 anos? Até onde eu sei a pelicula revelada demanda todo um estado de conservação para que dure essa eternidade, enquanto que um HD com uma boa case protegendo-o ficaria bem guardado em qualquer condiçnao climática. Isso na questão física da coisa. Na questão digital, não acredito que necessitamos estar convertendo-o de codec pra codec de tempo em tempo. Qual seria a finalidade disso?
    Abraço

    • Bruno, já tive 3 HDs dando problema ao mesmo tempo (um principal e dois de backup). Dois deles muito bem armazenados em ambiente seco e refrigerado e outro armazenado pelo cliente. E, pelo jeito, é um acontecimento bem comum, pois muntos colegas passam frequentemente pelo mesmo problema. Os HDs modernos não estão baratos à toa. Conversei com um técnico de uma firma de recuperação de dados e ele me disse que problemas com HDs se tornaram uma epidemia pois os componentes utilizados são cada vez mais vagabundos. Mesmo comprando HDs caros, invariavelmente eles acabam quebrando. Essa é uma das razões pelas quais não se deve confiar plenamente em HDs. Esse técnico recomendou 4 cópias, por medida de segurança, armazenadas em locais diferentes. E recomendou ligar os HDs a cada 3 meses, pois se ficam muito tempo parados as cabeças podem emperrar e os contatos podem oxidar. Mesmo assim, com a mudança de sistemas operacionais, placas de computador, encaixes, programas e codecs, existe uma chance de que seu HD não funcione perfeitamente daqui a alguns anos. Eu tenho backups em DAT de dados que já não montam mais (eram considerados super confiáveis), depois de 10 anos. E os DVDs, que foram anunciados para durar 100 anos também não são nem um pouco confiáveis, tendo dado problemas após alguns anos deviso ao pigmento.

      O pessoal do painel recomenda a película com razão, pois o processo de reprodução é absolutamente confiável por ser mecânico. Você pode pegar um filme com 100 anos de idade e jogar em um projetor moderno que ele vai rodar. E as condições de conservação são as mesmas de um HD. Sem contar que dá para restaurar negativos ruins. Eu mesmo restaurei um documentário cujo negativo ficou perdido durante anos em um depósito com as piores condições possíveis – muito calor, umidade e poeira. Depois de lavado e escaneado, as cores foram recuperadas e os problemas com a emulsão consertados. E o filme ficou melhor que quando novo graças aos novos recursos digitais. Já a cópia do filme em fita U-Matic não servia para nada.

      Quanto a converter os CODECs, é necessário, sim. Tenho animações feitas em formato Silicon Graphics que já não é aceito em qualquer sistema. Com a evolução rápida dos computadores e programas, nada garante que o que é padrão hoje continuará sendo amanhã. Daí é sempre bom fazer as conversões. As redes de TV americanas sempre convertem seus arquivos para os formatos mais recentes. Os programas em fita de 2 polegadas (Quadruplex) passaram para 1 polegada, Beta Digital, etc. Se não fosse assim, estariam perdidos hoje em dia.

      Claro que nem todos têm verba pra fazer uma cópia em película. Nesse caso, o jeito é usar HDs, mesmo, e/ou LTO. Mas este último também tem seus problemas e é como o DAT de dados. Nada garante que daqui a 10 anos vá montar. A película ainda tem a vantagem de sobreviver a enchentes, quedas, etc. É por isso que ainda é utilizada para arquivar, principalmente lá fora.

  6. Muito obrigado, Paulo.

    Mais algumas coisas:

    1. O Nuke é melhor que o After Effects?

    2. O Premiere Pro CC deixa muito a desejar em relação ao Avid e ao Edius?

    3. Para quem pretende trabalhar com Premiere e Resolve é realmente necessária uma placa de vídeo de classe workstation? A diferença de desempenho para vídeo é muito grande, ou é realmente percebida somente em aplicativos de modelagem 3D? Todos os comparativos que vejo entre Firepro e Quadro são em programas 3D.

    Mais uma vez, agradeço sua paciência e dedicação. Vai longe este blog.

    • Pedro, dizer que um software é melhor que o outro é algo muito complicado pois depende de vários fatores como o uso principal, experiência presente e anterior, orçamento, máquina em que vai rodar, nível de dedicação, etc. Tem gente que adora o Avid, por exemplo, e outros detestam. O mesmo com o Final Cut, Premiere, etc. Respondendo à sua pergunta, especificamente, o Premiere CC é um programa bastante capaz que está crescendo muito no mercado. Nas mãos de um bom editor ele é tão capaz quanto qualquer ferramenta dos concorrentes. Claro que um programa sempre tem alguns recursos que o outro não tem. E esse é um dos fatores que entra na preferência pessoal e que também abre o mercado para todos. Mas se você está começando e quer escolher um programa, o Premiere é uma ótima opção.

      O Nuke é um programa muito poderoso para efeitos especiais que usa uma interface muito mais complexa, porém mais livre. É o programa mais usado para efeitos complexos de filmes de alto orçamento, hoje em dia. Mas também é um programa muito difícil e especializado que eu não recomendaria para ninguém sem experiência nesse meio. E também não é um programa que se preste bem para motion graphics (embora seja possível fazer nele). O After Effects é um programa muito bom, também largamente utilizado, e um pouco mais versátil porque se presta tanto para efeitos quanto para motion graphics. Embora não tenha alguns dos recursos mais sofisticados do Nuke para efeitos, ele custa bem mais barato e é muito mais fácil de aprender e usar. Além disso, é totalmente integrado ao sistema CC da Adobe, o que permite, por exemplo, que o Premiere mande uma sequencia diretamente para o After e que essa sequencia continue ligada ao Premiere. Isso facilita muito a vida pois não há a necessidade de exportações e importações complicadas entre programas.

      O Resolve exige uma máquina bem parrudinha pra funcionar. Embora exista a versão gratuita do programa, ela descende diretamente de um sistema que antes custava 250 mil dólares. E, consequentemente, exigia o uso de hardware específico. É um programa extremamente sofisticado capaz de trabalhar em tempo real fazendo operações muito complexas. Com a evolução dos computadores pessoais, os sistemas mais sofisticados agora rodam bem o Resolve. Mas você precisa de uma máquina potente com um bom RAID, bastante memória e uma placa gráfica, de preferência, de nível workstation ou topo de linha de nível de jogos (que muitas vezes são mais rápidas que as de workstation). A versão 10 do Resolve, por exemplo, tem como requerimento mínimo para FullHD uma placa com 2GB de memória e, se desejar usar os efeitos OFX ou trabalhar em 4K, um mínimo de 4GB de memória. Além disso, também precisa de uma placa específica para saída de vídeo no padrão Rec.709 e um monitor de referência também padrão Rec.709. Sem essa saída o programa é praticamente inútil para qualquer trabalho sério. Sem contar que um painel de controle também é altamente desejável para um aplicativo desse nível.

    • Flávio, o artigo que você menciona na verdade reforça o ponto de vista do painel, pois afirma que a ARRI está desenvolvendo a câmera a contragosto só por precaução, mas é contra a pressão atual de vender 4K aos usuários pois o formato não traz nenhuma melhora real na qualidade das imagens.

      E onde é que a Sony F65 sacudiu o mercado? A câmera tem uma penetração irrisória e tem sido criticada pela cara de TV das imagens. Tecnicamente ela é excelente, mas as imagens não convenceram os melhores diretores de fotografia de Hollywood. Veja a lista do Oscar desse ano. Só dá Alexa.

      • Fala Paulo, realmente o artigo mostra que a Arri se vê forçada a colocar uma câmera 4K no mercado e pelo jeito parece que finalmente vai fazer isso. Pelo menos eles foram sensatos e não lançaram antes como mencionado ali, apenas achei estranho ler no teu texto que eles não tem planos de fazer uma câmera 4K.

        O que eu quis dizer sobre a F65 foi por ter trazido uma câmera verdadeiramente 4K, talvez sacudir o mercado não tenha sido o melhor termo nesse caso.

        Aproveitando gostaria de parabeniza-lo pelos artigos sobre câmeras 4K, concordo que existe uma precipitação em colocar esse novo padrão no mercado. Sou professor de uma universidade federal que montou um laboratório de aquisição de imagens baseado em red scarlet, comprado em parte seduzido pelo marketing do 4K, em parte pelo custo reduzido das câmeras que deve ter sido perdido na compra de 4 placas red rocket. Eu preferia que tivessem se baseado nas Alexa, porém acredito que o custo inicial da câmera deve ter assustado. Pelo menos está sendo interessante fazer pesquisas em torno do workflow e de todos os problemas que acompanham a edição e finalização em 4K. Pior é que tem gente querendo investir em 6K…

        Uma dúvida que eu tive lendo seus artigos: a existência de câmeras que não são true 4K não aconteceu também nas câmeras full HD? Eu lembro que tinham câmeras 720P com qualidade melhor que muitas vendidas como 1080P.

        Parabéns pelos textos novamente, acompanharei sempre.

        • Olá Flavio, o Guenter Noesner disse que a ARRI não tem planos “imediatos” de lançar uma câmera 4K. E isso é aparente até porque havia muitos rumores que a ARRI ia lançar uma câmera 4K na IBC no terceiro semestre do ano passado e, em vez disso, lançou a Amira. Esse ano, na NAB, novamente circularam os rumores de uma câmera 4K (e possivelmente mais) da ARRI. Mas a empresa alemã continua não vendo motivo imediato para lançar uma câmera 4K. Como se diz, em que time que está ganhando não se mexe.

          A qualidade de uma câmera depende de inúmeros fatores mais importantes que a resolução. É como se uma GoPro 4K fosse superior a uma Blackmagic Cinema Camera 2.5K só por causa do número de pixels. Quem já usou as duas câmeras sabe que isso não poderia ser mais distante da verdade. Existem vários outros fatores como nível de ruído, textura da imagem, sistema de compressão, latitude, etc. que tornam uma câmera melhor que outra. Mas isso acaba se tornando muito confuso. Pior ainda, números apenas não dão certeza de uma imagem fantástica. Um exemplo do 720p vs. 1080p que você mencionou é a Panasonic Varicam vs. Sony F900. A Varicam apresentava uma imagem bem mais cinematográfica, com maior sensibilidade e recursos até então praticamente inéditos de câmera lenta (para uma câmera deste tipo). Participei de um debate entre a Sony e a Panasonic, em Hollywood, onde representantes das duas empresas compararam diretamente seus produtos com direito a filmagens externas, noturnas e pequenos cenários. E foi até surpreendente, pois eles elogiaram as vantagens da câmera do concorrente, também, além de vender o peixe da sua. O público era formado, na maioria, por diretores de fotografia, operadores de câmera, editores e coloristas. No final, o consenso geral era que a Panasonic, em 720p, tinha um look mais cinematográfico que a Sony. Tanto que ela virou a queridinha do mundo publicitário e de muitas séries de TV, na época, assim como a Alexa é hoje. A Sony, no entanto, também obteve muito sucesso com suas versões Cinealta modificadas pela Panavision. Só que a faixa de preço era outra.

          Mas a grande diferença para as câmeras modernas é o sensor. Ambas as câmeras acima usavam 3 CCDs para captar uma imagem real em RGB (a nível de sensor). Já as câmeras atuais usam um único sensor CMOS que utiliza o padrão Bayer. E aí existe todo aquele processo para formar uma imagem RGB completa, já que as três cores básicas nunca são encontradas em um único pixel.

          Creio que a tendência para o 4K, no futuro, seja adotar o padrão técnico da F65, com um sensor maior que possibilite a geração de uma imagem 4K real, porém com uma textura mais cinematográfica. Mas o 4K ainda vai enfrentar a mais recente novidade no mercado – essa sim fazendo uma diferença bem perceptível na imagem, que é a faixa dinâmica estendida. Testes preliminares já mostram que as pessoas, de profissionais a consumidores, preferem mais uma imagem em 1080p com faixa dinâmica maior do que uma imagem normal em 4K. Vamos ver no que vai dar…

          • Obrigado pela resposta Paulo, se um dia estiver por Florianópolis de uma passada pelo nosso laboratório para tomar um café e batermos um bom papo, será muito bem vindo.

  7. Acontece que finalizar em 4k não é o mais importante; a quantidade de informação de cor em uma redução de 4k para 2k é inquestionavelmente maior, você tem ainda maior margem para reenquadres, zoom digital e correção de cor. Como diretor de fotografia, acho o ideal sempre trabalhar com a melhor qualidade possivel, 4k raw.
    Tendo um bom workflow eu prefiro filmar em 4k mesmo terminando em full HD, (ate porque não tenho onde projetar 4k)..

    • Filipe, o seu raciocínio é muito bom na teoria. E aplaudo sua preocupação com a qualidade. Mas, na prática, as coisas não são bem assim. Pelo seu post, mencionando filmar em 4K RAW, deduzo que você esteja filmando em uma RED. É comum confundirmos definição com resolução, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra. Obviamente cremos que 4K ofereça mais definição, mas nem sempre esse é o caso. Visite o link abaixo e você verá que uma Blackmagic Cinema Camera filmando em 2.5K tem mais definição que uma Red Scarlet filmando em 4K. E a latitude de cor é idêntica.

      http://frankglencairn.wordpress.com/2013/04/29/blackmagic-cinema-camera-vs-red-scarlet-zeiss-vs-samyang-part-1/

      A ARRI Alexa, filmando em 2.8K RAW, apresenta latitude de cor e definição maiores que as RED filmando em 4K. Basta olhar a lista dos filmes indicados para o prêmio de melhor fotografia do Oscar deste ano que você vê a Alexa dominando e absolutamente nenhum filme rodado em 4K. Obviamente os grandes estúdios de Hollywood primam pela qualidade e desejam perpetuar ao máximo seus investimentos de até centenas de milhões de dólares por filme para o futuro. Se 4K fosse essa maravilha, só dava esse formato. Afinal, ele já está disponível há quase 7 anos no mercado.

      http://www.videoguru.com.br/e-o-oscar-de-melhor-camera-vai-para.html

      Outro problema é que o que se vende hoje em dia como 4K não é a mesma coisa que o que a indústria cinematográfica sempre considerou como 4K verdadeiro. Vale a pena dar uma lida nesses artigos abaixo.

      http://www.videoguru.com.br/2k-4k-kkk-parte-1.html

      http://www.videoguru.com.br/2k-4k-kkk-parte-2.html

      Quanto à opinião do painel de Sundance, é uma realidade também no Brasil. Conversando com uma das produtoras mais poderosas do Brasil, ela reclamou do verdadeiro pesadelo que é trabalhar com material filmado em 4K, com uma quantidade absurda de dados, HDs que não acabam mais (incluindo os necessários backups), pós muito mais cara e demorada (mesmo convertendo de 4K para 2K) e, no fim de tudo, nenhum ganho perceptível no produto final.

      E tenho que discordar de você quanto ao 4K ter vantagens na correção de cor. Sou colorista profissional há mais de 13 anos com clientes no Brasil, EUA e Europa e, além do RAW da RED ser proprietário e exigir uma placa Rocket ou uma máquina com diversos GPUs para poder tocar em tempo real, a Alexa me oferece uma imagem bem melhor, com uma latitude de cores superior. Como amante de tecnologia, eu seria o primeiro a exaltar as vantagens do 4K se elas fossem reais. Mas até agora estou esperando um motivo que realmente justifique todo o trabalho e custo adicionais de se utilizar o formato no lugar de câmeras de alta qualidade que rodam em 2K. Uma coisa é o marketing dos fabricantes. A outra é a qualidade final da imagem.

  8. sem palavras – este Blog faz jus ao nome Guru, Videoguru ! sensacional !
    – verdade Paulo, O george lucas teve que recuperar a triologia de Stars Wars que estava exaurida nas peliculas e aproveitou e adicionou novas cenas e efeitos – Quem comprou a ultima versão da Triologia do Poderoso Chefão pode acompanhar no Making -off todo trabalho impressionate de restauração do filme, desde as matrizes até a restauração digital, com certeza o amigo esta certo – a pelicula é o melhor caminho, mas me pareçe que existia um movimento para acabar com ela por causa de leis anti-poluição, dos altos niveis toxicos da revelação e emulsão. é verdade ??? Paulo, Barbaro !

    • Creio que a maior causa do fim da película seja meramente econômica. O custo de fazer cópias em película para exibição é enorme. O custo de filmar em negativo nem tanto, enquanto as câmeras digitais de qualidade eram caras. O fluxo de trabalho ideal era filmar em película, escanear o negativo e fazer o resto do processo todo em digital. Mas as câmeras digitais evoluíram e baratearam muito. Daí, hoje em dia rodar em película ficou reservado a projetos com orçamentos bem mais altos.

      Nunca pesquisei esse lado das leis ambientais. Não duvido nada que tenham pesado bastante no processo. O fim das TVs e monitores de plasma, por exemplo, veio por causa das leis ambientais européias que limitaram o consumo elétrico de TVs.

  9. Olá, amigo Paulo!

    Não sei se meu último comentário foi enviado, então vou postá-lo novamente:

    Sou cinéfilo e pretendo iniciar uma coleção de filmes, sobretudo dos clássicos do cinema mundial (grande parte deles são antigos, filmados em 35mm). Estão lançando diversos títulos em Blu-ray Disk e, segundo especialistas, muitas correções e limpeza de ruídos, bem como ajustes na definição e etc. são feitos nessas reedições. Minha dúvida é: Blu-rays acoplam filmes full hd, ou seja, 1920x1080p. Colecionando Blu-rays eu posso estar investindo em um acervo que logo será ultrapassado pelos discos com capacidade para 2K (que possuem números maiores e nem sei se cabem em um Blu-ray Disk e se o mercado os insere nessas mídias)? Ou os filmes antigos, depois das melhorias pelas quais são submetidos para serem compactados em Blu-rays, não podem mais serem melhorados porque atingiram o limite da qualidade a qual podem alcançar?

    Muitíssimo obrigado pela atenção que certamente me fornecerá!

    Humildade é virtude dos grandes! E, desde já, parabenizo-o por sua grandeza e altruísmo fazendo o que faz!

    Att.: Rafael

    • Rafael, o que acontece com filmes mais antigos é que a definição deles muitas vezes é inferior até a 720p. Recentemente assisti um filme mudo por causa de um curso de uma universidade americana que estou fazendo à distância que havia sido restaurado e convertido para Full HD e a definição era realmente muito ruim. Portanto, nada vai fazer esse filme melhorar mais do que isso. E isso se aplica a muitos filmes antigos.

      Quanto à diferença de 1080 para 2K, ela é mínima e praticamente irrisória. Portanto, não se preocupe com isso. A melhor câmera de cinema digital do mundo hoje em dia, a ARRI Alexa, é utilizada na maioria das vezes em 1080 e o filme final é projetado em 2K sem diferença alguma na qualidade da imagem.

      É impossível dizer que nenhum filme antigo possa ser melhorado além do Full HD, pois não se sabe que tipo de tecnologias vão surgir. Mas, como cinéfilo, acho que é bem seguro você investir no BluRay. Até porque aparelhos reprodutores topo de linha já fazem upscale muito bom para 4K.

  10. Impressionado com a sua dedicação de mestre… primoroso apreço e respeito pela profissão, pelos profissionais, cinéfilos, usuários, consumidores de tecnologia cinematográfica, curiosos, “alunos”…a quem não se furta nem se esquiva de oferecer respostas semeadas de saber e abundantes em conhecimento…li atentamente e com grande interesse da primeira à última linha até o ponto final para a “4K”. Rssss Maravilhoso e atual o videoguru, que fala o que sabe e o que pensa…sem medo dos “fabricantes de belezas inúteis”… Parabéns, obrigado pela oportunidade de aprender um pouquinho mais… e forte abraço. Também escrevi, por vários anos… roteiros para os queridos eternos Trapalhões, especialmente na era J. B. Tanko, foram dez anos de trabalho juntos e muitas histórias contadas… mais uma vez, obrigado e parabéns!

    • Que bom ver você aqui, Vitor! Obrigado! Infelizmente minha participação no VideoGuru chegou ao fim no ano passado, como o artigo de hoje explica. Mas continuo atuando profissionalmente e publicarei matérias ocasionais em meu site pessoal, como era intenção fazer antes de me juntar ao João Velho no VideoGuru.

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