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Profissionais preferem a Banda Dinâmica Elevada ao 4K como evolução da qualidade da imagem

No dia 14 de janeiro de 2014 a respeitada revista Variety, leitura obrigatória dos profissionais de Hollywood, publicou um artigo intitulado “No que diz respeito à TVs, esqueça o 4K… É o brilho, estúpido!”. Acontece que já faz um bom tempo que a indústria de cinema e televisão vem lutando por crescentes melhorias na imagem. E uma das mais requisitadas é o aumento na latitude da imagem, que tem provado ser muito mais atraente para o público que o aumento de resolução para 4K.

Maior latitude de imagem significa pretos mais pretos, brilhos mais intensos, mais detalhes nos cinzas e maior gama de cores. De fato, quando se trabalha com uma câmera moderna de latitude elevada, acabamos não reproduzindo todo o sinal captado em função dos limites impostos pelo padrão broadcast REC.709. Quando vemos essas imagens em um monitor capaz de reproduzir uma banda dinâmica elevada, o impacto é impressionante.

Um dos proponentes agressivos de um novo formato que aproveite melhor essa banda dinâmica é a Dolby, empresa conhecida por diversas inovações nos mercados cinematográfico e televisivo. Fabricante do melhor monitor de referência do mundo, que custa mais de US$ 40 mil, a Dolby tem apresentado o Dolby Vision como uma proposta sólida de padrão para melhorar de verdade as imagens que o público poderá assistir em suas residências.

 resolution-4k-ultra-hd-chartTabela que mostra a distância mínima para que seja possível notar alguma diferença
de Full HD para Ultra HD. A maioria das pessoas com visão perfeita, por exemplo,
só conseguem notar uma diferença em uma tela de 80 polegadas sentando a
2.4 metros de distância. O que é muito perto para uma tela deste tamanho.

De fato, um monitor reproduzindo uma imagem em Dolby Vision chama atenção à distância, enquanto que um monitor 4K não apresenta diferença nenhuma de um monitor tradicional. E, por incrível que pareça, são os pequenos fabricantes de TV que estão dando esse passo à frente enquanto que os tradicionais tentam empurrar o Ultra HD (também chamado, erroneamente, de 4K).

Sony (que encabeça o movimento pró 4K), Samsung, Panasonic e LG estão desenvolvendo TVs de 4K enquanto que as pequenas Sharp, Visio e TCL têm chamado muito mais atenção pela imagem Dolby Vision do que os concorrentes pelo 4K. A Visio, inclusive, já anunciou a série de referência (Reference Series) para o segundo semestre deste ano. E diversos experts que viram os protótipos têm comentado que é a TV com a melhor imagem que já viram até hoje. Tão boa, inclusive, que muitos coloristas aguardam ansiosamente para testar as TVs em suas ilhas como possíveis substitutas para os caríssimos monitores de referência.

 VisioReferenceSeriesO monitor Visio Reference Series, que utiliza o formato Dolby Vision, visto de cima.

Além de uma melhora realmente significativa na qualidade da imagem, o formato Dolby Vision não exige que o formato Full HD seja abandonado. Portanto, se o profissional já possui câmeras de latitude elevada que filme em RAW como as ARRI Alexa, RED, Sony F65 e Blackmagic Cinema Camera 2.5K, é possível entregar uma imagem superior sem nenhum investimento adicional em equipamentos de captação. O único passo que muda é o tratamento da imagem na finalização.  Os melhores programas de tratamento de cor, como o DaVinci Resolve, já são capazes de trabalhar em uma banda dinâmica mais elevada, permitindo a entrega de filmes e programas que tirem 100% de vantagem do Dolby Vision.

4k_and_visual_acuity_graphicEsta tabela mostra a relação entre a qualidade de imagem (acuidade visual) e o volume
de dados entre Ultra HD, 48fps, BT.2020 e Banda Dinâmica Elevada (Dolby Vision).
Repare que Ultra HD é o que oferece menor acuidade visual porém consome 400% a mais
de dados. Enquanto que o sistema Dolby Vision utiliza apenas 10% a mais de dados
para oferecer uma melhora de 500% na qualidade de imagem.

Tendo em vista a reação muito mais favorável às TVs de banda dinâmica elevada em relação às Utra HD, pelo público em geral, nas recentes feiras de equipamentos de consumo, as grandes redes de revenda de aparelhos eletrônicos têm mostrado um entusiasmo bem maior quanto ao formato do que quanto ao 4K. Tanto que a Sony já está desenvolvendo uma versão proprietária da tecnologia para não ficar para trás. Resta, no entanto, saber se será compatível com o Dolby Vision.

Para ter uma idéia do impacto do Dolby Vision, assista o vídeo abaixo. Vale observar que as diferenças precisam ser simuladas em virtude dos monitores atuais. Mas eu vi o formato em funcionamento em uma feira e posso garantir que a diferença simulada é absolutamente real.

A tecnologia Dolby Vision é bem mais barata e causa impacto bem maior no espectador final do que o 4K. Além disso, utiliza uma fração da quantidade de dados. O que significa menor compressão e uma quantidade maior de programas de qualidade superior no mesmo espaço. E, como não exige grandes investimentos para produtores de conteúdo, tem a grande possibilidade de se tornar o novo padrão de qualidade no futuro próximo.

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11 comentários Nesse post
  1. Parabéns pelo belo trabalho. Uma excelente contribuição aos profissionais do mercado audiovisual.

  2. Parabéns pela matéria, Paulo. Excelente!

    Como não achei um tópico mais apropriado, vou perguntar neste mesmo:

    Possuo um HyperDeck da Blackmagic, que grava num SSD no formato DNxHD. Cada arquivo possui em torno de 50GB. Quando abro o SSD pelo Windows Explorer (equivalente ao Finder) para listar os arquivos existentes, o PC trava por alguns instantes. Ja baixei o AvidCodecsLESetup, do seguinte link:

    http://avid.force.com/pkb/articles/en_US/download/en423319

    Baixei o pacote correto? Existe alguma outra configuração necessária para o funcionamento correto deste formato?

    Abro os arquivos diretamente do SSD, então acredito que o problema não seja a velocidade de leitura. Mesmo porque o travamento ocorre na hora de listar os arquivos, e mostrar tamanho e duração de cada um.

    Obrigado,

  3. Paulo sempre com artigos magnificos – mas vamos lá , a Panasonic indo no “embalo” marketeiro de vender – e ai voltamos ao assunto do 4K tão discutido por aqui, acabou de lançar a GH4 4 4K, puts e ai ?
    embuste, marketing ou apenas para fazer frente a Black – voce compraria ou ficaria com a GH3 ?
    Na minha opinião o fuxo de gravação e edição da 3 é muito mais apropriada para pequenos trabalhos com qualidade, confere ??? Abração Paulo !

    • Jean Carlo, a melhor câmera é aquela que nos faz ganhar dinheiro e atende nossas necessidades. Se a GH3 está funcionando bem para você, não vejo muito motivo para trocar pela GH4. Afinal, os 4K só tornarão a sua vida mais difícil.

  4. è sempre um prazer conversar com gente inteligente – e que realmente entende do assunto e dá uma aula pra gente, por mais tempo que estejamos no mercado – eu aprendi que nada sei.. obrigado Paulo !

    • De nada, Jean Carlo. Nosso ramo de trabalho é muito técnico, mesmo, e somos forçados a estar sempre estudando as novas tecnologias, que aparecem e mudam cada vez mais rápido.

  5. Olá Paulo, muito bom o texto!

    Mas fico na dúvida, preciso comprar um monitor de referencia para color grading aqui para a produtora, começaremos a finalizar um longa, e o orçamento não é alto.
    Os monitores 4k são bons para referencia de cor? A Dell tem esse monitor Professional HD 4k P2715Q, mas fiquei na dúvida porque dizem que os modelos com Premier Color da Dell também são muito bons. Também já li você falar muito bem da TV Samsung UN32FH5203.
    Esse monitor iniciaria nosso set junto com um Mac Pro e posteriormente uma placa dedicada da Blackmagic, e mais pra frente um Flanders.
    Mas hoje em dia qual desses monitores cumpriria melhor com o papel para color grading?

    Valeu Paulo!

    • Raphael, qualquer uma dessas opções serve desde que você calibre corretamente o monitor e ligue-o ao computador através de uma placa de vídeo dedicada, como as Blackmagic. O 4K é atraente por ser novidade mas só vale mesmo a pena se voc6e trabalhar com 4K. Senão, economize seu dinheiro e use uma TV de plasma, a Samsung ou o Dell Premier Color Full HD. Sem placa de vídeo dedicada, ligado a uma placa gráfica ou à saída HDMI do computador, qualquer monitor é inútil para ser usado como referência.

      • Valeu demais Paulo! vou optar pelo monitor Dell e descolar uma placa de video DeckLink Intensity Pro 4K da BalckMagic.

        Dei uma olhada e essa serie H5203 da Samsung ta bem difícil de achar, teria algum modelo atual equivalente? Achei esse modelarem próximo, UN39H5204AFXZA (http://www.samsung.com/us/video/tvs/UN39H5204AFXZA)

        Valeu Paulo, forte abraço!

        • Raphael, parece que a Samsung saiu de linha. A LG 32LB5600 seria uma boa opção, mas anda difícil de encontrar também, embora ainda faça parte da linha atual da LG de acordo com o site deles. Se você encontrar essa LG, seria minha sugestão no momento. Caso ela tenha sido substituída, procure o modelo mais atual. Só que não dá para garantir que o fabricante não tenha feito mudanças que possam alterar suas características.

          Outra alternativa, devido à falta de opções no mercado nacional, seria comprar um monitor DELL Ultrasharp UP2414Q e utilizá-lo como monitor de referência ligado à saída HDMI da DeckLink e devidamente calibrado em REC.709. Esse monitor, no entanto, não tem a resolução nativa em 1920 x 1080 e também não é um substituto 100% ideal para um monitor de referência de verdade.

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