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Querida, encolhi a câmera de cinema!

A Blackmagic Design lança a Pocket Cinema Camera para abalar completamente o mercado das HDSLRs. Imagem profissional superior que cabe no bolso.

A BMPCC (não confundir com BMCC e BMPC, as outras câmeras da Blackmagic) foi anunciada na última NAB junto com a câmera de cinema 4K da companhia, a Blackmagic Production Camera. Apesar de seu lançamento ter sido um pouco ofuscado pelo da irmã maior, a BMPCC promete causar uma revolução ainda maior no mercado de produção independente de baixo orçamento.

Isso porque a BMPCC compete diretamente com as HDSLRs, que hoje em dia tomaram conta do mercado de produção independente. Não só em tamanho, com apenas 12.8 cm x 3.8 x 6.6, como também em preço, com o corpo custando apenas US$999.

Isso não seria nada demais se ela fosse apenas outra HDLSR no mercado. Só que ela é uma miniatura de suas duas irmãs maiores, com gravação em RAW DNG ou ProRes 4:2:2, sensor Super 16mm (aparentemente o mesmo da Blackmagic Cinema Camera ligeiramente cropado) com 13 stops reais de latitude e uma série de outras funções que fazem dela a menor câmera até agora a produzir imagens comparáveis às das melhores câmeras de cinematografia digital do mundo.

BMPCC_Rig

Não será nenhuma surpresa se a BMPCC for a causadora de uma revolução no mercado dos produtores independentes de baixo orçamento parecida com a causada pela introdução da Canon 5D Mark II. Embora essa última tenha possibilitado que praticamente qualquer um possa produzir imagens de qualidade com baixo orçamento, todos sofrem com seus limites – principalmente a compressão elevada e a latitude limitada.

Só que a Blackmagic Pocket Cinema Camera quase não oferece compromissos em relação ao preço e tamanho. As imagens geradas por ela têm praticamente as mesmas cracterísticas das câmeras mais caras da empresa, ou seja, qualidade real de câmeras de cinematografia digital que custam dezenas de milhares de dólares e total liberdade na pós-produção.

Sem contar que o tamanho reduzido também torna-a adequada para competir com as GoPro, só que com uma qualidade de imagem infinitamente superior.  É a câmera ideal para os amantes de esportes radicais, alpinistas, documentaristas, etc. Muito versátil, pode atender desde o mercado de longas independentes até o de casamentos – com o mercado publicitário sendo um de seus prováveis nichos por cauda da qualidade oferecida.

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Diferente da Blackmagic Cinema Camera, com a qual compartilha o sensor (segundo as primeiras informações) a BMPCC filma apenas em 1920×1080, tornando-a perfeita para o mercado atual onde o 4K representa um excesso que sai muito caro em termos de tempo de pós e quantidade de armazenamento. Além de filmar em RAW DNG, permitindo manipulação mais extensa das imagens na pós, ela filma direto em ProRes 4:2:2 HQ, que além de oferecer muito mais qualidade que o H.264 utilizado pelas HDSLRs, se encaixa diretamente no fluxo de trabalho de programas de edição como Final Cut Pro e Adobe Premiere, dispensando conversões. É só carregar e sair editando, sem modificar o formato, até a entrega final.

A decisão da Blackmagic de adotar o formato Super 16mm foi genial. Embora muitos achem o sensor pequeno quando comparado ao de uma 5D Mark III ou uma Nikon D800, o formato é um padrão estabelecido, ao contrário do sensor da BMCC, que não se encaixa em nenhum padrão existente. Além do mais, Super 16mm já foi muito utilizado na produção de longas de alta visibilidade, mesmo em Hollywood.

Existem diversas lentes de cinema de altíssima qualidade para o formato. Portanto, com um simples adaptador, é possível utilizar lentes fantásticas Angenieux, Zeiss, Cooke e similares. Todas compatíveis com câmeras Arri, Aaton, Beaulieu e Bolex 16mm e Super 16mm. São lentes que, hoje em dia, se encontram paradas nas produtoras e locadoras e podem ser encontradas a preços bem acessíveis (por enquanto) no mercado de usadas.

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Além disso, a câmera vem com um bocal MFT (Micro Four Thirds) ativo, que possibilita não só o uso de uma variedade de lentes disponíveis para esse formato, como também o uso de lentes Canon, Nikon, PL e formatos M42 com adaptadores. Ou seja, um número muito maior de lentes que uma HDSLR pode utilizar.

Ouvindo as críticas em relação à sua primeira câmera, a Blackmagic Cinema Camera, a empresa consertou alguns erros de design – inclusive alguns apontados pelo Video Guru assim que e a BMCC foi anunciada. Em primero lugar, o fator ergonômico. A BMPCC tem a empunhadura de uma câmera fotográfica normal, com cantos arredondados, desenhada para ser empunhada confortavelmente durante horas. Em segundo lugar, o uso de baterias substituíveis, no lugar de uma bateria fixa de apenas 90 minutos de duração.

E o mais inteligente é que a BMPCC utiliza baterias Nikon tipo EN-EL20, baratas e facilmente encontráveis no mercado. A Blackmagic merece parabéns por essa iniciativa ao não forçar seus compradores a utilizar baterias proprietárias e caras, ao contrário dos outros fabricantes, não só economizando dinheiro dos usuários como também tornando a câmera bem mais versátil.

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Para tornar a câmera mais barata em relação à BMCC, a tela por toque foi substituída por uma tela LCD normal de 3.5″ e resolução de 800 x 480, no formato 16:9, com os comandos acionados por botões físicos. Essa decisão tem, como efeito colateral, acelerar o uso da câmera no dia a dia. Afinal, o uso de botões dedicados e cursores é geralmente mais rápido que navegar por uma série de menus em uma tela sensível ao toque.

Em vez de utilizar drives SSD, a câmera utiliza cartões de memória SDXC e SDHC, os mesmos utilizados em câmeras HDSLRs. É outro fator que aumenta a versatilidade na hora de comprar mídia e diminui o custo para o cineasta. Os cartões podem ser formatados como exFAT ou HFS+.

A câmera possui entrada para microfone externo e saídas para fones de ouvido, permitindo a monitoração do audio durante a gravação. Uma saída Mini HDMI permite a monitoração externa de vídeo.

A BMPCC filma em 23.98p, 24p, 25p, 29.97p e 30p, tornando-a adequada para produções internacionais tanto para cinema quanto TV. Embora não venha com a versão full do DaVinci Resolve, como as irmãs mais caras, inclui a versão Lite que é ideal para trabalhar na resolução dela.

Anunciada pra venda a partir do final de julho, a Blackmagic Pocket Cinema Camera promete muito. Por enquanto ainda não existem vídeos sérios disponíveis para demonstrar sua qualidade, mas os poucos sortudos que tiveram acesso a ela garantem que a imagem é idêntica à da Blackmagic Cinema Camera. O que significa que a qualidade técnica das imagens das produções de baixo orçamento vai melhorar consideravelmente para os usuários dessa maravilha compacta.

Para maiores informações, clique aqui para acessar a página do fabricante.

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30 comentários Nesse post
  1. Pois é meus caros, se tudo fosse fácil como parece… sou fã da Blackmagic, mas algumas coisas precisam serem ditas. A empresa nem mesmo conseguiu resolver os problemas de atraso e bugs da primeira blackmagic, que ainda conta, um ano após o lançamento, com pessoas na fila de espera para receber seu exemplar. Quem recebeu as primeiras unidades relatou bugs e outros problemas mais sérios. Vaos ver se os caras acertam dessa vez.
    Mas é preciso ver que não existe mágica, mesmo para a Magia Negra. Se assim fosse, a Arri já teria falido ao vender uma câmera Alexia, que filma em sufucientes e perfeitos 2K , por mais de R$ 100 mil só o corpo. Será que tudo que tem ali dentro daquela caixa de sapatos pesando 3 kg é supérfluo e pode se resumir ao tamanho do maço de cigarros da pocket da BM? Não existe almoço gratis!

    GRande abraço!

    Marcelo Ruiz

    • Olá Marcelo,

      Os problemas de entrega das primeiras câmeras BMCC finalmente foram resolvidos e ela já se encontra em estoque nas principais lojas, incluindo a B&H. E os bugs iniciais também já foram resolvidos.

      Nós do Video Guru sempre fomos críticos aos problemas com a BMCC, publicando diversos artigos a respeito. E nunca afirmamos que nenhuma câmera da Blackmagic irá acabar com a Alexa (ou qualquer outra câmera high-end). Existem inúmeros motivos pelos quais ela é líder no mercado. A Pocket Cinema Camera, no entanto, realmente veio para causar uma pequena revolução no mercado independente da baixo orçamento, como escrevemos no artigo. Não mencionamos o mercado de alto orçamento, que é no qual a Alexa reina. Mas uma câmera de US$999 com características superiores às das HDSRs disponíveis atualmente no mercado não tem como não causar um grande impacto.

      Resta agora ver como virão os primeiros exemplares. Como a tecnologia é a mesma da BMCC, os poucos usuários privilegiados das câmeras pré-lançamento afirmam que ela não apresenta nenhum dos bugs da sua antecessora. Mas, quando a câmera entrar em fase de produção, tudo pode mudar.

      Só sei que o mercado anda mesmo uma loucura, com tantos lançamentos. Vários testes comparativos indicam que a Nikon 5200 (US$700), por exemplo, tem qualidade de vídeo superior ou comparável à da Canon 5D Mark III, apesar de custar 1/5 do preço. E é melhor em vídeo que a própria Nikon D800, pois não apresenta problemas de moiré. Tantas escolhas realmente causam a maior confusão. Mas, no fim, resultam em qualidade técnica cada vez maior para o usuário.

      Uma coisa é certa, no entanto: não existe uma câmera perfeita para todos. Nem mesmo uma Alexa serve bem a todos os tipos de producão. Essa diversidade e queda nos preços significa um custo/benefício nunca antes alcançado. E a quebra daquele antigo paradigma de que só quem tem dinheiro para investir em equipamentos caríssimos tem como entregar produtos de alta qualidade.

      Cada vez mais fica relevante aquela discussão (que conhecemos bastante) de que o talento é que continua sendo o fator mais importante. Ainda mais quando a barreira de qualidade imposta pelo preço dos equipamentos vai abaixo. Quando o David Lynch foi questionado, recentemente, se o preço tão barato dos equipamentos afetaria negativamente o mercado, pois daria a qualquer um as ferramentas para fazer um bom filme, ele respondeu que há séculos todos tiveram acesso a lápis (caneta ou pena) e papel. No entanto, poucos são os bons escritores. Ou seja, não adianta ter uma Alexa e/ou uma BMPCC se não há talento e boa formação.

      Abraço,

      Paulo M. de Andrade

      P.S.: Para quem não sabe, o Marcelo é um colega blogueiro (http://olharmultimidiatec.blogspot.com.br) com vasta experiência em vídeo.

  2. Quase comprei a BMCC! Ainda bem que os problemas de logística da empresa me desanimaram.
    Como anda a preparação para o lançamento da BMPCC e da Pocket?

    Eu acredito sim que a BMPCC trará uma certa dor de cabeça para os seguimentos hi-end como as RED. Afinal, ela possui excelente qualidade e flexibilidade na pós e isso não se pode negar. Vamos esperar mais reviews para ver se realmente ela vai ser tudo isso que foi apresentado na NAB.

    Já a Pocket é realmete para bolso! Não tenho coragem de usar ela em produções maiores, mesmo que tenha uma qualidade excepcional.

    • Douglas, eu concordo. Não acho que a BMPC vá dever muito às RED. E ainda vai oferecer a vantagem de uma pós bem mais tranquila e menos dispendiosa. Mas eu também acho que as RED e a Alexa estão em categorias bem diferentes. Quem já trabalhou com as duas, principalmente da captação à finalização, e em projetos de grande duração, sabe do que estou falando. Como disse o Marcelo, não é à toa que a ARRI pode cobrar bem mais caro.

      Acho que muita gente vai usar a Pocket como câmera B, até mesmo em produções maiores. E ela deve substituir as HDSLRs como crash camera nos filmes de Hollywood de alto orçamento. Quanto a produções de baixo orçamento, acho que a Pocket tem tudo pra ganhar um espaço muito grande. Afinal, mesmo pequena, ela tem a imagem bem superior à de uma HDSLR. O maior problema dela é achar grandes angulares extremas para o sensor Super 16mm.

  3. Atualmente trabalho com a 5DMk2, mas essa Pocket está quase me convencendo a mudar. A questão maior agora são as lentes. Sabem me dizer se terei que substituir todas, ou existe (e compensa usar) um adaptador para lentes Canon Série L?

    • André, por enquanto ainda não sabemos se haverá problemas de compatibilidade com alguma lente. A princípio, com um adaptador ativo você poderá utilizar suas lentes. Mas ainda temos que esperar um pouco pra ter certeza de que a compatibilidade é total com todas as lentes série L. Você só tem que levar em conta que as suas lentes se transformarão em “teles” com a Pocket. Por exemplo, uma 50mm se transforma praticamente em uma 150mm. Quer dizer, você vai provavelmente ter que investir em grandes angulares, de qualquer maneira.
      No entanto, a vantagem das lentes L é que elas mantém um elevado valor de revenda e você com certeza conseguirá trocá-las por excelentes lentes MFT como as Voigtlanders, por exemplo.

  4. Paulo tudo tranquilo…

    Cara seu site pra min e colirio pra cego em video. caracas… top 10+++

    Bom eu recentemente comprei uma t4i para fazer videos + firm ml.

    mas eu sempre soube que um video gravado em raw não tem o que falar.

    Essa camera já bateu todas dslr sem duvida ate porque ela e projetada para video, mas não que uma dslr não faça boas gravações.

    Eu já add no B&H pra comprar assim que estiver a venda!!!

    Ufa!!! quase comprei uma 5Dmk3….

    Valeus mesmo!!!!!

  5. Prezado Paulo – volto novamente a lhe consultar sobre esta verdadeira “salada digital” ( tó confuso confeso !)e os independentes que estão bombando com equipamentos muito aquem do que diriamos “profissional”, como já vimos em seus posts. Recentemente lhe perguntei se com uma T3I e lentes adequadas conseguiria rodar uma produção independente de qualidade, por ter um foco mais facil – tenho a D6 e ela me decepcionou um pouco, sendo um pouco, tão somente pelo sensor ( que as vezes atrapalha, pelo foco muito exato e inclusive apresentando Moiré – o que sinceramente não esperava. Dentro desta perspectiva gostaria de sua opinião destes 2 trabalhos que provavelmente voce já deve conhecer – e que se isto não é cinema, então preciso reavaliar meus conceitos…são 2 trabalhos excelentes, premiados – que viralizaram na internet no mundo todo – com exceção do raio de camera na mão sempre balançando ( destesto isto, imagine numa tela de cinema, só tomando Dramin) é sensacional pela pequena equipe e baixissimo custo – tudo isto com uma GH2 PANASONIC , que a meu ver é até inferior a T3I…então esta é minha duvida, 2 trabalhos indicados ao Sundance com uma GH2, não é RED, 5D ou Black , meramente uma camera de 900 doletas..( O Copolla diz que é melhor – mas deve ter ganho um jabá para tal, mas ele é o “poderoso chefão” né?)
    http://nofilmschool.com/2013/02/panasonic-gh2-shane-carruth-upstream-color-musgo/ – como voce é tambem especialista na pós em Color – gostaria tambem de sua apreciação – aquele abraço Paulo , e muito obrigado por repartir seus conhecimentos conosco!

    • Jean, como respondi ao seu outro comentário, câmeras são meras ferramentas nas mãos do profissional e o resultado final depende de uma série de fatores. Um deles é também o gosto de quem assiste, pois felizmente as pessoas possuem gostos diferentes. Imagine se todos gostassem exatamente das mesmas coisas?

      O Coppola certamente não recebeu nada da Panasonic para preferir a imagem da GH2 modificada em um teste comparativo de câmeras promovido pela Zacuto. Até mesmo porque os participantes não tinham conhecimento das câmeras usadas quando da escolha. Só ficaram sabendo depois. Aliás, o tal teste não era um comparativo básico entre câmeras, e sim um exercício muito interessante que envolvia a combinação de câmeras diferentes sendo usadas por diretores de fotografia diferentes (especialistas em cada câmera), com iluminação diferente. O que estava em jogo era o conjunto, do qual a câmera era apenas um elemento. A idéia era justamente quebrar um pouco essa onda de super valorizar o equipamento em si. Foram diversos diretores e diretores de fotografia dando suas opiniões pessoais sobre o resultado final e apontando um favorito. E, como somos todos diferentes, as preferências também foram diferentes. Geralmente os diretores de fotografia (alguns dos melhores do mundo), que têm um olho mais apurado que a média, escolheram o material filmado com as câmeras mais caras pois conseguem ver pequenos detalhes que o público em geral não vê. Ou, se vê, acabam se tornando secundários ao enredo do filme e outros detalhes da produção.

      Coppola foi um dos pioneiros da cinematografia eletrônica, fazendo filmes em vídeo na época em que isso era considerado um sacrilégio. Ele começou em uma época em que não existiam câmeras digitais, filmando em câmeras analógicas que eram verdadeiros protótipos e cuja definição deixava muito a desejar. Mas a qualidade de seu trabalho, em um todo, tornava as deficiências técnicas secundárias, quase que imperceptíveis. É provável que seu passado tenha uma certa influência na sua escolha pela estética da imagem um pouco menos refinada tecnicamente, porém agradável em virtude do outras características. É questão mesmo de gosto.

      O importante, mesmo, é o conjunto. No caso das câmeras em si, o importante é o profissional por trás delas. Você mesmo prefere a T3i à 6D, enquanto que muitos vão discordar de você. Mas se você consegue produzir um material superior com a T3i em relação à 6D, não há problema algum em preferir a T3i. O que interessa é o produto final e o quanto você se sente confortável com uma determinada ferramenta.

  6. http://nofilmschool.com/2013/02/panasonic-gh2-shane-carruth-upstream-color-musgo/ Paulo por gentileza, gostaria de uma avaliação sua destes 2 trabalhos indicados para o Sundançe – que estão otimos – se não fosse pelos balanços de camera que eu detesto – inclusive na parte de pós no colorismo – Mas filmados com uma GH2 que teoricamente é inferior a uma T3I…( usou algumas lentes apenas – facilmente achadas para Canon – e nem padrão profissional são) Obrigado por repartir seus conhecimentos conosco !

    • Jean, A GH2 não é inferior à T3i. Quando é modificada, como foi a câmera utilizada para o Musgo, ela oferece qualidade de imagem até superior. Mas eu acho muito importante frisar que a qualidade final das imagens depende muito mais do diretor de fotografia (ou fotógrafo) do que do equipamento em si. Já vi coisas incríveis sendo filmadas em um celular e imagens medonhas partindo de uma ARRI Alexa. O que vale mais do que tudo é o talento humano. Essa coisa de valorizar o equipamento acima de tudo e/ou achar que basta comprar uma câmera melhor para obter imagens melhores está totalmente errada.

      Câmeras são meras ferramentas nas mãos de um bom profissional e é comum um mesmo diretor de fotografia escolher uma RED para um projeto e uma Nikon D800 para outro, por exemplo. Tudo depende de uma série de fatores como orçamento, textura de imagem desejada, facilidade de filmagem sob certas condições, tipo de exibição final (cinema, TV, DVD, blu-ray), etc. Um bom exemplo de escolhe de uma câmera teoricamente “inferior” foi o episódio da série de TV House onde foram utilizada somente câmeras Canon 5D Mark II. A série tem um orçamento de fotografia muito elevado é geralmente filmada em película, com câmeras Panavision de cinema e as melhores (e mais caras) lentes. Só que o episódio em questão acontecia, em grande parte, sob os escombros de um prédio desabado, em um pequeno espaço debaixo de uma laje. O uso de uma câmera tradicional (e sua equipe auxiliar) seria muito problemático em função do espaço reduzido e, depois de muitos testes, o diretor de fotografia chegou à conclusão que a 5D atenderia suas necessidades de qualidade de imagem dentro das condições apresentadas. E o resultado final foi um dos episódios de House melhor fotografados.

      Quando não temos um orçamento ilimitado, como no exemplo acima, e devemos comprar um equipamento para uso próprio, é natural que seja nosso desejo obter o melhor custo/benefício em termos de equipamento, além de comprar a câmera que funcione melhor dentro do tipo de produção em que será utilizada. Embora uma Blackmagic Pocket Cinema Camera apresente provavelmente o melhor custo/benefício do mercado, hoje em dia, ela não é a câmera ideal para pessoas com pouca experiência em fotografia ou recursos limitados de pós-produção. Daí é muito importante saber avaliar bem as necessidades reais. Muitas produções escolhem a câmera errada só porque ela é “melhor”. É o caso em que câmeras RED, que são excelentes, são escolhidas para projetos de baixo orçamento ou alto volume de imagens, pois o custo do armazenamento de imagens em RAW e o peso de se trabalhar em 4K ou 5K para ter que passar o projeto para 1080 para exibição, além da necessidade de máquinas poderosas para trabalhar com o material e uma finalização mais complexa, acabam se tornando um enorme problema. Nesses casos, o resultado final pode ficar até superior e muito mais econômico se uma câmera mais simples for utilizada. Por outro lado, se o projeto for para cinema, com um orçamento maior, com certeza uma RED oferecerá um resultado superior ao de uma HDSLR.

      Voltado ao Musgo, parece ser uma produção bem cuidada e não vi problema algum com balanço de cor. Fica aparente que foi tudo bem fotografado, por gente que sabe o que faz, e o trabalho de cor na pós certamente teve um objetivo pois as cores influem muito na emoção desejada. Aí entra a liberdade artística do colorista e todo um trabalho de conceito. E isso fica praticamente impossível de avaliar em um trailer. Só mesmo vendo o filme completo é que podemos entender a razão das escolhas feitas e analisar se elas funcionam para o projeto.

      • Paulo – eu mais do que nunca – fico 120% de acordo com você, e é muito legal ter opiniões de gente que entende como você, pois senão a gente fica meio perdido tipo “sera que estou no caminho certo?” “poderia melhorar” ? – no meio desta guerra, de querer vender o que não é . O mais importante para mim é que você vem só a confirmar o que sempre pensei, cada TRABALHO x EQUIPAMENTO compatível – E talento nem se fala… acho que é 80% do trabalho, pois a maquina não funciona sozinha – bem , se meu nicho é unicamente produzir institucionais (100%) e tenho uma T3I, uma D6 e uma Panasonic 160 – acho que estou absolutamente coberto, para fazer este tipo de trabalho para pequenas , medias e grandes empresas. Area publicitária é outra historia e cinema idem. No nicho que atuo produtividade e rapidez aliadas a um bom trabalho – é a formula certa, para se ganhar dinheiro que é nosso objetivo, aliada a paixão do que fazemos. sempre lutando com a batida frase “não temos verbas”… quanto ao MUSGO realmente o espanhol é tinhoso e fez o foco com cordas amarradas !!! Criativo demais…é ai que você disse do talento, assista o making off e chega a ser hilário de como, e com que ele trabalhou – e chegou a um ótimo resultado. Custo tota do projeto 3.600 EUROS – é mole ? Abraços ao gentil Colega !!!!

      • Wilson, o bocal é micro 4/3. Mas praticamente qualquer lente pode ser usada nela com o devido adptador. Como o sensor e do tamanho Super 16mm, até as lentes das câmeras de cinema antigas de 16mm servem (com os devidos adaptadores).

    • São Micro 4/3, como respondi no outro comentário. Quanto a aconselhar qual é a melhor lente, isso é impossível de dizer para qualquer câmera. As melhores lentes dependem totalmente das suas necessidades e, muitas vezes, de necessidades específicas de um determinado projeto. Mas a grande vantagem do MFT é a enorme opção de lentes, mesmo com outros encaixes, quando usadas com o adaptador apropriado.

  7. Por ter um sensor menor que uma 5D, isso faz dela inferior a uma 5D ou nada haver?

    Para se ter uma dessa ou uma Production 4k, NECESSARIAMENTE eu tenho que ter uma baita pós e muita experiência para manipula-la?? Ainda estou aprendendo a editar e não sou nem um pouco experiente rs.

    • Wilson, o tamanho do sensor não tem nada a ver com a qualidade final da imagem. Tanto que a Arri Alexa tem um sensor menor que da 5D.

      A pós em 4K e RAW é um pouco mais complicada, sim. O 4K exige muito mais espaço de armazenamento e conversão para 1080p ou 2K, que são os formatos mais utilizados. RAW exige um fluxo de trabalho mais complexo, de preferência envolvendo um colorista experiente. Mas se você usar a BMPC para filmar em 1080, em ProRes 422, o fluxo de trabalho passa a ser mais simples que de uma 5D por não exigir conversão do formato (a não ser no Final Cut X, que não requer conversão, de qualquer maneira).

      A Pocket dá praticamente o mesmo trabalho da 4K em RAW, mas também é mais fácil de trabalhar com suas imagens, em ProRes 422, que a 5D.

      • Então a pergunta que não quer calar é:

        SE eu não vou filmar em 4K, se não tenho a experiência e dinheiro para a pós de 4K, vale a pena para uma pessoa como eu, comprar uma Production 4K? Essa câmera filma SOMENTE em 4K?

        Uma Poket acho que vale. Só fico bolado com esse sensor de 16mm, ainda não sou um grande conhecedor como vc bem sabe e conheço menos ainda as lentes específicas para essa câmera. Meu medo real é não ter uma câmera de qualidade e/ou uma câmera que me traga dificuldades em uma pós.

        • Wilson, existe uma confusão muito grande em relação ao tamanho de sensores. Depois do lançamento da 5D, as pessoas passaram a dar uma importância quase que irracional a sensores grandes. Na prática, o sensor de 5D é que é uma “aberração”, pois a maioria dos sensores das melhores e mais utilizadas câmeras é bem menor que o dela.

          Para você ter uma idéia, o sensor da Pocket é maior que o das câmeras HD broadcast usadas pela Globo e outras emissoras. E é muito maior que o das câmeras de vídeo HD tradicionais que todo mundo usava até pouco tempo, como a HVX200 e a Sony Z1.

          Se você acha as imagens das séries e novelas da Globo aceitáveis, então se fosse só pelo tamanho do sensor a Pocket já levaria vantagem. Mas o tamanho do sensor é apenas um dos elementos que fazem uma câmera. Existem diversas câmeras com sensores de tamanhos iguais, porém com qualidade de imagem que varia da água para o vinho.

          A Production Camera é mais indicada para pessoas experientes, pois exige muito mais em todas as etapas da produção – da filmagem até a pós. Pelo que posso deduzir, no seu caso a Pocket seria uma câmera muito mais indicada. Você vai ter uma qualidade de imagem em geral superior à de uma HDSLR típica, com a facilidade de já filmar em ProRes e evitar ter que fazer conversões antes de editar. Basta você utilizar o modo vídeo que nem de correção de cor mais sofisticada você vai precisar.

          Vou terminar enfatizando a coisa mais importante de todas: o equipamento é apenas uma ferramenta. Quem realmente faz a diferença é o profissional. Portanto, invista bastante eu seu conhecimento e técnicas, pois o melhor equipamento do mundo não faz nada sozinho. Já o melhor profissional é capaz de fazer coisas incríveis com um equipamento bem básico.

  8. Ola, tenho uma 5D Mark iii, tenho uma duvida quando estou filmar não noto o flickinng mais so na ilha de edição E que notamos.

    Atenciosamente.
    Domingos catumbila

    • Domingos, a que tipo de flickering você está se referindo? Pode descrever detalhadamente o defeito?

      • Ao gravar, n se percebe mas uma vez descarregadas, as imagens apresentam um black frame, como aqueles dos filmes mudos quando a imagem parecia estar perdendo luz, e escurecia rapidamente pelas bordas de maneira irregular. Isso sem falar que as sombras apresentam um tipo de ruído. Algum ajuste errado?

      • é o seguinte a impressão que se tem é como se eu estivesse a usar uma velocidade baixa duque os fps. uso uma Lente24-105 f4, nas capturas usei velocidade (50). ISO (800). abertura (F4). tamanho (1920/1080) 25fps.
        as imagem foram internas!
        Abs¸ Domingos catumbila

      • Olá paulo,

        Eu trabalho com o domingos e verifiquei nas imagens capturadas que surge um Black frame, como um pisco mesmo, que se apaga pelas bordas como quando a luz cai. A imagem não some, mas oscila o brilho por uma fração de segundos, como um strobe, ás vezes fraco, ás vezes forte, o que é isso?
        Noto também que nas sombras e elementos escuros de uma cena, o preto fica granulando. Usamos uma Mark III aqui em Luanda, o sistema de video é Pal M.( tem alguma relação com o problema? )

        Se você puder me dar uma dica.

        Grato pela atenção.

        • Olá Sandro, Me parece que você está com a função Highlight Tone Priority (Prioridade Tom de Destaque) ativada. Seria bom você desativar. Procure no manual da sua câmera onde fica essa função. Outras coisas que podem causar o problema são o uso de ISO Automático (para filmar você deve escolher um ISO fixo, e nunca deixar no automático senão o brilho oscila e aumenta o ruído) ou uma lente com os contatos ruins (que faz com que a iris perca o contato e fique abrindo e fechando).
          O fato do sistema ser Pal-M não tem influência nenhuma, pois aqui no Brasil é a mesma coisa.

          • Grato pela atenção Paulo, vou checar aqui as informações. Seu site é referência, parabéns.

            Abraços

  9. e também queria saber de sua parte qual é o melhor tamanho de gravação da 5d mrk iii

    Abs. Domingos catumbila

    • 1920 x 1080. Quanto ao problema anterior, também verifique que a função “Optimizar Luz Automática” esteja desligada. Outra coisa. Embora o sistema aí seja PAL-M, use sua câmera em NTSC em vez de PAL.

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