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Uma avaliação e um teste bem-humorado da Canon EOS C300

Com a intenção de debochar dos inúmeros testes de equipamentos que vem aparecendo pela internet, o professor da New York University Jonathan Yi passou uma semana filmando com uma unidade pré-produção da Canon C300. Mas o teste não é apenas uma sátira. É também uma ótima análise desta tão esperada câmera.

No final, Jonathan ficou muito impressionado com a câmera. “Ela é confiável, sensível e muito portátil”. Qualidades que se deseja de uma boa namorada, mas que o professor e cineasta atribui à Canon C300, afirmando ser a câmera com que ele sempre sonhou. Também não é para menos. A Canon se baseou nos erros e acertos em sua linha de HDSLRs para criar uma câmera profissional de alto nível.

Esta é realmente uma câmera fantástica. Em primeiro lugar, podemos dar adeus ao moiré. O novo sensor de 8.3 megapixels é sampleado 4 vezes, duas em verde e uma em amarelo, vermelho e azul, resultando em uma imagem limpíssima com 1080p de resolução. O processo é equivalente a usar três chips RGB, como nas câmeras profissionais mais tradicionais. Além da ausência de moiré, essa tecnologia aumenta a fidelidade das cores, principalmente nos tons de pele.

Quase tão compacta quanto uma HDSLR, para muitos a C300 lembra a empunhadura de uma câmera fotográfica de formato médio.

Claro que muitos vão reclamar que uma câmera desse nível deveria ter pelo menos 2K de resolução. Mas qual a diferença real de 1080p para 2K? Simplesmente de 1920 x 1080 para 2048 X 1152. Ou seja, apenas 128 pixels horizontais e 72 verticais a menos. Nada que uma simples e ligeira ampliação do master não resolva para projeção digital em 2K – o padrão universal atual.

A diferença é tão pequena que chega a ser impossível de ser percebida pelo público. E, dependendo das lentes usadas e outros fatores que alteram a definição da imagem, a imagem originada em 1080p e convertida para 2K pode paracer ainda mais nítida que a filmada originalmente em 2K. Mas por que não filmar logo em 2K, já que a diferença é tão pouca?

Porque filmando em 1080p a câmera torna-se perfeita para documentários, filmes de dramaturgia, publicidade e programas para televisão, além de exibição direta em Bluray e os formatos padrão da internet sem serem necessárias maiores conversões. Pensando bem, esses mercados são bem maiores que o da distribuição exclusivamente cinematográfica e atendê-los diretamente torna a câmera mais versátil.

Uma C300 configurada para produção cinematográfica.

O fluxo de trabalho (workflow) proporcionado pela C300 para esses mercados, portanto, é algo com o qual as câmeras de 4K não têm condições de competir. Outra vantagem é a ausência quase total do efeito gelatina, ou rolling shutter. Com o sensor do tamanho de Super 35mm otimizado para 1080p, a rapidez de varrimento deste é bem maior, eliminando esse problema.

O tamanho extremamente compacto desta câmera torna-a perfeita também para ser usada como segunda câmera em situações onde uma câmera maior de cinematografia digital não caberia. Aliás, ela é tão compacta que utiliza tranquilamente vários acessórios e rigs desenhados para uma HDSLR.

O nível de ruído de imagem na C300 também é incrivelmente baixo. Bem mais baixo que de qualquer HDSLR atual da Canon como a 5D MkII, 7D, 60D, t2i ou t3i. Sua sensiblidade vai até 20.000 ISO, mesmo assim com nível de ruído aceitável. Em 850 ISO a C300 encontra sua performance ideal, inclusive no que diz respeito à faixa dinâmica.

A nova lente 85mm T1.3 de cinema da Canon .

A câmera pode ser obtida com a opção de uso de lentes PL ou Canon EF. Essa opção deve ser feita no ato da compra e depois não pode ser alterada pelo usuário. A vantagem do PL é poder utilizar uma variedade enorme de lentes de cinema mais antigas que vão se tornando órfãs das câmeras de película. Se você tem acesso a estas lentes, essa pode ser a opção ideal.

Mas a opção EF pode fazer mais sentido para a maioria dos usuários pois, além de ter disponível as excelentes lentes fotográficas e de cinema da própria Canon, com o uso de adaptadores simples e baratos pode-se escolher uma infinidade de lentes de outros fabricantes. Isso inclui uma série de excelentes lentes Zeiss, Leica, Nikon e várias lentes mais exóticas originárias de Alemanha, França e União Soviética.

A gravação é feita em até 50Mb por segundo utilizando um codec MPEG-2 de GOP longo em 4:2:2 MXF, resultando em menos defeitos de compressão. Esta compressão baixa e de alta qualidade, aliada ao sensor do tipo RGB, tornam a C300 ideal para filmagens em fundos verde ou azul para efeitos de chroma key.

Outra vantagem da C300 é a gravação em cartões de memória tipo Compact Flash (CF), que além de mais baratos que os tipos de armazenamento utilizados pela competição, são facilmente encontrados em qualquer lugar. Vale mencionar que a câmera tem 2 slots para estes cartões e que eles podem ser usados de duas maneiras.

Na primeira, assim que o primeiro cartão enche, a gravação passa instantaneamente para o segundo,  permitindo tomadas bem longas. Na segunda, o material é gravado simultaneamente nos dois cartões, oferecendo uma cópia de segurança já na própria câmera – recurso muito interessante considerando a volatilidade dos dados na ausência de fita ou película.

A C300 com uma lente Canon zoom fotográfica série L.

Quanto à capacidade de gravação, em 50Mb/s pode-se gravar até 160 minutos em um único cartão de 64GB. Em 25Mb/s perde-se um pouco de qualidade, mas a capacidade pula para 310 minutos. Uma solução ideal para a filmagem de eventos institucionais ou outros que não exijam a mais alta qualidade que a câmera é capaz de oferecer.

A velocidade de filmagem é totalmente variável, indo de 1 a 30 quadros por segundo em 1080p e de 1 a 60 quadros por segundo em 720p. A câmera faz time-lapse sem necessidade de acessórios externos e também filma quadro-a-quadro para fazer animações.

Para aqueles que já descartam a câmera porque ela não filma em “RAW”, a Canon responde com o Canon LOG, que oferece uma faixa dinâmica expandida e gama em formato Log. Isso teoricamente oferece os mesmos recursos para pós que os da REDCODE RAW, por exemplo.

Outro recurso interessante é a possibilidade de trabalhar com picture styles, ou estilos de imagem, assim como as HDSLR da própria Canon. O detalhe mais legal é que a câmera usa um cartão SD só para armazenar estes estilos. O que torna possível copiar o mesmo estilo, no set, para diversas C300 bastando passar o SD de câmera em câmera. Assim todas ficam equilibradas, diminuindo o trabalho de correção de cor na pós.

Para finalizar, a Canon utilizou  sua experiência com HDSLRs para colocar os recursos da câmera disponíveis em diversos botões dedicados, facilitando sua operação. Outro detalhe útil são os filtros de densidade neutra (ND) embutidos – um recurso do qual os usuários de HDSLRs que vieram da câmeras tradicionais sentiam falta.

A câmera também possui time code e genlock, que facilitam muito a pós, saídas SDI e HDMI limpas, e um sistema de arrefecimento extremamente silencioso que acaba com o problema se superaquecimento do sensor, tão comum nas HDSLRs. Quanto à energia, a C300 vem com uma fonte (AC) para uso ininterrupto onde haja energia disponível e tem capacidade de filmar por 280 minutos com uma única bateria BP-975.

Bem, depois de tantas informações sérias, vamos finalmente curtir o teste bem-humorado de Jonathan Yi.

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2 comentários Nesse post
  1. Ótimo review, Paulo! Obrigado.
    No artigo você comenta que o Canon LOG teoricamente oferece os mesmos recursos para pós que o REDCODE RAW. De lá pra cá você já teve a oportunidade de trabalhar com o material da C300? Se sim, como você compararia com a performance do REDCODE?
    Tks
    Abs

    • A C300 tem uma qualidade de imagem excelente. E a sensibilidade com pouca luz, também. Ela tem uma latitude de 12 stops, que é muito boa. A RED Scarlet, por exemplo, tem uma latitude que varia de 11 a 12 stops, mas necessita de mais trabalho na pós para extrair essa informação. A C300 também tem mais precisão de cor pois usa o sensor de 4K para gerar imagens FullHD, fazendo com que cada pixel tenha informação única de cor, enquanto que no sensor da RED os pixels adjacentes influenciam a cor de cada pixel. No final das contas, embora o REDCODE dê um pouco mais de liberdade pela temperatura de cor poder ser escolhida 100% na pós, ele dá um pouco mais de trabalho para se chegar a um tom de pele mais natural, por exemplo. Já a C300 com o Canon LOG tem latitude suficiente para consertar qualquer desvio normal de temperatura de cor, sem problemas. No final, as duas câmeras tem suas vantagens e desvantagens únicas. Mas para um fluxo de trabalho de programas de TV, por exemplo, a Canon oferece um resultado excelente com menos trabalho.

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