Home Artigos Uma Introdução à Correção de Cor e Color Grading – Parte 1

Uma Introdução à Correção de Cor e Color Grading – Parte 1

A cena é muito comum… Estava recentemente em um festival de cinema verificando a projeção digital de um filme que eu havia finalizado. O projetor estava perfeitamente calibrado e a imagem estava igual à que eu trabalhei em meu estúdio. Cores, níveis, tudo perfeito. Agradeci ao projecionista, dando minha aprovação.

Perto de mim, um jovem diretor aguardava sua vez. Curioso, esperei um pouco para ver o teste do filme dele. Poucos segundos após o teste começar, o diretor reclamou que a projeção estava uma droga e exigiu que o projecionista mudasse a calibragem do projetor.

Tratando-se de um festival, onde um filme é apresentado logo em seguida do outro, há pouco que um projecionista possa fazer sem correr o risco de arruinar as outras projeções. E, por mais boa vontade que ele tivesse, pouco pode fazer para satisfazer o diretor. Este saiu da sala furioso, reclamando da “péssima qualidade de projeção de um festival de nível internacional”.

Como eu acabara de verificar que a projeção estava excelente, fui até o diretor, me apresentei e perguntei o que ele estava achando ruim na projeção. Ele respondeu que as cores estavam pouco saturadas e com a tonalidade totalmente errada. Além disso, o filme estava sem contraste. Disse para ele que eu achei a projeção excelente e completamente fiel. Ao que ele retrucou que a imagem na tela do PC dele estava totalmente diferente.

Aí já deduzi a causa do problema. Perguntei a ele se ele havia mexido nas cores do filme utilizando apenas o monitor de seu computador; Ele respondeu, quase que ofendido pela pergunta “idiota” – “Claro, né?”. Eu perguntei qual o monitor e se ele havia calibrado ele de alguma forma. A resposta foi que era um monitor como outro qualquer, que ele havia comprado na mesma loja de eletrodomésticos onde comprou seu computador. E que ele já veio calibrado de fábrica, é lógico…

Pacientemente, tentei explicar que para se mexer nas cores de um filme corretamente e evitar surpresas como a que ele acabava de ter, eram necessários vários elementos como um ou mais monitores profissionais perfeitamente calibrados e um conhecimento mínimo do sinal digital e de como monitorá-lo através do monitor de formato de ondas (waveform monitor) e do vetorscópio (vectorscope). O jovem diretor me olhou como quem acabara de conhecer um visitante do planeta Zorgon, virou as costas e foi embora.

Ouve-se muito falar de “marcação de luz”, “color grading” e “correção de cor”, e muitas vezes há uma certa confusão entre estes termos. Neste artigo tentarei explicar o que são estes processos. E, nos próximos meses, escreverei artigos mais complexos detalhando os procedimentos para que aqueles interessados possam se aventurar no maravilhoso mundo das cores, com total confiança.

Creidi antes e depois da marcação de luz. Agora os detalhes escuros são visíveis e o céu cinza ficou azul.

O Básico

O termo Marcação de Luz vem do cinema, onde usavam-se filtros coloridos para modificar a cor do filme quando este era copiado. Hoje em dia, a marcação de luz é feita digitalmente e conta com recursos muito mais precisos e avançados. Costuma-se chamar este processo digital de Color Grading, embora muita gente prefira utilizar o termo antigo.

Muitos confundem ou misturam os termos Color Grading com Color Correction (Correção de Cor). Os dois são processos muitas vezes interligados, porém são bem diferentes. Correção de cor é utilizada quando é necessário corrigir a cor de uma ou mais cenas filmadas com a temperatura de cor errada, exposição incorreta ou para equilibrar as imagens de duas ou mais câmeras em uma filmagem com várias destas.

Hoje em dia, com a relativa abundância de programas com ferramentas de correção de cor e até de color grading, é comum ver editores se aventurando nessa direção sem ter o conhecimento técnico ou o equipamento necessário para tal. O resultado muitas vezes varia de um material completamente fora dos padrões técnicos que é frequentemente rejeitado pelo controle de qualidade de emissoras de TV e distribuidores, até uma verdadeira cacofonia de cores de mau gosto muitas vezes resultantes de plugins que geram imagens enlatadas que nada têm a ver com o conceito do filme em si.

Vale acrescentar que o processo de marcação de luz (ou color grading) é muito mais complexo que o de correção de cor. Até mesmo porque a correção de cor é um dos vários elementos que compõem a marcação de luz. Para executar ambos, e principalmente o primeiro, são necessários uma série de requisitos, equipamentos, conhecimentos técnicos e habilidades artísticas.

Na segunda parte deste artigo, discutiremos os equipamentos necessários para um profissional de correção de cor e color grading. Até lá!

Uma Introdução à Correção de Cor e Color Grading – Parte 2
Uma Introdução à Correção de Cor e Color Grading – Parte 3
Uma Introdução à Correção de Cor e Color Grading – Parte 4

Gostou do artigo ?

Inscreva-se em nossa Newsletter para receber as atualizações do VideoGuru.

Artigos relacionados
0 3742

A Blackmagic Design é realmente incansável. Além de não parar de aprimorar seus produtos e anunciar novidades durante o ano todo, a empresa liderada por Grant Petty aproveitou a IBC 2014 para consolidar ainda mais sua posição de líder...
0 3476

A Adobe anunciou as novas atualizações de sua linha de softwares de video digital, que serão demonstradas em primeira mão na IBC, a segunda maior feira de equipamentos e soluções para a indústria audiovisual, prestes a ocorrer em Amsterdam, na Holanda. Melhor para os felizardos que estarão...
2 comentários Nesse post
  1. Paulo M. meu amigo gostaria de saber quando você vai postar a segunda parte e se vai falar dos tipos de monitor de pc podemos usar para ter uma melhor rendimento no trabalho final.

    • Caro Philippe,
      A segunda parte foi postada hoje. Como essa pequena série é somente uma introdução ao assunto, não estamos discutindo nenhum modelo de monitor específico. Mas pode ter certeza de que estamos planejando diversos artigos focados nas diversas áreas cobertas nesta introdução, além de muitos tutoriais.
      Para não deixar você na mão, posso desde já recomendar a série de monitores Ultrasharp, da Dell. São importados diretamente pela Dell do Brasil, o que é uma grande vantagem pois sabemos como é difícil encontrar monitores profissionais por aqui. Assim temos garantia, nota fiscal e até financiamento. Esses monitores têm recebido avaliações excelentes pelo mundo afora e posso dar meu testemunho pessoal. Com apenas pequenos ajustes, meu Dell Ultrasharp chegou muito próximo ao monitor de referência que uso.
      Abraço,
      Paulo M. de Andrade

Deixa seu comentário

GALERIA

1 4914

A interação entre ação viva e animação tem sido explorada ao longo da história do cinema, com muitos exemplos dos estúdios Disney e o inesquecível "Uma Cilada para Roger Rabbit", dirigido por Robert Zemeckis. O resultado, em geral, é estimulante. Pensando bem, a idéia...
8 5397

Esse vídeo fantástico, feito na Rússia para o lançamento de um projeto imobiliário, foge totalmente dos padrões tradicionais e utiliza a fantasia, com imagens incríveis, no lugar do uso tradicional de plantas e animações dos prédios em computação gráfica....
1 6027

Há algum tempo, publicamos um post com um vídeo do editor Piu Gomes, criado para responder a essa pergunta essencial para quem quer entender a linguagem audiovisual: o que é montagem? Também publicamos, há mais tempo ainda, outro post chamado...