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Uma Introdução à Correção de Cor e Color Grading – Parte 2

Para se trabalhar com cores e níveis de sinal de imagem, não basta apenas um computador com um monitor qualquer. Aliás, raros são os monitores de computador normais adequados para o processo.

Monitores de Imagem

Quando pessoas desavisadas utilizam um monitor qualquer como referência, acabam tendo surpresas bem desagradáveis no final. A mais comum é ver que o árduo trabalho executado durante diversos dias aparece completamente diferente em uma tela de TV ou quando projetado em um cinema.

As diferenças podem ir desde cenas escuras demais até a total falta de contraste além de cores extremamente saturadas, lavadas ou com tons totalmente diferentes daqueles que se buscou na ilha de edição. O porque disso é que a colorimetria dos monitores tradicionais é totalmente diferente da dos monitores profissionais.

Monitor de referência Ikegami com probe de auto-ajuste.

Os monitores servem de referência de como as imagens aparecerão na TV ou cinema, portanto devem ser adquiridos modelos profissionais, desenhados para tal. No entanto, raramente vemos produtoras investindo neste tipo de equipamento. Até mesmo porque um bom monitor de referência pode custar várias vezes o preço do resto a ilha de edição.

Mesmo assim, é um equipamento essencial para este tipo de trabalho e não é justo que alguém se proponha a alterar a imagem de um filme de um cliente sem ter esse equipamento absolutamente necessário.

Quando o investimento em um monitor específico para grading não é possível, o mínimo que se deve fazer é obter um monitor de computador de linha profissional, que custa um pouco mais caro mas possui uma colorimetria mais dedicada a imagens e não apenas à exibição de planilhas, arquivos de textos e programas de internet, como a maioria dos monitores comuns.

Além disso, é importante calibrar estes monitores para que eles exibam cores fiéis, além de toda a gama de cinza necessária para a visualização de todas as nuanças da imagem. Essa calibragem varia desde a visual, feita com o auxílio de programas, até a eletrônica, feita por meio de sensores especiais.

Detalhe do probe calibrador Ikegami que garante cores e luminância perfeitas.

Mas o que é um monitor de referência, por que custa tão caro e o que o torna especial? Em primeiro lugar, os circuitos são extremamente sofisticados – desenhados para reproduzir com perfeição os sinais sem variações causadas por temperatura, oscilações na rede elétrica e níveis de sinal de vídeo.

Estes circuitos aderem rigidamente aos padrões internacionais de imagem e visam reproduzir todos os detalhes e, principalmente, imperfeições. Este é um detalhe importante, pois os monitores comuns, sejam de computadores ou vídeo, frequentemente contém circuitos que “corrigem” automaticamente a imagem, escondendo os problemas existentes.

Assim, quando uma produtora mal equipada utiliza um monitor de TV comum como referência, está na verdade mostrando ao cliente uma imagem artificial de seu filme e prestando a este um desserviço, já que certamente os problemas virão a aparecer mais tarde, nos momentos mais inoportunos.

Monitores profissionais para computador.
Em primeiro plano, monitores de sinal por software.

Além de ter circuitos sofisticados, as telas dos monitores de referência são fabricadas sob rigorosas especificações técnicas e materiais especiais. Assim, são capazes de reproduzir cores e sinais de luminância que os monitores comuns não mostram. Além disso, os monitores mais sofisticados possuem calibradores de imagem e são capazes de se auto-ajustar para a reprodução correta e absolutamente precisa de todo o sinal por eles exibido.

Hoje em dia, mesmo quando trabalhando em imagens de alta definição, ainda são utilizados monitores de tubo de definição normal (SD) para avaliação final das cores. A definição menor não atrapalha em nada este tipo de trabalho porque a imagem é convertida para SD por uma placa de vídeo como as Blackmagic e AJA, que já convertem o sinal para o espaço de cor adequado.

Assim, temos uma imagem perfeita em SD, com as cores que representarão fielmente a imagem final quando projetada, exibida pela televisão ou assistida através de um DVD ou BluRay.

Para poder marcar luz e corrigir cores corretamente, são necessários dois tipos distintos de monitores profissionais. O(s) monitor(es) do computador em si e um monitor externo de referência, ligado ao computador através se uma placa de vídeo como as citadas acima. Embora muitos editores insistam em trabalhar somente com monitores de computador, alegando que estes sejam suficientes, nenhum profissional competente trabalha sem um monitor externo a não ser que seu trabalho final seja exibido somente pela internet.

Além deste exibir o sinal de uma maneira bem mais precisa, é também capaz de mostrar problemas que não aparecem em nenhum monitor de computador. Um exemplo são imagens entrelaçadas gravadas e/ou editadas com os campos invertidos. No monitor de computador tais imagens aparecem normais, mas em uma tela de TV aparecem com batimentos terríveis, tornando o material impossível de ser assistido.

Portanto, para resumir, nunca confie seu precioso material a um monitor igual ao que seu sobrinho usa para jogar Call of Duty ou uma TV igual à que sua avó assiste reprises de novelas do milênio passado.

Monitores de Sinal

Por mais bem treinado que um profissional seja, e por melhor que sejam seus monitores, o olho humano é incapaz de discernir com precisão as pequenas nuanças que fazem parte do sinal da imagem. Portanto, é necessária a utilização de monitores especiais que mostram o sinal de luminância (luz) e crominância (cor) para estarmos certos de que não só utilizamos toda a latitude do sinal como também que este esteja adequado às normas de exibição das redes de televisão.

É muito comum que uma fita master aparentemente perfeita seja rejeitada por uma emissora de TV por motivos técnicos. O mais comum desses motivos é um sinal fora dos padrões.

O Vectorscope é utilizado na monitoração de cores.

Um profissional bem treinado tem que ter pelo menos conhecimentos básicos de engenharia de sinal e precisa saber ler e interpretar todos os tipos de monitores de sinal. Além de produzir material adequado à exibição em qualquer rede de TV (ou outros veículos), deve saber reconhecer problemas para que possa solucioná-los corretamente.

Existem monitores de sinal externos, que são aparelhos dedicados e que são usados quando um sinal é transferido para um gravador profissional. Estes são muito importantes não só para garantir uma gravação perfeita mas também para diagnosticar possíveis problemas na captura.

Podem também ser utilizados em conjunto com o monitor de imagem externo durante o processo de correção de cor ou marcação de luz, como uma medida extra de segurança. Existem também os monitores de sinal digitais por software, que são réplicas virtuais de seus equivalentes físicos. Os melhores programas de marcação de luz, edição e efeitos contam com monitores de software precisos e confiáveis.

No entanto, certos programas mais básicos contam com monitores imprecisos e limitados. É importante, portanto, trabalhar com programas profissionais que garantam a perfeita visualização do sinal.

Um profissional experiente consegue, através dos monitores de sinal, facilmente corrigir problemas na imagem e igualar níveis de sinal entre múltiplas câmeras. Os monitores de sinal são absolutamente essenciais para um bom trabalho. Assim, um bom colorista divide seu tempo entre os monitores de sinal e os monitores de imagem, um complementando o outro.

Na terceira parte deste artigo, abordaremos os processos de correção de cor e color grading em si. Até lá!

 

Uma Introdução à Correção de Cor e Color Grading – Parte 1 
Uma Introdução à Correção de Cor e Color Grading – Parte 3
Uma Introdução à Correção de Cor e Color Grading – Parte 4

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