Home Artigos Uma Introdução à Correção de Cor e Color Grading – Parte 3

Uma Introdução à Correção de Cor e Color Grading – Parte 3

Vamos descrever aqui, resumidamente, o processo típico de marcação de luz, incluindo a fase de correção de cor.

O Processo

A marcação de luz é geralmente feita após a edição estar pronta. De preferência, o material deve ser entregue no formado do programa de edição usado, com todas as sequências originais presentes. Se houver necessidade de conversão do sinal, esse é o próximo passo a ser executado.

Nem sempre é possível ou aconselhável que a correção de luz e o color grading sejam feitos com o codec original utilizado na filmagem.  Deve-se utilizar um codec que tenha uma latitude ampla o suficiente para evitar degradação da imagem e que possibilite mudanças precisas sem alterar outras partes da imagem.

Codecs como HDV (utilizado em câmeras de vídeo mais baratas) e H.264 (utilizado na maioria das câmeras HDSLR como a Canon 5D), por exemplo, são extremamente limitados para a pós-prdução e qualquer alteração no sinal utilizando-os resulta em efeitos colaterais.

É imprescindível, portanto, fazer a conversão do material para um codec mais adequado como ProRes e outros que trabalhem com uma resolução de cor maior e sofram menos degradação por compressão.

Se bem que, tratando-se dos codecs mencionados acima, aconselhamos que a conversão seja feita antes do processo de edição quando sabe-se que a marcação de luz será feita. Mesmo quando utilizando programas de edição trabalhem com esses codecs em tempo real.

Painel vWave de controle virtual para marcação de luz rodando em um iPad.

Em seguida, o material é transferido para um programa especial de marcação de luz, que trabalhe em um espaço de cor preferivelmente infinito para que seja possível alterar a imagem sem perda nenhuma. Os programas dedicados mais populares esses dias são o Color da Apple e o DaVinci Resolve da Blackmagic.

Quando se alteram cores de uma maneira radical dentro de um programa de edição, é comum que toda a imagem seja afetada pela modificação devido ao espaço de cor limitado pelo sinal original. Ao tornar uma imagem azulada para simular noturnas, por exemplo, tudo na imagem muda e é comum que haja perda nos sinais das outras cores.

Em um programa dedicado, por outro lado, é possível adicionar o tom azulado sem afetar as outras cores em geral, obtendo portando um resultado mais limpo, real e visualmente agradável.

O primeiro passo na marcação de luz é normalmente a correção primária de cores, feita em uma “sala” de entrada primária. Salas são os diversos departamentos do programa. Na sala primária podemos trabalhar na luminância, alterando os sinais escuros, médios e claros independentemente.

Desta forma, pode-se clarear uma cena escura e manter o contraste da imagem, ao mesmo tempo. Algo impossível de conseguir utilizando controles tradicionais de nível de sinal. Pode-se também alterar as cores individualmente nas diversas faixas de luminância. E podemos criar padrões para que câmeras com imagens diferentes se tornem iguais.

Detalhe dos pixels em um monitor de referência Ikegami, com fósforo padrão SMPTE. Os pontos verdes, vermelhos e azuis formam todas as combinações de cor possíveis.

A seguir, passamos para a correção secundária. Um bom programa oferece várias salas secundárias, possibilitando ajustes de muita precisão. Nas salas secundárias é possível selecionar partes muito precisas do sinal, isolando-as e alterando-as sem afetar mais nada na imagem.

Um exemplo comum é retirar as cores de toda a imagem, deixando apenas o vestido da protagonista colorido. Da mesma forma, é possível mudar completamente a cor de um objeto sem alterar os outros, transformar um céu nublado em azulado, etc.

Nas salas secundária podemos criar vários tipos de máscaras e, em programas avançados, podemos utilizar um recurso chamado tracking que acompanha os movimentos originais da câmera e aplica-os às máscaras.

Assim, por exemplo, podemos iluminar somente um rosto que encontrava-se escuro, sem afetar mais nada, e fazer com que esta luz acompanhe o rosto perfeitamente, independente do movimento da câmera. Isto torna o efeito inteiramente transparente, imperceptível para o público.

Podemos acumular os efeitos de diversas salas secundárias para criar um efeito geral final. Por exemplo, ao transformar um céu normal em um belo entardecer, pode ser necessário utilizar várias máscaras – uma para cada região do céu.

É possível, ainda, em certos programas, a aplicação de diversos filtros na imagem – filtros esses que tradicionalmente eram utilizados no ato da filmagem como difusores, degradês, etc.

O último passo é fazer uma correção final na imagem na sala de saída primária. A vantagem é que podemos alterar a imagem geral, já em cima das mudança feitas nas outras salas. Ou seja, depois que a imagem foi corrigida e uma paleta específica foi aplicada à imagem, pode-se mexer pela última vez nos tons médios se for preciso.

Os programas dedicados de marcação de luz e correção de cor ainda permitem que se gravem diversos estilos e ajustes na memória. Assim, basta corrigir um plano de uma cena uma única vez e aplicar esse visual nos outros cortes formados pelo mesmo plano, independente da ordem no timeline.

Depois que a cor do filme inteiro foi tratada, é necessário renderizar todo o material, mesmo que o programa em si toque tudo em tempo real. É durante o render que o programa faz os cálculos de conversão do espaço de cor infinito interno para o espaço final de exibição do filme, que pode ser de 8 ou 10 bits.

O próximo passo consiste em re-importar o material no programa original de edição ou então utilizar outro programa de finalização, como o SMOKE da autodesk, para os últimos retoques.

Na quarta e última parte deste artigo, discutiremos alguns dos principais motivos para a correção de cor e color grading. Até lá!

 

Uma Introdução à Correção de Cor e Color Grading – Parte 1 
Uma Introdução à Correção de Cor e Color Grading – Parte 2
Uma Introdução à Correção de Cor e Color Grading – Parte 4

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