Home Artigos Uma Introdução à Correção de Cor e Color Grading – Parte 4

Uma Introdução à Correção de Cor e Color Grading – Parte 4

Discutiremos agora as principais razões para se investir em correção de cor e color grading.

Os Motivos

Existem diversos motivos para se fazer a marcação de luz. O mais óbvio é o acabamento. As imagens tratadas ganham mais vida. São muito superiores às originais em todos os aspectos, o que causa um impacto muito maior em quem assiste.

Mas a marcação de luz vai muito além disso. Outro motivo importante é a solução de problemas originários da filmagem. E praticamente todo tipo de produção sofre desses problemas. Seja um dia de filmagem nublado quando deveria ser um dia de sol, seja um céu estourado devido à falta de luzes ou rebatedores.

Ou até mesmo mudanças repentinas de intensidade de luz causadas por nuvens, passagem por locais mais escuros, etc. Enfim, se o problema envolve intensidade de luz ou variações de cor, é bem provável que possa ser totalmente resolvido ou pelo menos amenizado no processo de marcação de luz.

Cena do curta metragem Casal Clichê, da diretora
Beatriz Taunay, antes e depois do color grading.

Um outro motivo, muito importante, é o artístico. Através de uma boa marcação de luz, podemos mudar totalmente ou enfatizar as emoções transmitidas por uma cena. Não só utilizando o claro e escuro como também criando tonalidades de cores para a cena.

O uso de cores para afetar as emoções é extremamente eficaz e é utilizado com muito cuidado em todos os grandes filmes. A cor certa pode tornar uma cena mais alegre, deprimente, excitante, romântica, misteriosa.

A cor também é muito utilizada na publicidade para tornar produtos mais atraentes, exclusivos, identificáveis com o público-alvo e com determinadas faixas etárias. Os comerciais mais sofisticados recebem sempre um tratamento de cor meticuloso.

O uso artístico de cores é uma verdadeira arte. O bom colorista deve ter profundo conhecimento técnico e psicológico do uso das cores, passando pelo entendimento da física da visão humana (e animal em geral) e princípios básicos de harmonia de cores aplicados por artistas plásticos.

O bom colorista analisa profundamente o material e cria palhetas de cores apropriadas para casa sequência. Um longa metragem pode ter uma palheta geral com variações ou diversas palhetas diferentes associadas a personagens, climas, locais e emoções.

É comum desenharmos palhetas que mudam de acordo com a tensão da estória, adicionando uma nova camada sensorial que atinge diretamente o emocional do público.

Detalhe dos pixels da tela um iPad. Como em uma TV, os pontos verdes,
vermelhos e azuis formam todas
 as cores possíveis. A visão humana também
é sensível a estas cores, daí a utilização delas em displays.

Podemos dizer que a marcação de luz é como a lapidação de um diamante. Antes, a pedra bruta já é bela. Mas a diferença depois da lapidação é fantástica, trazendo à tona seu verdadeiro potencial.

Resumindo essa introdução, podemos concluir que para oferecer um bom serviço de marcação de luz e/ou correção de cores, é necessário:

• Um estúdio bem equipado, com monitores de referência profissionais e calibrados.
• Obter conhecimentos de engenharia de vídeo, para ter certeza de que o material final será aceito pelas TVs e outros meios de exibição.
• Tentar obter um profundo conhecimento artístico de modo que saiba-se utilizar as ferramentas de manipulação de cor para melhorar de verdade o material, tanto a nível emocional quanto visual.
• Evitar plugins enlatados que dão o mesmo visual a todos os trabalhos, sem preocupação com as implicações estéticas e emocionais do produto final.

Embora as ferramentas básicas de color grading e correção de cor estejam se tornando cada vez mais populares, vale a pena ressaltar que não existem cursos de colorista. Porque para se tornar um colorista de verdade, não basta aprender a mexer em um programa. Além do conhecimento técnico e artístico essencial, é necessário ter “olho” pra coisa.

Isso é um dom nato, assim como o dom musical ou da pintura. Daí existirem poucos bons coloristas no mercado. No entanto, não há motivos para se desanimar. Uma boa maneira de começar é prestando bastante atenção nos seus filmes favoritos e tentando replicar o estilo dos coloristas em seus próprios trabalhos.

Quando obtemos sucesso neste exercício, passamos a entender como a imagem pode ser manipulada. Dominando as ferramentas e as técnicas, podemos começar a criar. Ir além dos estilos dos outros e inventar os nossos próprios.

Outro conselho que sempre dou para aqueles que querem se aventurar nesse trabalho é estudar atentamente as obras dos grandes mestres da pintura. Estes foram os precursores dos diretores de fotografia e coloristas modernos, dominando profundamente a luz e a cor.

Agora que terminamos essa introdução à correção de cor e color grading, pretendemos escrever artigos mais específicos que cobrirão as diversas partes do processo em muito mais detalhe. Fique ligado no Video Guru!

 

Uma Introdução à Correção de Cor e Color Grading – Parte 1 
Uma Introdução à Correção de Cor e Color Grading – Parte 2
Uma Introdução à Correção de Cor e Color Grading – Parte 3

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8 comentários Nesse post
    • Muito obrigado, Ralph.
      Em breve teremos artigos mais aprofundados sobre correção de cor e color grading.

  1. Muito bom, Paulo!! Parabéns… bem escrito e bastante criterioso. Li as 4 partes, com gosto de quero mais… Abração!

  2. Muito esclarecedora a introdução ao mundo das cores, Paulo. Fico na torcida pra série de artigos ter continuação!! Bjs

    • Obrigado, Maiara. Com certeza teremos vários artigos sobre esse assunto. Vale a pena você ler os artigos sobre monitoração para o Mac, pois esta é uma parte importante do processo de correção de cores.

  3. Olá Paulo! Parabéns pela dedicação com que você escreve para o blog e obrigada pela oportunidade de ter acesso a esse tipo de informação. Sei que o post é relativamente antigo, mas o conteúdo ainda é muito atual. Já revirei seu site em busca de mais referências e dicas de estudo. Moro em Curitiba e as oportunidades são escassas, pra não dizer quase nulas, de aprender os conceitos e técnicas no tratamento da cor. Isso fica reservado quase que com exclusividade para pouquíssimos privilegiados da publicidade e não pra estudantes de jornalismo como eu. Já passei por estúdios de fotografia que me deram uma noção de luz e trabalhei também em um estúdio de mixagem que me proporcionou alguma bagagem nos bastidores do cinema e onde comecei a descobrir mais sobre o B-A-BA da pós-produção. Mais do que informações técnicas e tutoriais (que de fato são muito importantes), fico super feliz em encontrar textos como seu que trazem informações conceituais sobre correção de cor, color grading e sobre a responsabilidade artística que devemos ter. Ainda não tenho condições nem de adquirir um equipamento mais pesado para testar os programas e quem dirá um estágio na área, nem dos mais ralés, para por em prática, mas fico de certa forma aliviada por saber que softwares e hardwares ficam obsoletos, o conhecimento adquirido não. Como você bem lembrou em uma citação em outro post, acesso a papel e caneta não é garantia de bons escritores. Obrigada mesmo, espero que venham outros textos como este. Abraços!

    • Obrigado, Pamela! Embora eu tenha me desligado do VideoGuru no ano passado, ainda continua de pé a idéia de cursos sobre tratamento de cor.

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