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Videoguru amplia o foco e apresenta Paulo M. de Andrade

Hoje faz um mês que o Videoguru estreou online. Sem nenhuma divulgação além de mensagens em redes sociais, o blog obteve índices de visitação muito além das nossas expectativas. Essa resposta aos post publicados nos motiva a seguir por novos caminhos, e por isso estamos redefinindo nosso foco para um conceito ampliado de video digital.

Ainda que com menor ênfase, continuaremos tratando de equipamentos e processos de captação, porque entendemos que fazem parte do universo do video digital, que precisa ser compreendido e tratado como um todo. Mas, a partir de agora, vamos investir bem mais nas diversas áreas da chamada “pós-produção criativa”, definição inspirada no recente simpósio organizado pela Cinemateca Brasileira, e que passa a constar em nosso subtítulo.

Para tanto, o Videoguru ganha um colaborador fixo muito especial, Paulo M. de Andrade, profissional experiente, com muitos anos nos EUA, autor de inúmeros artigos para revistas e sites de video digital americanas, e especialista em color grading, composição, e efeitos especiais. Em seguida, um rápido bate-bola com Paulo, para você conhece-lo melhor.

Videoguru – Como foi sua experiência escrevendo artigos técnicos para revistas e sites americanos?

Paulo M. de Andrade – Foi uma experiência fantástica. Comecei escrevendo para a revista Amiga World, da qual era fã quando o Amiga era o computador que surgiu para iniciar esse processo de democratização do vídeo e da computação gráfica. A revista era disputada a tapa aqui no Brasil pois era importada e se esgotava imediatamente. Quando fui para Seattle, escrevi uma carta para o editor dando os parabéns e sugeri um artigo. O editor respondeu, perguntando se eu gostaria de escrever e daí em diante foi um convite atrás do outro para escrever para as mais diversas publicações. E, com isso, vieram importantes relacionamentos com os maiores fabricantes de software e hardware.

Teve um episódio muito interessante quando alguém da Adobe leu um de meus artigos e me convidou pra visitar o centro de desenvolvimento do After Effects, que ficava em Seattle. O programa tinha sido adquirido da Cosa e só tinha uma versão da Adobe. Depois de um agradável tour pela empresa, a moça que me serviu de guia me levou a uma sala e conferência onde uma mesa enorme estava lotada de pessoas com blocos de papel e canetas na mão. Ela me sentou à cabeceira e, sem que eu tivesse tempo algum para me preparar, me bombardearam de perguntas sobre como eles poderiam melhorar o produto. Dei diversas sugestões que acabaram no programa e daí tornei-me um beta tester durante muitos anos.

Era maravilhoso ter acesso aos programas e equipamentos mais recentes, às feiras profissionais e também aos melhores centros de treinamento. Escrevi inúmeras resenhas e tutoriais. Foi incrível.

Videoguru – O que você vêm fazendo atualmente, agora que voltou a se instalar no Rio de Janeiro?

Paulo – Tenho trabalhado muito com finalizacão para cinema e outras mídias. A experiência que adquiri em Los Angeles foi maravilhosa. Mas trabalhar com color grading é algo que exige um aprendizado constante. Acho que tudo começou quando aprendi pintura a óleo com a renomada artista plástica Erna Antunes. Dali veio um conhecimento de cores muito além do que havia aprendido na faculdade, em Hollywood. Além de aprender como manipular cores e criar harmonia em cada cena, aprendi a observar melhor o mundo real e também a aprender com os grandes mestres da pintura.

Depois vieram os diversos livros que tratam desde a influência psicológica que as cores exercem no ser humano até a própria fisiologia da visão no homem e em outros animais. Aliás, entender como os outros animais enxergam me foi muito útil recentemente, quando finalizei e fiz efeitos para um longa que tem importante participação de um lobo selvagem, com tomadas que simulam seu ponto de vista.

Hoje trabalho na maior parte do tempo com produções brasileiras mas, também, com clientes americanos.

Como finalizador, não sou responsável somente pela parte artística. Grande parte do trabalho consiste em consertar problemas na filmagem, corrigir e equilibrar cores e, muitas vezes, salvar tomadas consideradas totalmente perdidas. Além disso, trabalho muito com os chamados “efeitos invisíveis”.  Como, por exemplo, apagar elementos indesejáveis em uma cena ou adicionar elementos que acrescentem ao visual, como uma lua cheia que não fazia parte do céu, acompanhando perfeitamente um movimento de câmera e se escondendo atrás de uma árvore. Isso exige um bom conhecimento de programas de efeito sofisticados como Combustion e Nuke.

Videoguru – Qual a importancia de fazer um blog como o Videoguru no Brasil nesse momento, e como você se sente começando a participar dele?

Paulo – Acho de extrema importância, pois são muito raras as publicações profissionais em português. Conheci o João Velho há vários anos, na época em que eu escrevia nos EUA e ele no Brasil. Acho que sempre houve o desejo mútuo, desde então, de fazermos algo juntos. E a maior coincidência foi que eu estava justamente me preparando para começar um blog sobre HDSLRs quando o João entrou em contato comigo me convidado para escrever para o Videoguru. Já estamos preparando uma lista enorme de artigos e tenho certeza que viraremos a referência nacional em blogs profissionais no Brasil, em muito pouco tempo.

Mais informações sobre o Paulo no link Sobre o Blog. Ele começa a postar no Videoguru a partir de amanhã, dia 13 de dezembro de 2011.

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2 comentários Nesse post
  1. Realmente admirável sua carreira Paulo. Basta ver a qualidade dos posts do Blog para chegar a conclusão de que és um grande profissional.

    Pretendo buscar uma formação profissional nessa área de color grading e efeitos de tratamento de vídeo. Gostaria que me orientasse na forma de como devo começar. Em que tipo de cursos aderir, etc.
    Estou no último ano do curo de artes plásticas da USP, já tenho algumas conhecimento em pintura mas não possuo qualquer profundidade quanto ao tratamento digital.

    Desde já agradeço a paciência e atenção.

    • Obrigado, Felipe.

      É meio difícil encontrar um bom treinamento para colorista, até mesmo fora do Brasil. A melhor maneira de aprender é trabalhar para um colorista experiente, mas isso é bem difícil. Se você entende inglês, recomendo começar lendo o livro Color Correction Handbook, do Alexis Van Hurkman. Você pode encomendar pela Amazon. Ele dá uma visão geral muito boa do trabalho do colorista e discute várias técnicas. Existe também diversos cursos em vídeo sobre correção de cor e grading, gerais ou esoecíficos para o DaVinici Resolve, que você pode encontrar fazendo uma simples busca na internet.

      O fato de você estar cursando artes plásticas já é um ótimo passo na parte criativa do color grading. O que você vai precisar é uma formação na área técnica relativa a níveis de sinal de vídeo, espaços de cor, codecs, etc. E é bom aprender a operar programas de edição como o Final Cut, Adobe Premiere e/ou AVID pois como colorista você vai precisar de um conhecimento básico de edição (não necessariamente a nível de se tornar um editor, mas pelo menos para saber organizar o material e entender o que pode ser traduzido para o programa de cor e o que não pode).

      É uma profissão muito interessante e gratificante, mas exige uma mistura única de arte com um pouco de engenharia de vídeo e bastente conhecimento técnico.

      Estamos tentando organizar alguns cursos, mas o tempo anda curto. Porém, uma hora dessas chegamos lá!

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