Home Entrevistas Videoguru entrevista: Carlos Bêla – designer e artista de motion graphics

Videoguru entrevista: Carlos Bêla – designer e artista de motion graphics

Carlos Bêla inaugura a série de posts “Videoguru entrevista”. Considerando que Bêla é tido como um dos mais importantes artistas de motion graphics do Brasil, a escolha não poderia ter sido mais apropriada.

Videoguru – Você poderia falar um pouco do seu percurso profissional como artista de motion graphics?

Carlos Bêla – Desde meus quinze anos eu queria ser designer. Gostava muito de desenhar, coisa que infelizmente foi se perdendo com o tempo por culpa do computador (na verdade, a culpa é basicamente minha mesmo). Aos 18 eu entrei na faculdade de Desenho Industrial da FAAP – SP e aos 21 fui contratado como estagiário da MTV Brasil. Tive a sorte de entrar no que muita gente chama de “época áurea” da emissora.

Trabalhei com excelentes profissionais e minha escola de motion graphics não poderia ser melhor. Depois de 5 anos, entrei na Lobo, onde tive a oportunidade de desenvolver técnica e criativamente meu trabalho, além de contribuir com o êxito do estúdio no mercado interno e externo de motion. Desde meados de 2010 estou em carreira solo, após uma década na Lobo.

“Capture The Motion” – Panasonic

Videoguru – Que trabalhos você considera mais significativos na sua carreira e quais os que mais te acrescentaram como profissional?

Carlos Bêla – Não por acaso, os trabalhos mais gratificantes de serem feitos e que considero mais significativos foram aqueles que pude utilizar de um item cada vez mais raro nos dias de hoje: tempo. Com tempo você chega a soluções criativas e técnicas melhores, com melhor acabamento e mais segurança.

Em ordem apenas cronológica:

– Lado B
– Golden Shower
– Diesel “Lost Paradise”
– Panasonic “Capture The Motion”
– Cine
– Pedra do Reino
– Capitu

Não apenas bons trabalhos nos ensinam e nos fazem crescer como profissionais. Muitas vezes aprendemos muito com pequenos projetos, daqueles que não mostramos pra ninguém depois que concluímos. Mas certamente, dentre os relevantes, os trabalhos que mais aprendi foram as aberturas de “Pedra do Reino” e “Capitu” desenvolvidas para o diretor Luiz Fernando Carvalho. Trabalhar para ele é uma experiência única. Árdua, mas muito gratificante.

Série de vinhetas Cine – MTV

Videoguru – Como está sendo para você a saída da Lobo para a carreira solo? Que trabalhos rolaram nessa nova fase?

Carlos – Ainda considero estar numa fase de adaptação. Nunca tinha trabalhado apenas como freelancer antes disso, mas estou gostando muito. Nesta nova fase estou focando muito mais no design. Não só motion graphics, mas identidade visual, logos, posters, print em geral, etc. Em video, rolaram trabalhos para a MTV, Globo, Claro, entre outros.

Videoguru – Como é o seu processo de trabalho e que ferramentas você usa?

Carlos – Não existe um processo fixo para a criação de um projeto. Cada trabalho tem suas características próprias. Quando há criação envolvida, considero sempre muito importante a conceitualização. Para mim, nada pode ser gratuito ou estar lá por estar. Há sempre uma ideia, abstrata ou concreta, por trás do trabalho. E normalmente é essa ideia e conceito que conduzem o projeto e a escolha das ferramentas que melhor os traduzem: foto, pintura, stop motion, filme, After Effects, etc.

Videoguru – Como você acompanha as inovações constantes de software e hardware?

Carlos – Sempre fui muito ligado nessas inovações, pesquisando e acompanhando o que está sendo criado nessas áreas, mas confesso que ando meio longe disso tudo ultimamente. Cada vez mais procuro focar nas soluções criativas para, se necessário for, correr atrás do maquinário necessário pra colocá-las em prática depois. Sigo alguns blogs e, vou te dizer com muita sinceridade, o Videoguru hoje é o meu preferido.

Abertura da série Pedra do Reino – TV Globo

Videoguru – Como você estuda, não apenas as ferramentas? Que fontes de informação são importantes para você e que você indicaria?

Carlos – O motion graphics hoje está muito chato. Cada vez mais as coisas se repetem. Você entra no Motionographer ou Stash, por exemplo, duas referências significativas da área, e é tudo muito parecido, repetitivo, sem identidade. É cada vez mais raro ver algo que se destaque no meio. Procuro informação, então, em livros, filmes, animações antigas, etc. Não só de motion graphics, mas de outros assuntos como artes plásticas, arquitetura, fotografia, cinema, música, biologia, gastronomia, etc etc.

Videoguru – Que outros artistas de motion graphics no Brasil e no mundo você destacaria? Que trabalhos de terceiros fizeram a sua cabeça e você admira?

Carlos – Sob pena de soar extremamente previsível, os trabalhos que até hoje eu vejo e admiro profundamente são os dos princípios da nossa profissão. Primeiro, os precursores Oskar Fischinger e Norman McLaren. E depois, o cara que fazia tudo o que fazemos – e melhor? – já na década de 1950: Saul Bass. Claro que muitos outros artistas que vieram depois tem importância grande na área, mas se existem trabalhos que, por mais que eu veja, continuo me impressionando com as soluções e ideias, são os desses 3 caras.

Abertura da série Capitu – TV Globo

Making of da abertura da série Capitu

Videoguru – Você considera promissora a área de motion graphics no Brasil? Que conselhos ou dicas você daria para o cara que está se iniciando?

Carlos – A área está se expandindo cada vez mais no país e acredito que espaço sempre vai existir para os bons profissionais. O conselho que dou para os iniciantes é: vá atrás de novas ideias. Procure criar suas próprias soluções e não usar as soluções alheias. Enriqueça sua mente com tudo o que te interessa e te dá prazer, pesquise, se informe muito, treine o olho e o ouvido, sempre de forma crítica. Esqueça os dogmas, convenções e preconceitos. Ah, humor também cai bem 😛

Videoguru – Quais são os planos para 2012?

Carlos – Design, design, design. E um pouco de música, também. São vários os planos, mas não posso contar agora. Garanto que, assim que puder, mando notícias pro Videoguru!

Você pode assistir todos os trabalhos citados por Bêla na entrevista e muitos outros acessando seu canal no Vimeo. Lá você também pode conferir mais detalhes e as fichas técnicas dos trabalhos. Ele também tem um site pessoal, que está sendo finalizado.

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3 comentários Nesse post
  1. Os trabalhos do Bêla não param de surpreender. Alguns são sugestivos, outros inspiradores, outros alusivos, outros inquietantes, alguns são até hipnóticos. Acima de tudo, sempre há uma recusa terminante ao clichê, à concessão fácil, ao pret-à-porter. Ele sempre inova. E em alto nível.

  2. Realmente assisti o começo desta carreira, muito antes da computação estar ao nosso alcance. Vi isto começar na infância aonde o luxo era um simples brinquedo que se chamava “Traço Mágico”, Carlos sempre fez de seus desenhos uma obra. Mas ” AQUELA OBRA ” rica em detalhes, uma viagem!!! Parabéns meu querido !!! Um grande abraço !!!

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