Home Entrevistas Videoguru entrevista: Cavi Borges, diretor e produtor — parte 2

Videoguru entrevista: Cavi Borges, diretor e produtor — parte 2

Na continuacão da entrevista com Cavi Borges, você vai saber mais sobre a atuação da Cavideo, sua produtora, e quais são seus projetos para 2012.

Videoguru – A Cavideo, como empresa, é filha dessa revolução do vídeo digital. Você pode dar um apanhado do que você já conseguiu fazer dentro dessa linha de atuação?

Cavi – A gente começou em 2000 com os cineclubes, que era a projeção digital de filmes. Começamos na Cobal e depois criamos oito cineclubes em comunidades, e ajudamos nesse retorno do cineclubismo no Rio. Hoje em dia a gente nem faz tanto mais.

Num segundo momento a gente criou uma distribuidora de curtas, pra DVD, também em digital. A gente juntava curtas em DVD, e distribuia em locadoras gratuitamente pra elas disponibilizarem pro público gratuitamente, dando conta de um formato que ninguem tinha acesso. A própria locadora, não deixa de ser uma distribuidora, as pessoas vão lá pra pegar filme, então lá tem documentários, curtas gratuitos.

Então, num terceiro momento a gente começou a fazer filmes, e hoje em dia, depois de seis anos fazendo filme, isso começou em 2005, a gente já tem 80 curtas e 12 longas, vamos ter agora 15 longas, todos filmados em digital,  quase todos feitos sem editais, só dois com editais. Ou seja, você vê que se eu fosse esperar a grana, esquema profissional tradicional, eu teria feito dois curtas. E em seis anos a gente fez 80 curtas.

Você vê o volume, que tá ligado ao digital e ao custo mais em conta. As parcerias, eu desenvolvo muitas parcerias com pessoal de comunidade, que até então nunca tinha feito cinema. Então eu faço filme com o pessoal da Cidade de Deus, Santa Cruz, Morro dos Macacos, com o pessoal do Cinema Nosso, de Minas, da Bahia, tudo digitalmente.

Aí depois lançamos um distribuidora para lançar filme brasileiro comercialmente, que é a Original Video. A gente lança o DVD, vende o DVD nas lojas, utilizando o DVD como formato, que é um formato digital. Temos agora uma distribuidora de escrever os filmes nos festivais. A pessoas trazem os curtas delas pra cá, e eu tenho o know how de festival, eu inscrevo os filmes deles nos festivais, vendo pra TVs, negocio os filmes com pequenas distribuidoras, pra exibir em avião, barco, metrô.

Teve uma retrospectiva em 2011 dos meus filmes no metrô de São Paulo, dentro do Cine Favela, separaram 8 curtas e ficavam passando durante três dias direto num telão no metrô São Paulo, olha que louco!

Aí teve esse lance da gente ter feito um longa pra celular. Eu fiz uma série chamada Mateus, o Balconista, que depois virou Vida de Balconista, o longa, que trabalhou no primeiro canal TV pra celular, o Oi TV Móvel, numa parceria que a gente fez com a Raccord, da Rosanne Svartman.

Pra 2012 estamos criando uma distribuidora pra cinema, mas sempre com filmes digitais. Estamos produzindo muito filme.

Videoguru – Pois é, aproveitando a deixa, o que você está preparando para 2012?

Cavi – Em 2012 a gente tá com um projeto de lançar os filmes nos cinemas. A Cavideo tá completando 15 anos e a gente tá com 15 longas. Então o nosso projeto vai ser “15 anos, 15 longas nos cinemas”.

E a gente se associou ao Canal Brasil, e a gente vai fazer um lançamento diferenciado, a gente vai lançar simultaneamente os longas nos cinemas, todos com projeção digital, são cinco cinemas pequenos no Rio, que é o Ponto Cine, o Cine Santo, o Cine Glória, o Cine Joia e o Estação Botafogo. E vamos lançar simultaneamente na TV, com o Canal Brasil. Eu acredito que uma mídia vai ajudar a outra. A mídia que é dada pela TV vai ajudar no cinema e a mídia gerada no cinema vai ajudar na TV.

E juntos, estamos lançando, via Sinapse, que é a mesma galera do Porta Curtas, vamos disponibilizar todos os nossos filmes para streaming e para venda pela internet também.

Então a gente vai criar essa distribuidora, que deve se chamar Livres, a gente ainda não sabe o nome certo, e a gente vai lançar esses 15 longas no cinema, da Cavideo, e pro outro ano a gente vai abrir pra distribuir os filmes de outras pessoas.

A gente vai criar um diferencial, porque as distribuidoras de hoje em dia lançam o filme em DVD ou no cinema. Não tem uma distribuidora que faça toda a grade. Então a gente vai começar a oferecer um cardápio, a gente inscreve os filmes dos caras nos festivais, a gente negocia com as televisões, a gente lança nos cinemas, a gente lança em DVD, e a gente lança em streaming.

A gente vai oferecer todas essas possibilidades pro filme pequeno, logico que dependendo do dinheiro que a gente tem, dependendo do dinheiro que o cara tem. A gente dá opção pro cara: você quer lançar o seu filme nos cineclubes, tem essas possibilidades, você quer lançar o seu filme em DVD, você quer lançar o seu filme direto na TV?

Videoguru – E de produção, o que é que se destaca para esse ano?

Cavi – Cara, a gente tá fazendo muitos filmes. A gente já tem 5 longas finalizando, que vão ficar prontos agora no início de 2012. Eu vou filmar 3 longas nos primeiros 3 meses do ano, sendo que um é super legal, que é o “Cidade de Deus 10 anos Depois”, um longa sobre os 10 anos do Cidade de Deus, e que talvez seja o nosso maior projeto. A gente vai filmar, finalizar e lançar nesse ano, que é quando completa os 10 anos, então vai ser um projeto muito rápido.

É um documentário, a gente vai focar o que que aconteceu com cada um dos atores que fizeram o filme, 10 anos depois. Que que aconteceu com eles, quem se deu bem, quem não se deu, o que que o filme transformou nessas pessoas. É um projeto que o Fernando Meireles tá parceiro, ajudando, junto com o Cinema Nosso, Canal Brasil, já estamos criando toda uma rede de relações.

Mas é isso, o digital permite essas coisas. A gente começa a filmar em janeiro, vai finalizar em junho, e vai lançar em setembro. Ou seja são sete meses para captação, finalização, distribuição e exibição. Isso nunca daria para ser feito num esquema tradicional de película. O digital permite isso, entendeu?

Em 2011 a gente lançou 9 longas nos festivais pela Cavideo. Como que a gente ia fazer isso se fosse película, se não fosse digital? Como é que a gente iria lançar 15 longas nos cinemas, sem grana? Isso tudo eu falo assim, sem grana. Porque uma coisa é você falar assim, R$30 milhões, R$10 milhões, a gente não tem nada, a gente tem, sei lá, R$30 mil.

Videoguru – Para os caras que estão nesse brasilzão querendo fazer filme, dentro dessa perspectiva do vídeo digital, o que você diria para eles? Qual o caminho?

Cavi – Não pode pensar também que só porque é digital, necessariamente é barato, fácil, rápido, como sendo qualquer coisa. Eu acho que é o mesmo caminho de qualquer pessoa que quer fazer cinema, juntar uma turma, juntar amigos que pensem cinema igual, que você tenha uma certa relação, uma certa amizade. A partir dai, começar a fazer, fazer! O digital é bom também por causa disso. Eu digo muito que eu aprendo fazendo. Essa quantidade de filmes que eu faço é diretamente ligado a isso.

Eu vejo meus filmes como exercício, sabe. Eu não tenho medo de fazer e não ficar 100%, ou não ficar tão bom quanto eu esperava. Mas eu aprendo ali, faço um outro, já fica um pouquinho melhor. Eu fiz 20 curtas como diretor, se você o meu primeiro curta e o meu último, você vê uma evolução. Agora eu tô num momento dos longas, eu ainda tô fazendo muito longa ruim, com problema, mas eu não vejo isso como o fim do mundo, eu vejo como uma evolução, e aí eu faço um outro, e mais outro, e mais outro… Isso num esquema de película…

Eu tava até conversando outro dia com o José Jofly, que é um grande cineasta, e tal, na carreira dele de 35 anos de cineasta ele fez 10 longas. Eu acho que eu vou ter 10 longas em menos de 3 ou 4 anos. E cada um que eu faço, eu aprendo, eu filmo de uma forma, eu trabalho com outros parceiros, outras equipes, eu vou aprendendo fazendo, o digital permite isso. Porque é rápido, é fácil, mais barato, entendeu?

Então eu recomendo que as pessoas se juntem, formem grupos, comecem a fazer, entendeu, fazer! Vai e faz! Não tenha medo de fazer, de errar. E aí é digital, faz um outro, e faz um outro. Aí estuda aí possibilidades, se junta a outros grupos, aí exibe, aí lança. Hoje em dia é tão fácil você fazer um filme e exibir no cineclube. Você já tem um retorno rápido do seu trabalho, do seu esforço, aí você se estimula e monta um cineclube, vê filme. Eu acho que tudo isso é muito importante pro cara evoluir.

E é isso, estar antenado, ainda mais agora com essa coisa do digital, em que as transformações são muito rápidas, estar sempre lendo, sabendo o que tá sendo feito de novo, quem tá fazendo, que equipamento, que aparelho, que camera, senão você também fica defasado, sabe. (N.E.: E pra isso é só continuar acessando o Videoguru! 😉 ) E aí, ir fazendo, ir fazendo, ir fazendo… Isso é a minha forma de pensar, não é todo mundo que vai concordar com o que eu falo. Mas comigo tá dando super certo.

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