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Walter Murch e o FCP X no Boston SuperMeet

No dia 28/10/11 rolou uma apresentação de Walter Murch, notório editor de longa-metragens de Hollywood, no Boston SuperMeet, encontro anual de um tradicional grupo de usuários de FCP, o Boston FCPUG.

Havia uma ansiedade generalizada em torno de eventos, especialmente porque seria a primeira ocasião em Murch se pronunciaria sobre o lançamento do FCP X. Toda essa expectativa justificava-se, sobretudo porque Murch foi talvez o primeiro editor de renome a chancelar o Final Cut Pro como um programa profissional capaz de dar conta do recado na montagem de longa-metragens. Ele percebeu que, em vários aspectos, o Final Cut Pro representava um avanço claro a partir do paradigma consagrado pelo Avid Media Composer, e adotou o programa em seus trabalhos. Foi bom para ele e para Apple, que promoveram um bom marketing em cima disso, com ganhos mútuos de prestígio e notoriedade.

Pois bem, após o evento, varios sites especializados estão dando destaque para as suas impressões negativas sobre o novo software e estratégia da Apple para seus produtos de software para video digital. Ele disse, literalmente, que o filme que acaba de finalizar, “Hemingway & Gellhorn”, em que utilizou uma timeline com 22 trilhas de vídeo e 50 trilhas de áudio, provavelmente será o último que edita no FCP. Saiba mais no blog Chris Portal.

Mas se alguém esperava algo diferente disso, ou é um completo desavisado sobre o perfil de Walter Murch ou um ingênuo. Como um editor veterano, que vem da moviola e além disso é editor de som, iria se sentir atraído por uma timeline sem trilhas? Isso sem falar na ainda não completamente resolvida falta de recursos de compartilhamento de projetos, entre outras demandas dos usuários já exaustivamente discutidas. Até me surpreende ele se dizer otimista apesar do trauma. Ele é apenas mais um exemplo de um tipo de usuário que não está no foco prioritário da Apple com o FCP X.

É sempre bom escutar um editor de rara capacidade intelectual, capaz de pensar conceitualmente e filosofar sobre seu trabalho, dando suas impressões a  cerca de novas ferramentas que surgem. Mas a repercussão de sua opinião sobre o FCP X é o que menos interessa na sua apresentação. Tem maior relevância ver a parte em que fala sobre seu processo de trabalho e a relação com as ferramentas que utiliza. Vamos aguardar, quem sabe, um vídeo no youtube com a cobertura na íntegra da palestra.

Atualização em 31/10/11: O canal do youtube notesonvideo acaba de publicar um post de parte da palestra de Murch no Youtube, justamente quando se refere ao FCP X. Eis o vídeo:

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1 comentário Nesse post
  1. Eu estive em uma palestra dele no Palo Alto International Film Festival um pouco antes desse depoimento mencionado. Perguntado sobre o FCPX ele disse então que não serviria para o método dele.

    Sou obrigado a dizer que concordo com ele. Não acredito que essa análise venha por ele vir da época da moviola (o que admiro muito), é uma análise comum à maioria dos montadores do mercado, porque ata as mãos e a flexibilidade que o montador precisa junto do diretor, dá pós e durante o processo de criação.

    Até porque época da moviola e o seu processo processo criou montadores muito mais intelectuais e pensantes. Com as facilidades de hoje vemos montadores muito mais movidos à tentativa e testes do que pensando previamente. E digo isso fazendo parte deste segundo grupo, pois também não presenciei a força da moviola. Quando entrei neste mercado, o AVID já estava aí e depois o Finalcut surgiu avassalador.

    Infelizmente, e digo isso porque gosto do FinalCut, o problema não reside somente na quantidade de tracks ou import de projetos antigos. Ele se amplia quando não se tem saída de playback, ou export de OMF, ou log and capture (estamos proibidos de pensar negativo… uma pena), organizar pastas e materiais em bins, multiplas seqüencias (fazer select, ter o histórico das evoluções e mudança na edição, poder voltar para determinado corte) e por aí vai…

    Eu espero muito que os próximos FinalCut Pros juntem às inovações do FCPX as ferramentas importantíssimas que os montadores usam constantemente. Afinal, se eles não o fizerem, o AVID está aí, né?

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